Psicóloga explica como a necessidade constante de provar competência pode contribuir para ansiedade, autocobrança excessiva e síndrome da impostora.
A sensação de precisar provar constantemente a
própria competência não é incomum. Pesquisa realizada pela KPMG em 2020 revelou
que 75% das mulheres em cargos de liderança já vivenciaram a síndrome da
impostora em algum momento da carreira, demonstrando como a insegurança
profissional pode afetar até mesmo profissionais altamente qualificadas.
O tema voltou ao debate recentemente após a árbitra Fernanda
Colombo relatar a resistência enfrentada ao longo da carreira em um ambiente
historicamente masculino. A experiência é compartilhada por muitas
profissionais que, mesmo altamente capacitadas, ainda convivem com a
necessidade constante de validar sua competência para conquistar reconhecimento
e credibilidade no mercado de trabalho.
Segundo a psicóloga Dra.
Andrea Beltran, a
necessidade frequente de validação pode gerar desgaste emocional e aumentar os
níveis de ansiedade.
"Quando a mulher percebe que sua capacidade é questionada com
mais frequência ou que precisa entregar mais resultados para obter o mesmo
reconhecimento, ela pode desenvolver um estado permanente de alerta. É como se
estivesse constantemente sendo avaliada, o que gera tensão, insegurança e uma
autocobrança excessiva", explica.
A especialista destaca que esse cenário pode afetar diretamente a
forma como a profissional percebe seu próprio valor.
"Com o tempo, muitas mulheres passam a acreditar que precisam
ser impecáveis para serem respeitadas. Isso pode enfraquecer a autoestima e
favorecer sentimentos de inadequação, mesmo diante de conquistas concretas e de
uma trajetória profissional sólida", afirma.
Outro fenômeno comum nesses contextos é a chamada síndrome da
impostora, caracterizada pela dificuldade de reconhecer as próprias
competências e pelo medo constante de ser considerada incapaz.
"Mesmo quando existem resultados consistentes, algumas
mulheres continuam sentindo que precisam provar que merecem ocupar aquele
espaço. A sensação de estar sempre em teste gera sofrimento emocional e pode
comprometer a confiança para assumir novos desafios ou posições de
liderança", observa a Dra. Andrea.
Além dos impactos individuais, a psicóloga ressalta que ambientes
marcados por preconceitos explícitos ou sutis também afetam a produtividade e o
bem-estar das equipes.
"Quando parte da energia emocional é direcionada para lidar
com julgamentos, estereótipos ou a necessidade constante de validação, sobra
menos espaço para inovação, criatividade e desenvolvimento profissional. O
resultado é um desgaste que pode contribuir para quadros de ansiedade, estresse
crônico e exaustão emocional", diz.
Para a Dra., promover ambientes mais inclusivos é uma medida que
beneficia não apenas as mulheres, mas toda a organização.
"O reconhecimento profissional deve estar associado à competência, ao desempenho e aos resultados, independentemente do gênero. Ambientes saudáveis são aqueles em que as pessoas podem desenvolver seu potencial sem a necessidade de provar diariamente que merecem estar ali", conclui.
Dra. Andrea Beltran - psicóloga analítica junguiana, formada pela
Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Atua no acompanhamento de
processos individuais com foco em autoconhecimento, vínculo e desenvolvimento
emocional. Seu trabalho valoriza narrativas pessoais e vínculos profundos,
buscando acolhimento genuíno em cada jornada.

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