Comportamentos como destruição de objetos,
excesso de latidos e inquietação podem estar relacionados à falta de estímulos
cognitivos na rotina dos pets
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Uma pesquisa conduzida pela Faculdade de Medicina Veterinária e
Ciências Biomédicas da Texas A&M, nos Estados Unidos, revelou que a ansiedade
e o medo estão presentes em mais de 84% dos cães em situações do cotidiano. O
estudo, baseado em respostas dos tutores de mais de 43 mil animais, mostra que
comportamentos relacionados ao estresse são muito mais comuns do que se
imaginava. Entre os fatores que podem contribuir para esses quadros estão
ambientes pouco estimulantes, rotina monótona e a falta de previsibilidade no
dia a dia. Como os cães tendem a se sentir mais seguros quando possuem uma
rotina bem estabelecida, mudanças frequentes de hábitos e horários podem
favorecer o surgimento de ansiedade e insegurança.
Mais do que um simples passatempo, o estímulo mental é uma
necessidade para os cães. A ausência de desafios cognitivos pode favorecer o
surgimento de problemas comportamentais, como excesso de latidos, destruição de
objetos, compulsões, dificuldade de adaptação e ansiedade de separação. Em alguns
casos, o estresse crônico também pode impactar a saúde física, comprometendo o
sistema imunológico, aumentando a predisposição a problemas dermatológicos e
reduzindo a qualidade de vida dos animais.
A médica-veterinária Francine Cossenzo, da Dog Life, explica que o
enriquecimento mental deve fazer parte da rotina de cuidados dos pets. “Os cães
são animais naturalmente curiosos e exploradores. Quando não encontram
oportunidades para gastar energia mental, podem desenvolver comportamentos
associados ao tédio e à frustração. Muitas vezes, o tutor interpreta essas
atitudes como desobediência, quando na verdade o animal está demonstrando uma necessidade
que não está sendo atendida”, afirma.
Além da observação do comportamento, o acompanhamento veterinário
também é importante para descartar problemas de saúde que possam estar
relacionados a alterações comportamentais. Dependendo do caso, o profissional
pode recomendar exames clínicos, laboratoriais e avaliações complementares para
identificar possíveis causas físicas associadas ao estresse, à ansiedade ou às
mudanças de comportamento.
Para estimular a mente dos cães e promover mais bem-estar, a
especialista traz algumas recomendações aos tutores:
- Invista em brinquedos interativos: Itens que desafiam o raciocínio e estimulam a busca por
recompensas ajudam a combater o tédio e exercitar habilidades cognitivas.
- Transforme a alimentação em uma atividade: Esconder petiscos ou utilizar brinquedos recheáveis faz com
que o cão utilize o olfato e o raciocínio durante as refeições.
- Varie os passeios: Novos trajetos,
ambientes e estímulos sensoriais enriquecem a rotina e proporcionam
experiências importantes para o desenvolvimento comportamental.
- Ensine novos comandos e brincadeiras: Sessões curtas de treinamento fortalecem o vínculo com o
tutor e ajudam a manter o cérebro ativo.
- Promova enriquecimento ambiental: Caixas, obstáculos, tapetes olfativos e atividades de
exploração tornam o ambiente doméstico mais interessante e estimulante.
Segundo Francine, a prevenção continua sendo a melhor estratégia
para garantir equilíbrio emocional aos pets. “Assim como acontece com a saúde
física, o cuidado com a saúde mental deve ser contínuo. Pequenas mudanças na
rotina já são capazes de gerar impactos positivos no comportamento, na
qualidade de vida e no bem-estar dos cães”, destaca.
Para apoiar esse acompanhamento, contar com um plano de saúde pet pode facilitar o acesso a consultas veterinárias e especialistas, permitindo identificar precocemente alterações comportamentais e orientar os tutores sobre as melhores estratégias para promover uma rotina mais saudável e equilibrada para seus animais.
Dog Life
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