Pesquisar no Blog

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Adultização Infantil nas Redes: quando o algoritmo se torna cúmplice


O recente caso envolvendo o influenciador Hytalo Santos, acusado por Felca de produzir conteúdo supostamente voltado a pedófilos, reacende um debate urgente: como a arquitetura das redes sociais está contribuindo para a exposição e, pior, a erotização precoce de crianças e adolescentes na internet?

 

Não se trata aqui de julgar antecipadamente a culpabilidade de um sujeito específico, mas sim de analisar o ecossistema que permite (ou até incentiva) a produção e disseminação de conteúdos com alto grau de ambiguidade quanto à sua finalidade e impacto.

 

O ambiente digital contemporâneo é marcado por uma lógica implacável: a da economia da atenção. Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube operam a partir de algoritmos cujo objetivo central não é promover a segurança, tampouco a educação ou o bem-estar, mas reter o usuário o maior tempo possível, otimizando o engajamento e a rentabilidade. Quando essa lógica é aplicada a públicos vulneráveis, como crianças e adolescentes, os riscos se multiplicam.

 

A exposição precoce, muitas vezes acompanhada da adultização de comportamentos, não é um efeito colateral acidental. É consequência de ao menos quatro fatores estruturais:

 

1. Algoritmos que priorizam engajamento, não proteção

Os sistemas de recomendação que definem o que aparece no feed do usuário são treinados para captar e manter a atenção. No caso de crianças, isso pode significar a migração rápida de conteúdos lúdicos para vídeos com conotações sensuais, desafios perigosos ou interações inadequadas. A falta de transparência algorítmica torna difícil identificar (e responsabilizar) os critérios que regem essa entrega.

 

2. Incentivos econômicos ao “sharenting” e à performance infantil

Muitos criadores de conteúdo, inclusive pais, transformam seus filhos em protagonistas digitais. Essa prática, conhecida como sharenting, em alguns casos atravessa fronteiras éticas e legais, ao tratar a imagem da criança como ativo de capital simbólico e econômico. É nesse contexto que se insere a questão da erotização infantil, ainda que de forma dissimulada, como instrumento de apelo visual e aumento de audiência.

 

3. Ausência de fronteiras claras na experiência online

Enquanto o mundo físico oferece barreiras razoáveis entre espaços infantis e adultos, o digital dissolve essas separações. O feed de uma criança pode intercalar vídeos infantis com conteúdos violentos, hipersexualizados ou mesmo criminosos, sem qualquer mediação. A experiência online, fluida e não hierarquizada, favorece essa contaminação de ambientes.

 

4. A pedagogia da performance

Crianças e adolescentes são socializados pelas redes a interpretar a vida como uma sequência de performances voltadas a uma audiência anônima. O desejo de reconhecimento e validação externa reduz sua capacidade de discernimento e aumenta a vulnerabilidade a relações abusivas ou manipulações emocionais.

 

Caminhos possíveis: governança digital e responsabilização jurídica

 

A resposta a esse cenário não pode ser exclusivamente técnica, tampouco moralista. Ela exige um modelo de governança digital familiar, combinado com regulação sistêmica do ambiente digital. No âmbito doméstico, é necessário que pais e responsáveis assumam uma postura ativa, adotando medidas como:

 

- Configuração de controles parentais e uso de plataformas em versão “Kids”;


- Estímulo ao letramento midiático, ensinando a criança a questionar e compreender o conteúdo que consome;


- Definição de uma política consciente de exposição, considerando a imagem da criança como dado pessoal sensível, protegido pelo marco legal brasileiro.

 

No plano jurídico, a questão é ainda mais desafiadora. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ofereçam bases importantes para a proteção dos menores, a aplicação prática dessas normas às dinâmicas algorítmicas e à monetização de conteúdo ainda é incipiente.

 

É urgente avançar na responsabilização de plataformas que se omitem em coibir práticas evidentemente nocivas, bem como regulamentar a produção de conteúdo com participação de crianças, especialmente quando há viés econômico envolvido.

 

Também é preciso discutir a responsabilização de criadores de conteúdo que, por ação ou omissão, contribuem para a disseminação de material com conotação ambígua e risco potencial.

 

A exposição precoce de crianças na internet é um problema jurídico, ético e social. É, sobretudo, um sintoma de um modelo digital que ainda privilegia o lucro à revelia da dignidade humana.

 

Se queremos proteger efetivamente a infância no século XXI, precisamos de um novo pacto entre sociedade, plataformas, Estado e famílias: um pacto que reconheça a criança como sujeito de direitos, e não como audiência cativa ou ativo monetizável.

 

Lucas Ruiz Balconi - advogado, Doutor em Direito pela USP e especialista em Direito Digital



Sanidade Animal – Primeira etapa da Campanha de Vacinação contra Brucelose teve início nesta quinta e vai até 30 de junho em todo o Estado de São Paulo

 

Dando continuidade ao calendário de vacinação estipulado pela Resolução SAA nº 78/24 e pelas Portarias 33/24 e 34/24, começou nesta quinta-feira, dia 1º de janeiro, a primeira etapa de 2026 da Campanha de vacinação contra a Brucelose no Estado de São Paulo. A Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) reforça que durante a etapa, que vai até 30 de junho, devem ser imunizadas as bovinas e bubalinas de três a oito meses de idade. 

Por se tratar de uma vacina viva, passível de infecção para quem a manipula, a vacinação deve ser feita por um médico-veterinário cadastrado que, além de garantir a correta aplicação do imunizante, fornece o atestado de vacinação ao produtor. A relação dos médicos-veterinários cadastrados na Defesa Agropecuária para realizar a vacinação em diversos municípios do Estado de São Paulo está disponível em Link. 

O médico-veterinário responsável pela imunização, ao cadastrar o atestado de vacinação no sistema informatizado de gestão de defesa animal e vegetal (GEDAVE) em um prazo máximo de quatro dias a contar da data da vacinação e dentro do período correspondente à vacinação, validará a imunização dos animais.

 

Identificação 

Está em vigor desde outubro de 2024 no Estado de São Paulo, o modelo alternativo de identificação - o primeiro do país aprovado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) - de vacinação contra a Brucelose. Trata-se da utilização de bottons auriculares, uma alternativa não obrigatória à marcação a fogo que além do bem-estar animal, estimula a produtividade e a qualidade do manejo, além de aumentar a segurança do produtor e do veterinário responsável pela aplicação do imunizante. 

De acordo com as portarias, Em São Paulo fica estabelecido o botton amarelo para a identificação dos animais vacinados com a vacina B19 e o botton azul passa a identificar as fêmeas vacinadas com a vacina RB 51. Anteriormente, a identificação era feita com marcação a fogo indicando o algarismo do ano corrente ou a marca em “V”, a depender da vacina utilizada. 

Para o caso de perda, dano ou qualquer alteração que prejudique a identificação, deverá ser solicitada nova aplicação que deverá ser feita ao médico-veterinário responsável pela aplicação ou ainda, para a Defesa Agropecuária. 

Havendo a impossibilidade da aquisição do botton, o animal deverá ser identificado conforme as normativas vigentes do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). 

A Defesa Agropecuária informa ainda que o uso do botton só é válido dentro do Estado de São Paulo, não sendo permitido o trânsito de animais identificados de forma alternativa para demais estados da federação.

 

Felipe Nunes


Costa Rica: a aposta certa de destino turístico em 2026

Baha Ocotal, Costa Rica. 
 Crédito: Visit Costa Rica

 

No coração da América Central, entre o Mar do Caribe e o Oceano Pacífico, a Costa Rica se consolidou nas últimas décadas como um dos destinos de destaque entre os viajantes. À medida que 2026 se aproxima, o local surge como uma das melhores escolhas de viagem internacional para quem busca experiências completas — natureza exuberante, ecoturismo marcante, praias variadas e cultura local vibrante. O Instituto Costarriquenho de Turismo (ICT) divulgou que, entre janeiro e novembro de 2025, o país registrou um aumento de 25,1% no número de turistas brasileiros, em comparação com o mesmo período de 2024, reforçando que o destino começa a ganhar ainda mais atenção do público do Brasil. 

Os números mais amplos da recepção internacional também mostram que a Costa Rica consolidou sua presença no mapa turístico global: em 2024 o país recebeu cerca de 2,66 milhões de turistas internacionais por via aérea, um aumento de 7,7% em relação a 2023, segundo dados oficiais do ICT — um sinal de que a atratividade do destino segue em ascensão. 

Esse crescimento está ligado, em grande parte, à diversidade de experiências que o país oferece. De florestas nubladas como a Reserva de Monteverde a praias do Pacífico ideais para surf e relax, passando por trilhas em parques como Manuel Antonio e fontes termais ao pé do vulcão Arenal, a Costa Rica combina aventura, descanso e natureza em um mesmo roteiro. A gastronomia local — com pratos como o Gallo Pinto e uma profusão de frutas tropicais — também dialoga com essa vivência integrada do lugar. 

No Brasil, especialistas do trade turístico veem na Costa Rica um destino com potencial ainda maior para 2026. Para Júnior Lins, Diretor‑Executivo do Clube Bancorbrás, essa projeção vem não só dos números, mas também da evolução do perfil de viajante: apesar de o número de turistas brasileiros que viajam ao exterior crescer para múltiplos destinos, Lins destaca que o interesse por experiências que combinam natureza, cultura e atividades ao ar livre tem se intensificado entre os clientes. 

Essa mudança de foco — de férias apenas de descanso para viagens que oferecem conexão com o ambiente e a cultura local — coloca a Costa Rica como uma das propostas mais interessantes para o próximo ano. “O destino atende tanto quem quer relaxar em praias paradisíacas quanto quem busca trilhas, ecoturismo, observação de fauna e flora ou simplesmente vivenciar um estilo de vida em sintonia com a natureza”, descreve Lins. 

Para quem planeja viagens internacionais para 2026, com o Clube Bancorbrás o associado pode utilizar as suas diárias em hotéis conveniados no Brasil e no exterior de forma flexível podendo acessar benefícios como descontos em passagens e assistência de viagem, facilitando o planejamento e a estadia.


Jovens miram 2026: 10 dicas para ingressar no mercado de trabalho

FreePik
Qualificação profissional, domínio de IA e preparação antecipada ganham força na disputa por oportunidades no próximo ano

 

A chegada de 2026 promete um mercado de trabalho ainda mais competitivo e dinâmico, especialmente para jovens em busca do primeiro emprego. Para apoiar esse público, Leonardo Andreoli, diretor nacional da Prepara IA, reuniu 10 dicas práticas para quem quer começar o ano preparado, combinando qualificação profissional, desenvolvimento de habilidades comportamentais e conhecimentos em Inteligência Artificial, área que já influencia praticamente todos os setores da economia. 

A participação da geração Z no mercado de trabalho deve crescer rapidamente e chegar a 58% da força laboral global até 2030, de acordo com dados do Fórum Econômico Mundial. O avanço desse grupo muda o foco das empresas e intensifica a competição por talentos em um cenário cada vez mais digital e influenciado por transformações culturais. Esse movimento tem orientado políticas de atração e retenção, além de ampliar a necessidade de compreender em profundidade quais são as expectativas e motivações desses profissionais. 

Entre os fatores que moldam a relação dos jovens com suas carreiras, destaca-se a busca por evolução constante. Hoje, 86% deles afirmam que suas escolhas profissionais estão diretamente ligadas às chances de crescimento e aprendizado dentro das organizações. Programas de capacitação contínua, acesso a mentorias e caminhos de desenvolvimento bem definidos são elementos considerados essenciais por essa geração.

 

1. Monte um currículo claro e atualizado

Organize suas informações, priorizando competências, cursos e experiências. Para quem não tem vivência profissional, incluir atividades escolares, voluntariado e projetos pessoais faz diferença.

 

2. Entenda os fundamentos da Inteligência Artificial

Mesmo quem não deseja seguir carreira em tecnologia precisa conhecer conceitos básicos de IA. Compreender como essas ferramentas funcionam e como podem apoiar o trabalho aumenta a produtividade e melhora a capacidade de resolver problemas.

 

3. Aprenda a usar ferramentas de IA no dia a dia

Além da teoria, dominar aplicativos e plataformas de IA que auxiliam em organização, escrita, cálculos e pesquisa já é um requisito valorizado por empresas que aceleraram a digitalização.

 

4. Invista em cursos profissionalizantes

A formação técnica segue como um diferencial importante para quem busca o primeiro emprego. Além de desenvolver habilidades práticas, cursos profissionalizantes apresentam rotinas reais do mercado e demonstram iniciativa aos recrutadores.

 

5. Construa um portfólio, mesmo sem experiência

Participar de cursos, desafios online, trabalhos voluntários ou criar pequenos projetos pessoais ajuda a demonstrar habilidades e reúne evidências práticas de aprendizado.

 

6. Estabeleça metas de estudo para 2026

Planejar o ano com antecedência auxilia na disciplina e no foco. Nós, da Prepara IA, recomendamos organizar um cronograma mensal com cursos, leituras e objetivos profissionais.

 

7. Desenvolva competências socioemocionais

Habilidades como comunicação, trabalho em equipe, organização e resiliência continuam entre as mais buscadas pelas empresas. Cursos, atividades extracurriculares e projetos colaborativos contribuem para amadurecer essas competências.

 

8. Participe de eventos, workshops e feiras de carreira

Esses ambientes oferecem contato direto com empresas, ajudam a entender tendências e ampliam a rede de contatos, um elemento essencial para quem está começando e busca ingressar no mercado de trabalho.

 

9. Pesquise sobre os setores que mais contratam

O mercado passa por mudanças rápidas. Conhecer áreas aquecidas, como tecnologia, logística, varejo e serviços, ajuda a direcionar sua qualificação e suas candidaturas.

 

10. Use plataformas de empregabilidade para começar a aplicar

Sites e aplicativos de vagas facilitam o acesso às oportunidades. Criar perfis completos e enviar candidaturas regularmente contribui para treinar o olhar do candidato e aumentar as chances de contratação. 

“Combinando qualificação, domínio de novas tecnologias e preparação antecipada, os jovens podem iniciar 2026 mais competitivos e bem-posicionados para aproveitar as oportunidades em um mercado em constante transformação”, finaliza Leonardo Andreoli.

 

Prepara IA

       

Sisu 2026 concentra instituições públicas bem avaliada

Três em cada quatro instituições participantes do Sisu têm Índice Geral de Cursos, medido pelo MEC, com conceito muito bom ou excelente. Em ranking britânico, maioria aparece entre as melhores da América Latina

  

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 reúne 136 instituições públicas de educação superior, o que faz da edição a maior em número de entidades participantes desde a criação do sistema, em 2010. Indicadores oficiais do Ministério da Educação (MEC), combinados com dados de avaliações internacionais, mostram que essas instituições possuem, em sua maioria, os níveis mais altos de qualidade acadêmica. 

A análise considera o Índice Geral de Cursos (IGC), indicador do MEC que avalia as instituições de educação superior a partir de informações sobre a qualidade da graduação e da pós-graduação. Na escala do IGC, o conceito 3 indica desempenho satisfatório; o conceito 4 equivale ao desempenho acima da média nacional; e o conceito 5 corresponde ao nível máximo de qualidade institucional.

Entre as instituições participantes do Sisu 2026 com IGC atribuído no ciclo avaliativo mais recente, 76,4% (104 instituições) obtiveram conceitos 4 ou 5. No grupo com melhor desempenho institucional, 25 instituições alcançaram o conceito máximo (IGC 5), enquanto 79 obtiveram IGC 4, reforçando a presença expressiva de instituições com avaliação acima da média nacional.


Ranking internacional – Além da avaliação nacional, a maioria das instituições participantes do Sisu 2026 também figura em classificações internacionais. Do total de 136 universidades e institutos federais, 71 (52,2%) foram classificadas como as melhores instituições de educação superior da América Latina e do Caribe, segundo o QS World University Rankings: Latin America & The Caribbean 2026.

Entre as cem primeiras posições do ranking estão as universidade federais do Rio de Janeiro (UFRJ); de Minas Gerais (UFMG); do Rio Grande do Sul (UFRGS); de Santa Catarina (UFSC); de São Paulo (Unifesp); de São Carlos (UFSCar); do Paraná (UFPR); de Pernambuco (UFPE); Fluminense (UFF); da Bahia (UFBA); do Ceará (UFC); de Santa Maria (UFSM); de Viçosa (UFV); do Rio Grande do Norte (UFRN); de Pelotas (UFPel); e da Paraíba (UFPB); além da Universidade de Brasília (UnB), que retornou ao Sisu em 2026, e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que passou a integrar o sistema nesta edição.

Elaborado pela consultoria britânica Quacquarelli Symonds (QS), o ranking avalia instituições de educação superior da região a partir de indicadores como reputação acadêmica, reputação junto a empregadores, professores com doutorado, proporção de professores/estudantes, produção científica e impacto digital.

Estudos bibliométricos baseados em bases internacionais de indexação também demonstram a importância dessas instituições na produção de conhecimento nacional. Mais de 95% da produção científica brasileira é realizada por universidades públicas, responsáveis pela maior parte da pesquisa e da formação de pesquisadores no Brasil.


Diversidade institucional – O Sisu 2026 reúne instituições públicas com diferentes perfis e missões acadêmicas, incluindo universidades e institutos federais, universidades estaduais, municipais, entre outras. Mesmo com diversidade, os dados de avaliação institucional indicam um padrão consolidado de desempenho e reconhecimento nacional e internacional.

Inscrição – A inscrição é gratuita, e o candidato poderá realizá-la no período de 19 a 23 de janeiro de 2026, exclusivamente pela internet, por meio do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. É possível se inscrever em até duas opções de curso.

Assim como em 2025, esta edição do Sisu terá somente uma etapa de inscrição para as vagas ofertadas pelas instituições participantes. Dessa forma, os inscritos concorrerão, em um único processo seletivo, às vagas disponibilizadas para todo o ano letivo. O resultado da única chamada regular será divulgado no dia 29 de janeiro de 2026. Todos os estudantes selecionados dentro das vagas disponíveis, tanto na chamada regular quanto por meio da lista de espera, deverão realizar a matrícula no período indicado no edital da instituição.


Sisu – O Sistema de Seleção Unificada foi instituído pela Portaria Normativa nº 2, de 26 de janeiro de 2010, e atualmente está regulamentado pela Portaria Normativa nº 21, de 5 de novembro de 2012. O Sisu reúne as vagas ofertadas por instituições públicas de educação superior do Brasil que aderiram ao processo seletivo vigente, tendo como critério o resultado do Exame Nacional do Ensino Medio (Enem). A maioria das instituições participantes é da rede federal de ensino, com destaque para universidades e institutos federais.

 

Expatriados de retorno: o “choque cultural reverso” de quem volta para cas

Choque cultural reverso afeta expatriados que retornam ao
país de origem após experiências internacionais
 envato

Voltar ao país de origem pode ser mais desafiador do que sair: especialista explica os impactos emocionais e profissionais da repatriação

 

Diferente do que muitos imaginam, voltar ao país de origem após anos vivendo no exterior nem sempre é sinônimo de conforto ou recomeço fácil. Pelo contrário: muitos expatriados relatam que o retorno pode ser emocionalmente mais desafiador do que a própria mudança para fora. Esse fenômeno é conhecido como choque cultural reverso, uma experiência silenciosa, pouco falada, mas cada vez mais comum em um mundo com carreiras globais. 

Diferente do choque cultural vivido ao chegar a um novo país, o impacto do retorno está ligado à expectativa de familiaridade. O expatriado acredita que “tudo será como antes”, mas encontra um cenário diferente: o país mudou, o mercado de trabalho evoluiu, as relações sociais se transformaram e, principalmente, ele próprio não é mais o mesmo. 

Segundo Luciane Rabello, psicóloga e CEO da TalentSphere People Solutions, o sofrimento no retorno costuma ser subestimado. “Existe uma pressão implícita para que a pessoa se adapte rapidamente, afinal, ela está ‘voltando para casa’. Isso faz com que muitos repatriados silenciem sentimentos de frustração, estranhamento e até luto pela vida que deixaram para trás”, explica. 

No campo profissional, os desafios também se intensificam. Muitos repatriados enfrentam dificuldades para se recolocar, lidar com culturas corporativas mais hierárquicas, processos menos flexíveis ou expectativas desalinhadas em relação à experiência internacional. “Há casos em que o profissional retorna com um currículo mais robusto, mas encontra resistência do mercado em absorver esse repertório global”, destaca Luciane. 

Além da carreira, o choque cultural reverso afeta identidade, pertencimento e relações pessoais. Amigos seguiram outros caminhos, a dinâmica familiar mudou e referências que antes eram naturais passam a causar estranhamento. “É comum ouvir relatos de pessoas que se sentem estrangeiras no próprio país. Esse sentimento gera ansiedade, isolamento e, em alguns casos, queda de autoestima”, afirma a especialista. 

Diante desse cenário, o processo de repatriação exige planejamento emocional e estratégico — não apenas logístico. A TalentSphere atua justamente nesse ponto, oferecendo suporte especializado para profissionais em retorno, com foco em reintegração cultural, orientação de carreira e acolhimento emocional. “Repatriar não é retroceder. É uma transição que precisa ser conduzida com consciência, escuta e estratégia para que o profissional consiga transformar a experiência internacional em valor real para sua nova fase”, reforça Luciane. 

Em um contexto de mobilidade global crescente, falar sobre o choque cultural reverso é também reconhecer que o retorno faz parte da jornada internacional. Com o suporte adequado, ele pode deixar de ser um processo solitário e se tornar um recomeço mais saudável, produtivo e alinhado às novas expectativas de vida e carreira.



TalentSphere – Impulsionando Talentos e Negócios para além das fronteiras


Verão abre temporada de empregos em cidades litorânea

Pexels.com
Professora do IBMR e especialista em RH aponta quais são as áreas que oferecem mais vagas

 

O verão segue até 20 de março de 2026 e, com ele, abre-se uma janela gigante para as oportunidades de empregos temporários em cidades litorâneas. Além de movimentar a economia local, as férias de verão funcionam como um grande laboratório profissional, no qual desempenho, comprometimento e jogo de cintura podem render convites para efetivação ou novas temporadas. 

Mas, onde achar e como aproveitar estas oportunidades? A professora do Centro Universitário IBMR, psicopedagoga empresarial e especialista em Direção e Gestão de Recursos Humanos, Renata Marques da Fonseca, explica como tudo funciona. O IBMR é integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima. 

“Vale muito a pena aproveitar esse período para buscar oportunidades de trabalho temporário. O período é muito bom também para quem está procurando experiência, renda extra ou uma porta de entrada para o mercado de trabalho. As vagas podem ser sazonais, mas podem se tornar fixas. Elas costumam surgir de maneira intensa, por necessidades mercadológicas naturais”, expõe a professora do IBMR, que integra o maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima.


Litoral fervendo

Até novembro de 2025, o Brasil recebeu 8 milhões de visitantes internacionais, segundo publicações recentes no site gov.com. br. Deste total, 1,9 milhão escolheram o Rio de Janeiro como destino, confirmando a cidade litorânea como uma das principais portas de entrada do país. Recentemente, o RJ recebeu oficialmente o título de maior réveillon do mundo pelo Guinness Book. 

O turismo dos brasileiros dentro das próprias fronteiras não ficou para trás: 83,2 milhões de passageiros circularam em voos domésticos nos primeiros dez meses, consolidando o Brasil como o quarto maior mercado doméstico de aviação do mundo. Levantamento realizado pelo Ministério do Turismo (MTur), em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, mapeou as preferências dentro do país: Fernando de Noronha (PE), Porto de Galinhas (PE) e Lençóis Maranhenses (MA) - todos destinos litorâneos. 

A professora Renata Marques explica quatro dicas para quem quer aproveitar a boa “onda” de empregabilidade pela costa brasileira:

 

1 - Áreas onde mais abrem vagas temporárias 

Hospitalidade e turismo: hotéis, pousadas, hostels e resorts contratam recepcionistas, camareiros, serviços gerais e atendentes; guias turísticos, agentes de viagem e apoio em atrações locais. Inglês é um diferencial importante. 

Alimentação (bares e restaurantes): vagas para garçons e garçonetes, auxiliares de cozinha, pizzaiolos, atendentes de quiosques e food trucks são várias. “Eventos e festas de verão também precisam de equipes extras”, lembra a docente. 

Comércio e varejo: operadores de caixa, vendedores, repositores e estoquistas em lojas de praia, lojas de souvenirs, mercados e supermercados. 

Serviços gerais e limpeza: auxiliares de limpeza em estabelecimentos, praias privadas, parques temáticos, campings e postos de atendimento ao turista. 

Lazer, entretenimento e atividades turísticas: nestes, há vagas para eventos, casas noturnas, passeios de barco, esportes náuticos, bilheteria e monitores de atividades. De acordo com a professora, a temporada de cruzeiros pelo Brasil também costuma impulsionar contratações no varejo das cidades portuárias.

 

2 - Soft skills pedidas para quem tem Ensino Fundamental ou Médio

“As empresas valorizam muito as competências comportamentais e atitudinais”, informa a especialista. Os recrutadores buscam pessoas que trabalhem bem no calor da alta temporada, quando o fluxo de clientes é grande e o ritmo é acelerado. Organização e pontualidade são imprescindíveis”, alerta Renata, que também lista as chamadas “soft skills” (habilidades comportamentais e interpessoais) mais valorizadas para estas oportunidades: 

Atitude e postura profissional: ser educado, simpático e tratar todos com respeito. Ter postura responsável e madura. Ter uma apresentação pessoal adequada (uniforme limpo, boa higiene, discrição). Transmitir confiança e interesse real pela vaga. 

Disponibilidade de horário (incluindo fins de semana e feriados): topar trabalhar aos fins de semana; estender horário em momentos de pico; revezamento noturno em bares, restaurantes ou hotéis. Ou seja, é preciso compreender a lógica de que você está trabalhando para que outras pessoas tenham um momento de lazer. 

Boa comunicação e atendimento ao público: falar de forma clara e objetiva; ser cordial, sorrir e manter calma mesmo com clientes difíceis; pedir ajuda quando não souber algo, sem tentar “adivinhar”. 

Proatividade: que é essencial em qualquer trabalho. 

Resistência ao ritmo intenso: agilidade para executar tarefas; capacidade de ficar em pé por várias horas; manter bom humor mesmo no calor e com o ambiente cheio. Afinal, você está trabalhando em uma época do ano que aproveita as características da estação. 

Trabalho em equipe: seguir orientações e entrosar-se rápido; evitar conflitos; ajudar colegas em momentos de pico. 

Inglês: para várias situações não é obrigatório, mas é um diferencial.

 

3 - E há vagas para quem tem Ensino Superior também, conheça as áreas: 

Hotelaria e turismo - Supervisão e Gestão: supervisão de hospedagem; coordenação de A&B (alimentos e bebidas); gestão de eventos internos; gerência de recepção ou plantão; analista de reservas (“revenue”). 

Gestão de turismo e operação turística: operação de passeios turísticos (barcos, trilhas, mergulho, city tours); coordenação de recepção de turistas; supervisão de agências receptivas; gestão logística de excursões e cruzeiros; coordenação de equipes de monitores e guias. 

Saúde (enfermagem e socorristas): enfermeiros e técnicos de enfermagem em eventos grandes; postos de saúde de apoio em praias. “Principalmente durante o Réveillon, Carnaval antecipado e grandes shows no litoral, atendimento pré-hospitalar em estruturas temporárias montadas por organizadores de eventos e prefeituras. Tudo isso demanda mão de obra extra”, avalia. 

Educador físico: para esta categoria, há algumas oportunidades típicas, como instrutor de esportes de praia (futevôlei, funcional, vôlei, surf, stand-up paddle), coordenador de recreação em hotéis, resorts e clubes; personal trainer para turistas em academias de hotéis; monitor esportivo em projetos de verão financiados por prefeituras ou, ainda, em cruzeiros e clubes; instrutor de atividades físicas em colônias de férias. 

Eventos (coordenação e supervisão): para festivais esportivos, gastronômicos e culturais; eventos corporativos de fim de ano em hotéis. Para estas oportunidades, a especialista aponta que as vagas mais cotadas são: coordenador de eventos, analista de produção, supervisor de equipe, coordenador de logística ou áreas como Comunicação, Administração, Relações Públicas e, claro, Turismo.

4 - Encontre as vagas online e em grupos 

Várias oportunidades são publicadas em sites como SINE, SMTE, Trabalha Brasil e demais portais sobre emprego com foco regional. “Ou seja, sites que divulguem vagas para o Rio de Janeiro e Grande Rio ou demais cidades litorâneas do Brasil, se for o caso, além das redes sociais, LinkedIn, por exemplo, grupos de vagas no WhatsApp e plataformas gerais de emprego”, aponta a especialista.




O boom do litoral paulista e o gargalo nas estradas impulsionam ponte-aérea São Paulo-praias

O crescimento do turismo promete bater recordes em São Paulo durante o período de Réveillon 2026, assim como níveis extremos de congestionamento no retorno à capital. Apenas na tarde desta sexta-feira (2), um dia após o Ano Novo, motoristas enfrentaram mais de 40 km de lentidão somada nas rodovias que ligam a Baixada Santista a São Paulo, com congestionamentos simultâneos em todas as vias do Sistema Anchieta-Imigrantes, além da Cônego Domênico Rangoni e da Padre Manoel da Nóbrega, em razão do alto fluxo de veículos.

Diante desse cenário, rotas aéreas de curta distância surgem como alternativa para evitar a imprevisibilidade dos congestionamentos nas estradas. Entre os dias 30 de dezembro de 2025 e 5 de janeiro, entre 329 mil e 506 mil veículos devem utilizar apenas as rodovias de acesso ao litoral paulista, reforçando a sobrecarga do sistema viário em um intervalo curto de tempo.

Atenta a esse cenário e aos desafios enfrentados por muitos clientes, a Revo, referência em mobilidade aérea de alto padrão, iniciou sua operação para este verão apostando na previsibilidade. “A alta temporada em São Paulo traz um paradoxo: as pessoas investiram em casas incríveis no litoral, mas não conseguem chegar nelas. O nosso modelo foi desenhado para devolver a previsibilidade a essa rotina. Não vendemos apenas o voo, vendemos a certeza de que o trajeto vai durar alguns minutos, e não horas intermináveis”, afirma Patricia Dib, CMO da Revo.

A operação da Revo conecta São Paulo a destinos como Guarujá e Riviera em menos de 20 minutos, praias do litoral norte em cerca de 30 minutos, além de Ilhabela, Ubatuba, Paraty e Angra dos Reis, com tempos de voo que variam de aproximadamente 35 minutos a 1 hora. Os voos são realizados com helicópteros bimotores, sempre com dois pilotos, priorizando os mais altos padrões de segurança.

Temos porta-vozes disponíveis para abordar este cenário sob as seguintes óticas:

Comportamento: a mudança do perfil do viajante, do turista eventual para o morador híbrido da “segunda” ou “terceira casa”.

Infraestrutura: como a mobilidade aérea de curta distância surge como alternativa pontual em períodos de sobrecarga das rodovias.

Negócios: o modelo de aviação executiva para atender um público que valoriza previsibilidade e gestão do tempo.

Mercado imobiliário: o crescimento das segundas e terceiras casas no litoral e seu impacto direto nos padrões de deslocamento entre São Paulo e as praias.

Futuro: como a operação atual ajuda a preparar rotas, comportamento e demanda para a chegada dos eVTOLs nos próximos anos.

 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Acne em pele madura: conheça as tendências para cuidar da pele após os 40 anos

Condição inflamatória afeta mulheres adultas, exige diagnóstico preciso e ganha novos aliados em protocolos estéticos avançados, sempre com acompanhamento dermatológico

 

A acne não é um problema restrito à adolescência. Cada vez mais comum após os 40 anos, especialmente entre mulheres, a chamada acne em pele madura está associada a uma combinação de fatores hormonais, inflamatórios e ambientais. Alterações ligadas ao ciclo menstrual, menopausa ou síndrome dos ovários policísticos (SOP), estresse crônico, predisposição genética, uso de cosméticos inadequados, poluição, tabagismo, dieta inflamatória e até efeitos colaterais de medicamentos estão entre as principais causas do quadro.

Diferente da acne juvenil, a acne da mulher adulta tende a se concentrar no terço inferior do rosto, como mandíbula, queixo e pescoço, e costuma ser mais inflamatória, dolorosa e com maior risco de manchas e cicatrizes. Por isso, o tratamento exige uma abordagem individualizada e, sobretudo, multidisciplinar.

“O primeiro passo deve ser sempre a consulta com um dermatologista, para investigar as causas do problema. Como esteticistas, não podemos solicitar exames de sangue ou avaliar possíveis desequilíbrios hormonais, que muitas vezes estão por trás da acne em pele madura”, explica Isabela Bandeira, profissional em estética avançada, especializada em tratamentos faciais e corporais não cirúrgicos, com formação no Reino Unido e atuação focada em protocolos cientificamente embasados.

Após o diagnóstico médico e o controle das causas sistêmicas, o tratamento estético passa a ter papel fundamental no controle da acne e na melhora global da qualidade da pele. Entre as principais técnicas utilizadas atualmente, três se destacam: 

  1. Acne Peel (peelings químicos específicos para acne adulta)
    Utiliza ácidos cuidadosamente selecionados, como salicílico e retinoides, para controlar a oleosidade, reduzir a inflamação, acelerar a renovação celular e minimizar manchas residuais. “O peeling para acne adulta precisa ser bem indicado, respeitando a sensibilidade da pele madura, que já apresenta sinais de envelhecimento”, ressalta Isabela 
  1. Tratamento a laser para acne ativa (Clear Skin Laser)
    A tecnologia atua reduzindo a inflamação e a atividade das glândulas sebáceas, além de auxiliar no controle da proliferação bacteriana. É especialmente indicada para casos persistentes ou inflamatórios. “O laser ajuda a controlar a acne ativa sem agredir excessivamente a pele, o que é essencial após os 40 anos”, explica a especialista. 
  1. Fototerapia com LED Light
    O LED azul e vermelho é usado como terapia complementar para reduzir a carga bacteriana, modular a inflamação e acelerar a recuperação da pele. Quando associado a outros protocolos, potencializa os resultados e contribui para uma pele mais equilibrada.

“Como esteticistas, pelo menos aqui no Reino Unido, os protocolos dependem muito do tipo e do grau da acne que o paciente apresenta. Normalmente combinamos limpeza de pele, peelings específicos, tecnologias a laser e LED, sempre respeitando a individualidade de cada caso”, afirma Isabela Bandeira.

Por se tratar de uma condição inflamatória crônica, a acne adulta não tem cura definitiva, mas pode ser controlada. “Os resultados variam conforme a complexidade do quadro e também de fatores externos, como alimentação, estresse e rotina de skincare. É comum que o paciente passe por uma fase inicial de purging, quando a pele parece piorar antes de melhorar. Com um protocolo adequado e bom home care, os resultados costumam começar a aparecer a partir do terceiro mês”, destaca.

Em alguns casos, o tratamento pode incluir medicamentos sistêmicos, como antibióticos, isotretinoína ou terapias antiandrogênicas, sempre sob prescrição dermatológica. “Essas abordagens medicamentosas só podem ser conduzidas pelo dermatologista. A estética entra como suporte essencial no controle tópico e na recuperação da saúde da pele”, reforça..

“O sucesso do tratamento está na integração entre especialidades. Dermatologia para diagnosticar e tratar as causas, e estética avançada para atuar localmente, reduzindo inflamação, controlando oleosidade e melhorando textura e viço da pele com segurança”, conclui.

Com diagnóstico correto, acompanhamento profissional e protocolos personalizados, é possível controlar a acne em peles maduras e recuperar não apenas a saúde da pele, mas também a autoestima após os 40 anos.


Isabela Bandeira - Profissional em estética avançada, especializada em tratamentos faciais e corporais não cirúrgicos, Isabela Bandeira acumula experiência internacional e formação sólida em instituições de excelência no Reino Unido. Com atuação focada em resultados naturais, seguros e cientificamente embasados, tornou-se referência em rejuvenescimento facial e saúde da pele por meio de protocolos avançados e abordagens de alta performance.

 

Brozeamento lento propõe exposição solar consciente e desafia hábitos do verão no Brasil

 Freepick
Conhecida como “Slow Sun”, a prática propõe uma relação mais consciente com o sol e levanta reflexões sobre os excessos do verão brasileiro

 

Às vésperas do verão brasileiro, que começa oficialmente em 21 de dezembro, a forma como o país se relaciona com o sol volta ao centro das atenções. Enquanto por aqui a estação costuma ser vivida como uma corrida pelo bronzeado rápido, com longas exposições concentradas nos horários mais agressivos, uma prática que tem circulado com força em países do sul da Europa propõe justamente o oposto: desacelerar. 

Apelidada de Slow Sun, a ideia defende uma exposição solar gradual, planejada e consciente, em contraste com a lógica de horas seguidas sob o sol intenso, comum em praias e piscinas brasileiras. O conceito ganhou espaço de forma orgânica em regiões mediterrâneas como Itália, Espanha e sul da França, onde a relação com a luz costuma incluir pausas, horários definidos e valorização da sombra. Após meses de inverno, o sol é reapresentado ao corpo aos poucos, não como atalho estético, mas como parte de um estilo de vida. 

No Brasil, o cenário é distinto. O sol está presente durante grande parte do ano e a radiação é intensa, mas ainda persiste a ideia de que queimar a pele faz parte do processo do bronzeado. Exposição prolongada no pico do meio-dia, uso de óleos bronzeadores e pouca atenção à reaplicação de proteção solar seguem integrados ao imaginário do verão, apesar dos riscos amplamente conhecidos. 

Para a dermatologista Dra. Denise Ozores (CRM-SP 101677 | RQE 7349), especialista em beleza natural e estímulo de colágeno, o Slow Sun não deve ser reproduzido de forma literal no Brasil, mas pode inspirar uma mudança de lógica. “O Slow Sun não fala em abandonar o sol, mas em mudar a forma como nos expomos. É uma experiência qualitativa, não imediatista. A luz pode ser benéfica quando usada com intenção e planejamento”, afirma. 

Segundo a médica, no contexto brasileiro, a adaptação passa principalmente por horário, duração e frequência. “Aqui ainda existe a ideia de que quanto mais tempo ao sol, melhor. Mas os danos solares são cumulativos e silenciosos. Eles aparecem anos depois, em forma de manchas, flacidez e envelhecimento precoce”, explica. 

Na prática, aplicar essa lógica no Brasil significa rever hábitos comuns. Priorizar exposição antes das 10h e após as 16h, fazer pausas à sombra, reaplicar proteção solar e abandonar a ideia de maratona de sol são mudanças simples que reduzem a agressão à pele sem eliminar o prazer do verão. “Não é sobre não se bronzear, é sobre não transformar o sol em agressão diária. O objetivo é conviver com a luz de forma mais consciente”, diz Denise. 

Mais do que uma tendência estética, o Slow Sun propõe uma mudança cultural. O sol segue como protagonista da estação mais celebrada do ano, mas vivido com escolhas mais maduras, que respeitam os limites do corpo e pensam no futuro da pele. Ao trocar a urgência do bronzeado imediato por uma exposição gradual, a prática aponta para um verão que equilibra prazer, saúde e longevidade da pele.


Posts mais acessados