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sábado, 27 de junho de 2026

Saúde mental e riscos psicossociais ampliam debate sobre liderança e ambiente de trabalho nas empresas

Atualização da NR-1 amplia atenção das organizações para fatores que afetam o bem-estar dos colaboradores, a produtividade e a retenção de talentos

 

A saúde mental deixou de ser um tema restrito às áreas de Recursos Humanos e passou a ocupar espaço cada vez mais relevante nas estratégias empresariais. Em 2026, essa discussão ganhou ainda mais força com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a identificação e gestão dos riscos psicossociais dentro dos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais. 

A mudança reflete uma realidade já percebida pelas organizações nos últimos anos: o ambiente de trabalho influencia diretamente a saúde das pessoas, os níveis de engajamento, a produtividade e a capacidade das empresas de atrair e reter talentos. 

Para Ana Jarrouge, presidente executiva do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), a discussão vai muito além do cumprimento de uma obrigação legal. Segundo ela, as organizações precisam compreender que a forma como as relações são construídas dentro das empresas impacta diretamente os resultados do negócio. 

“Quando falamos em segurança psicológica, estamos falando de ambientes onde as pessoas se sentem respeitadas, pertencentes, ouvidas e seguras para compartilhar opiniões, dúvidas e ideias. É um ambiente baseado em confiança, transparência e respeito. E isso tem relação direta com a capacidade das equipes de colaborar, inovar e gerar resultados”, afirma. 

Em 2025, o INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais, uma alta de 15,66% sobre 2024. Ansiedade e depressão lideram as causas, com destaque para o Burnout, que disparou 823% em quatro anos. Esses dados reforçam a necessidade de atenção à saúde mental dos colaboradores. Para a executiva, um dos desafios está no fato de que os efeitos de um ambiente emocionalmente inseguro nem sempre aparecem imediatamente nos indicadores tradicionais de desempenho. 

“Muitas vezes os resultados operacionais continuam acontecendo enquanto os problemas se acumulam nos bastidores. O aumento do turnover, a falta de troca de ideias, o receio de se posicionar e a ausência de diálogo com as lideranças costumam ser alguns dos primeiros sinais de alerta”, explica. 

Nesse contexto, a liderança assume papel central. Segundo Ana, a maneira como gestores se comunicam, conduzem conflitos e reagem aos erros influencia diretamente a percepção de segurança dentro das equipes. Ambientes marcados pelo medo, excesso de pressão ou falta de confiança tendem a reduzir o engajamento e comprometer a capacidade de inovação das organizações. 

“A empresa perde muito quando as pessoas deixam de contribuir de forma genuína. O impacto pode não aparecer de imediato, mas surge ao longo do tempo na forma de perda de engajamento, dificuldade de retenção e menor capacidade de adaptação do negócio. Por isso, investir na formação e no desenvolvimento das lideranças deve ser uma prioridade estratégica”, destaca. 

A executiva ressalta ainda que a área de Recursos Humanos tem papel fundamental nesse processo, atuando como parceira da alta gestão no acompanhamento do clima organizacional e no fortalecimento da cultura corporativa. Para ela, empresas que investem na construção de ambientes emocionalmente seguros fortalecem sua cultura organizacional, aumentam o engajamento das equipes e constroem resultados mais sustentáveis ao longo do tempo. “Ambientes saudáveis não beneficiam apenas os colaboradores. Eles fortalecem a organização como um todo. Cuidar das pessoas é uma das formas mais inteligentes de cuidar do futuro dos negócios”, conclui.

 

Ana Jarrouge - Presidente executiva do SETCESP e diretora da Confederação Nacional do Transporte (CNT) da Seção de Cargas, Ana Jarrouge é formada em Direito com especialização em Relações do Trabalho, e possui MBA em Gestão de Pessoas, ambas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), e MBA em Finanças com ênfase no transporte e logística pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC). Também é idealizadora do Movimento Vez & Voz (https://www.vezevoz.org/), criado para fomentar a participação de mulheres no TRC.

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