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sábado, 27 de junho de 2026

Pnad 2025: números da educação infantil seguem distantes da meta

Acesso à creche cresce, mas metade das crianças de 0 a 3 anos ainda fica de fora; pré-escola avança pouco, enquanto universalização – prevista para 2016 – segue adiada 

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta (19) os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação de 2025. Na educação infantil, os números apontam avanços em relação ao ano anterior, mas ainda insuficientes para garantir o direito à creche a todos aqueles que querem ou precisam do atendimento. Dez anos depois da meta prevista, universalização da pré-escola ainda não foi concretizada. As desigualdades regionais persistem e o acesso à creche para crianças de 0 a 3 anos segue sendo o principal gargalo do sistema.

“Se olharmos para a série histórica dos dados da educação infantil, é evidente o crescimento de acesso ao longo dos anos. Esse acesso, porém, cresceu na média, mas enfrenta mais desafios para uma redução robusta de desigualdades. Os dados divulgados agora são muito valiosos, pois mostram uma redução de cerca de 92 mil crianças fora da pré-escola. É preciso celebrar que hoje estamos mais perto da universalização. Vale lembrar, no entanto, que essa era uma meta que deveria ter se efetivado em 2016 e que, embora o quantitativo de crianças fora da pré-escola percentualmente possa parecer pouco, os dados escondem desigualdades que seguem afetando infâncias historicamente vulnerabilizadas. Trata-se de mais de 280 mil crianças de 4 e 5 anos fora da pré-escola. Estamos avançando, mas não podemos deixar nenhuma para trás. No caso de creche, etapa que não é obrigatória, 30% dos 5,8 milhões de crianças sem atendimento não encontra vagas”, reflete Marina Fragata Chicaro, diretora de políticas públicas da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

Para a Fundação, é preciso realizar busca ativa para identificar quem são as crianças ainda fora da pré-escola e garantir acesso com qualidade, com profissionais formados, estruturas adequadas e acolhimento às diversidades. Em relação às creches, em casos de falta de vagas, devem ser aplicados critérios de priorização do acesso, como crianças de famílias de baixa renda cadastradas no Programa Bolsa Família, conforme prevê a Lei 14.851/2024.

O novo PNE 2026-2036 precisa corrigir esse abandono com urgência e determinação. A creche deve estar onde a criança está. Os dados avançam, mas não na velocidade que as crianças precisam — e isso precisa mudar agora, finaliza Marina.


Veja, abaixo, os principais dados relacionados à educação infantil:

• Entre as crianças de 0 a 1 ano, os menores percentuais de escolarização foram registrados nas Regiões Norte (3,6%) e Nordeste (7,1%). Embora o Nordeste tenha apresentado crescimento expressivo de 2,7 p.p. em relação a 2016, quando registrou 4,4%, ainda permanece muito distante das Regiões Sudeste (24,9%), Sul (28,4%) e Centro-Oeste (15,4%), que mantiveram os maiores percentuais. Esses dados evidenciam a persistência de um padrão profundamente desigual de acesso à creche para crianças dessa faixa etária.

• Entre as crianças de 2 a 3 anos, a escolarização alcançou 62,9% no Brasil em 2025 – aumento de 13,8 p.p. em relação a 2016, que estava em 49,1%. Os maiores avanços foram registrados nas Regiões Nordeste (+16 p.p., chegando a 65%) e Centro-Oeste (+15,8 p.p., alcançando 54,1%). A Região Sudeste manteve a maior cobertura (68,1%), seguida do Sul (66%), enquanto a Região Norte registrou a menor taxa (41,9%), mesmo após crescimento de 14,4 p.p. no período.

• A faixa etária de 4 a 5 anos registrou taxa nacional de escolarização de 94,9% em 2025 – avanço de 1,4 p.p. em relação a 2024 (93,5%). Ainda assim, o índice segue aquém da universalização prevista na Meta 1 do PNE, que deveria ter sido alcançada em 2016. Os maiores percentuais foram observados nas Regiões Nordeste (97%) e Sudeste (95,6%), ambas acima da média nacional. As menores taxas foram verificadas no Norte (89,3%) e no Centro-Oeste (93,6%). A Região Sul alcançou 94%, ainda abaixo da média nacional.


Principal motivo de não frequentar escola ou creche:

Em 2025, no Brasil, 64,1% das crianças de 0 a 1 ano e 57,1% das crianças de 2 a 3 anos que não frequentavam creche estavam fora da escola por opção dos pais ou responsáveis. Esse motivo permaneceu como o mais citado em todas as regiões, com frequência mais elevada entre os bebês. A Região Centro-Oeste apresentou o maior percentual para crianças de 0 a 1 ano (73,6%), enquanto o menor foi registrado no Nordeste (58,5%). Para o grupo de 2 a 3 anos, o maior percentual foi observado no Centro-Oeste (65,5%) e o menor, no Norte (49,4%).

• O segundo motivo mais citado foi não ter escola/creche na localidade, falta de vaga ou a não aceitação da matrícula por causa da idade da criança. Entre as crianças de 0 a 1 ano, 28,1% dos responsáveis apontaram esse fator; entre as de 2 a 3 anos, o percentual foi de 33,4%. As Regiões Norte e Nordeste se destacaram como as mais afetadas por esse tipo de barreira: no Norte, 35,5% dos bebês e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por esse motivo; no Nordeste, os percentuais foram de 36,1% e 37,2%, respectivamente. Esses números evidenciam maior deficiência na oferta de vagas na educação infantil nessas regiões.

• Em relação a 2024, houve ampliação da cobertura em todas as faixas etárias da educação infantil. A taxa de escolarização das crianças de 0 a 3 anos cresceu 2 p.p. em relação ao ano anterior, e a de 4 a 5 anos avançou 1,4 p.p. Ainda assim, a barreira de acesso por falta de oferta permanece concentrada nas regiões Norte e Nordeste, onde mais de um terço das crianças fora da creche se encontram nessa situação por ausência de vagas ou de unidades na localidade.



Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal


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