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sábado, 27 de junho de 2026

Cirurgião plástico alerta sobre tendências estéticas impulsionadas pelas redes sociais sem avaliação individualizada

Pixabay
Lifting facial da moda pode comprometer naturalidade e segurança dos resultados 

 

Nas redes sociais, celebridades e criadores de conteúdo compartilham diariamente transformações faciais que rapidamente se tornam referência para quem busca rejuvenescimento. O aumento da pressão estética e o uso das canetas emagrecedoras mudaram o perfil de quem procura o lifting, antes mais comum em pacientes maduros. O procedimento agora também atrai pessoas na casa dos 30 anos, o que reforça a necessidade de avaliação individualizada.

A evolução não é apenas de demanda, a cirurgia também mudou. "O lifting facial evoluiu porque a cirurgia moderna deixou de tratar apenas a pele. Hoje, avaliamos camadas profundas, ligamentos, compartimentos de gordura, musculatura, pescoço e dinâmica da expressão. Quando a técnica respeita essa leitura anatômica, o resultado fica mais natural e proporcional", explica David Di Sessa, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Essa leitura começa antes de qualquer incisão. O cirurgião observa flacidez, volume facial, espessura cutânea, posição das sobrancelhas, sulcos, contorno mandibular, pescoço e histórico de procedimentos prévios. A análise minuciosa evita exageros, corrige expectativas irreais e permite escolher uma técnica compatível com o envelhecimento individual.

Entre as abordagens mais conhecidas está o lifting cervicofacial, indicado para tratar flacidez no terço médio e inferior da face, além do pescoço. A técnica reposiciona tecidos, melhora o contorno da mandíbula e reduz a sobra cervical. Quando bem planejada, recupera sustentação sem apagar características pessoais ou modificar a identidade facial.

“Outra técnica muito utilizada é a endoscópica, com ela conseguimos tratar o terço superior e o terço médio da face com incisões posicionadas no couro cabeludo, sem cortes ao redor da orelha. Essa cirurgia por vídeo, permite uma visão ampliada das estruturas profundas e ajuda a reposicionar os tecidos com precisão, preservando a naturalidade e reduzindo sinais externos da cirurgia”, explica Di Sessa. 

Nos últimos meses, o deep plane ganhou destaque nas redes sociais por atuar em planos mais profundos do rosto, um método que afasta as estruturas de sustentação e reposiciona os tecidos com menor tensão sobre a pele. Apesar da visibilidade e dos bons resultados, não é uma solução universal. A indicação depende da anatomia, do grau de flacidez, da qualidade dos tecidos e da experiência do cirurgião.

"O deep plane é uma técnica poderosa quando existe indicação correta, mas não pode ser vendido como sinônimo de melhor lifting para todos. Em cirurgia facial, profundidade não substitui diagnóstico. Um paciente pode se beneficiar dessa abordagem, enquanto outro terá resultado mais seguro e natural com SMAS, minilifting ou associação de técnicas", afirma o cirurgião membro da SBCP.

O lifting pelo SMAS — sistema músculo-aponeurótico superficial — permite reposicionar camadas de sustentação da face sem depender apenas da tração cutânea, contribuindo para resultados mais duradouros e naturais, especialmente em casos de flacidez moderada ou acentuada. A escolha da extensão cirúrgica varia conforme o envelhecimento, o formato do rosto e a necessidade real. Para pacientes com flacidez inicial, o minilifting pode ser suficiente: a cirurgia tem menor área de descolamento e foco em regiões específicas, como mandíbula e parte inferior da face, mas ainda assim exige planejamento rigoroso para evitar resultados discretos demais ou pouco duradouros.

"A face envelhece em várias camadas ao mesmo tempo. Existe perda de gordura, frouxidão ligamentar, queda dos tecidos, alterações ósseas e mudança na pele. Por isso, uma cirurgia bem indicada exige repertório técnico e visão global. O cirurgião precisa dominar diferentes caminhos para escolher o mais adequado, e não adaptar o paciente à técnica que está em evidência", reforça o especialista.

Há ainda o lifting temporal, que atua na queda lateral das sobrancelhas e na perda de sustentação do olhar, podendo suavizar o aspecto cansado sem alterar a expressão. Em alguns casos, é associado à blefaroplastia, enxertia de gordura, lipoaspiração cervical ou tratamentos de qualidade de pele e a combinação correta, como em toda cirurgia facial, depende de diagnóstico, não de tendência.

"A evolução tecnológica também ampliou a precisão do planejamento cirúrgico atual. Recursos de imagem, refinamento das incisões, técnicas menos invasivas, melhor controle de cicatrizes e compreensão das estruturas profundas permitem abordagens individualizadas. O objetivo atual não é transformar a fisionomia, mas recuperar sustentação, suavizar sinais do tempo e preservar naturalidade", conclui David.


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