Produtividade confundida com
identidade
Durante
anos, o discurso do sucesso esteve associado à ascensão profissional. Crescer
na carreira, alcançar cargos de liderança, conquistar reconhecimento e
estabilidade financeira tornaram-se objetivos centrais para milhões de pessoas.
Mas um número cada vez maior de profissionais tem descoberto que existe uma
conta emocional que nem sempre aparece nos relatórios de desempenho.
Ela
surge quando a carreira prospera, mas a identidade pessoal começa a
desaparecer.
A
neuropsicóloga Tattiana ASerra afirma que é cada vez mais comum as pessoas que
alcançaram aquilo que sempre desejaram profissionalmente, mas que não conseguem
responder a uma pergunta simples: "Quem sou eu além do meu trabalho?"
"Há
profissionais extremamente competentes, admirados e bem-sucedidos que, ao longo
dos anos, foram se adaptando às exigências do mercado, às expectativas da
família e aos modelos de sucesso impostos pela sociedade. Em algum momento,
deixaram de perceber as próprias necessidades, valores e propósitos",
explica.
Segundo
a especialista, o problema não está em construir uma carreira sólida. O risco
aparece quando a identidade passa a depender exclusivamente dela.
Nesses
casos, o trabalho deixa de ser uma atividade importante e passa a se tornar a
principal fonte de validação, pertencimento e autoestima.
O
resultado é o fenômeno da fragmentação humana e qualquer dificuldade
profissional pode gerar impactos profundos na saúde integral.
Mudanças
de cargo, demissões, aposentadoria, transições de carreira ou até mesmo
períodos de menor produtividade podem provocar uma sensação de vazio difícil de
explicar.
"Quando
a identidade está totalmente ancorada na profissão, qualquer ameaça ao trabalho
é percebida pelo cérebro como uma ameaça à própria existência. A pessoa não
perde apenas uma função. Ela sente que perde quem ela é", afirma Tattiana.
Os sinais de que você pode estar se afastando de si mesmo
A
desconexão da própria identidade costuma acontecer de forma gradual e silenciosa.
Entre
os sinais mais comuns estão:
•
Sensação constante de estar vivendo no piloto automático;
•
Dificuldade de identificar o que gosta de fazer fora do trabalho;
•
Perda de interesse por hobbies e atividades que antes davam prazer;
•
Sensação de vazio mesmo após alcançar metas importantes;
•
Necessidade permanente de produzir para se sentir útil e valioso;
•
Incapacidade de descansar sem culpa;
•
Sentimento de que a vida gira exclusivamente em torno das responsabilidades
profissionais.
Para
Tatiana, muitas pessoas confundem produtividade com identidade.
"Elas
passam tantos anos sendo reconhecidas pelo que entregam que deixam de perceber
quem são quando não estão produzindo. O problema é que seres humanos não foram
feitos apenas para performar", explica a especialista que propõe o teste:
TESTE: Quem você é quando não está trabalhando?
Tatiana
deixa um teste para ajudar você a identificar o quanto sua identidade está
fragmentada.
Como responder:
Marque
a alternativa que mais se aproxima da sua realidade.
A = Nunca ou
raramente
B = Às vezes
C = Frequentemente
D= sempre
1. Quando conheço alguém novo, a primeira coisa que falo sobre mim é
minha profissão.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
2. Sinto dificuldade para descrever quem sou sem mencionar minhas
habilidades profissionais.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
3. Quando não estou trabalhando, tenho a sensação de que deveria estar
produzindo algo.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
4. Meu humor depende muito do que acontece na minha vida profissional.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
5. Se eu perdesse meu cargo hoje, sentiria que perderia parte de quem
sou.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
6. Tenho hobbies, interesses ou atividades que não têm relação com trabalho
ou produtividade.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
(Pontuação
invertida: A = 1, B = 2, C = 3, D= 4)
7. Consigo descansar sem sentir culpa.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
(Pontuação
invertida: A = 1, B = 2, C = 3, D= 4)
8. Há pessoas que me conhecem profundamente além da minha função
profissional.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
(Pontuação
invertida: A = 1, B = 2, C = 3, D= 4)
9. Costumo adiar atividades que me dão prazer porque o trabalho parece
mais importante.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
10. Faz tempo que não me pergunto o que realmente gosto de fazer fora da
carreira.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
11. Quando tiro férias, demoro para me sentir confortável sem trabalhar.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
12. Minha autoestima depende muito dos meus resultados profissionais.
A
( ) B ( ) C ( ) D ( )
Resultado
Some seus pontos:
A = 1 ponto
B = 2 pontos
C = 3 pontos
(Nas questões 6, 7
e 8 utilize a pontuação invertida indicada.)
De 12 a 19 pontos
Sua identidade vai muito além da profissão
Você
parece ter construído uma vida relativamente equilibrada, na qual o trabalho é
importante, mas não define completamente quem você é. Seus relacionamentos,
interesses e valores pessoais também ocupam espaço na sua identidade.
De 20 a 28 pontos
Atenção ao desequilíbrio
O
trabalho já ocupa uma parcela significativa da sua identidade. Talvez você
esteja negligenciando atividades, relacionamentos ou aspectos pessoais que
ajudam a sustentar sua saúde emocional. Vale a pena refletir sobre quem você é
além do crachá.
De 29 a 36 pontos
Sua identidade pode estar excessivamente ligada ao trabalho
Você
apresenta sinais de que sua autoestima, seu senso de valor e sua percepção de
identidade estão fortemente conectados ao desempenho profissional. Isso pode
aumentar a vulnerabilidade emocional diante de mudanças de carreira, crises
profissionais, aposentadoria ou períodos de menor produtividade.
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