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sábado, 27 de junho de 2026

Especialista alerta para sinais silenciosos da ansiedade em crianças e adolescentes


Condição pode se manifestar com dores físicas, irritabilidade e recusa escolar. Psiquiatra infantil destaca impacto do excesso de telas, pressão escolar e mudanças na rotina.

A ansiedade entre crianças e adolescentes tem chamado cada vez mais a atenção de famílias, escolas e profissionais de saúde. Embora o sentimento de ansiedade faça parte do desenvolvimento humano, especialistas alertam que, quando excessivo e persistente, ele pode comprometer o sono, a alimentação, o aprendizado e a convivência social dos pequenos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os transtornos de ansiedade estão entre os problemas emocionais mais frequentes na adolescência. Segundo a entidade, cerca de um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão os quadros mais comuns. Estima-se ainda que os transtornos ansiosos afetem 4,1% das crianças de 10 a 14 anos e 5,3% dos adolescentes de 15 a 19 anos. (1)

A psiquiatra infantil Juliana Bastos, do Hospital Vitória, da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, explica que a ansiedade nem sempre aparece de forma evidente na infância. Diferentemente dos adultos, crianças pequenas podem não conseguir verbalizar preocupações ou medos.

“Em crianças, a ansiedade pode surgir como irritabilidade, choro fácil, necessidade excessiva da presença dos pais, recusa escolar, dificuldade para dormir, pesadelos, agitação ou até sintomas físicos, como dor de barriga, náuseas e dor de cabeça”, explica a especialista.

A médica alerta ainda que muitas dessas atitudes acabam sendo confundidas com birra, timidez ou mau comportamento.

“Uma criança ansiosa pode parecer desobediente ou dramática, quando, na verdade, está tentando evitar algo que percebe como ameaçador”, ressalta.

Entre os principais fatores que contribuem para o aumento da ansiedade infantil estão o excesso de atividades, a pressão por desempenho, o bullying, as dificuldades de aprendizagem, a privação de sono e o uso excessivo de telas e redes sociais.

“O excesso de telas pode piorar o sono, aumentar a hiperestimulação, reduzir o tempo de brincadeiras livres e expor a criança a conteúdos inadequados e comparação social constante”, afirma.

De acordo com a psiquiatra, é importante buscar uma avaliação profissional quando os sintomas persistem por semanas, causam sofrimento importante ou começam a prejudicar a rotina da criança.

“Quando há impacto no sono, na alimentação, no desempenho escolar ou na socialização, além de crises intensas ou medos persistentes, é importante procurar ajuda especializada”, orienta.

A especialista destaca que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) está entre as abordagens com as melhores evidências para o tratamento da ansiedade em crianças e adolescentes.

No dia a dia, pequenas atitudes da família podem ajudar a reduzir o sofrimento emocional. Entre elas estão manter a rotina organizada, incentivar a prática de atividades físicas, garantir um sono adequado, limitar as telas e criar um espaço seguro para conversar sobre emoções. 

O objetivo não é eliminar toda a ansiedade da vida da criança, mas ensiná-la a reconhecer esse sentimento e a atravessar as emoções difíceis com segurança e apoio”, conclui Juliana.


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