Condição pode se
manifestar com dores físicas, irritabilidade e recusa escolar. Psiquiatra
infantil destaca impacto do excesso de telas, pressão escolar e mudanças na
rotina.
A ansiedade entre
crianças e adolescentes tem chamado cada vez mais a atenção de famílias,
escolas e profissionais de saúde. Embora o sentimento de ansiedade faça parte
do desenvolvimento humano, especialistas alertam que, quando excessivo e
persistente, ele pode comprometer o sono, a alimentação, o aprendizado e a
convivência social dos pequenos.
Dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os transtornos de ansiedade
estão entre os problemas emocionais mais frequentes na adolescência. Segundo a
entidade, cerca de um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com
algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão os quadros mais
comuns. Estima-se ainda que os transtornos ansiosos afetem 4,1% das crianças de
10 a 14 anos e 5,3% dos adolescentes de 15 a 19 anos. (1)
A psiquiatra
infantil Juliana Bastos, do Hospital Vitória, da Rede Américas, segunda maior
rede de hospitais privados do Brasil, explica que a ansiedade nem sempre
aparece de forma evidente na infância. Diferentemente dos adultos, crianças
pequenas podem não conseguir verbalizar preocupações ou medos.
“Em crianças, a
ansiedade pode surgir como irritabilidade, choro fácil, necessidade excessiva
da presença dos pais, recusa escolar, dificuldade para dormir, pesadelos,
agitação ou até sintomas físicos, como dor de barriga, náuseas e dor de
cabeça”, explica a especialista.
A médica alerta
ainda que muitas dessas atitudes acabam sendo confundidas com birra, timidez ou
mau comportamento.
“Uma criança
ansiosa pode parecer desobediente ou dramática, quando, na verdade, está
tentando evitar algo que percebe como ameaçador”, ressalta.
Entre os
principais fatores que contribuem para o aumento da ansiedade infantil estão o
excesso de atividades, a pressão por desempenho, o bullying, as dificuldades de
aprendizagem, a privação de sono e o uso excessivo de telas e redes sociais.
“O excesso de
telas pode piorar o sono, aumentar a hiperestimulação, reduzir o tempo de brincadeiras
livres e expor a criança a conteúdos inadequados e comparação social
constante”, afirma.
De acordo com a
psiquiatra, é importante buscar uma avaliação profissional quando os sintomas
persistem por semanas, causam sofrimento importante ou começam a prejudicar a
rotina da criança.
“Quando há impacto
no sono, na alimentação, no desempenho escolar ou na socialização, além de
crises intensas ou medos persistentes, é importante procurar ajuda
especializada”, orienta.
A especialista
destaca que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) está entre as abordagens
com as melhores evidências para o tratamento da ansiedade em crianças e
adolescentes.
No dia a dia, pequenas atitudes da família podem ajudar a reduzir o sofrimento emocional. Entre elas estão manter a rotina organizada, incentivar a prática de atividades físicas, garantir um sono adequado, limitar as telas e criar um espaço seguro para conversar sobre emoções.
O objetivo não é
eliminar toda a ansiedade da vida da criança, mas ensiná-la a reconhecer esse
sentimento e a atravessar as emoções difíceis com segurança e apoio”, conclui
Juliana.
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