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| Choque cultural reverso afeta expatriados que retornam ao país de origem após experiências internacionais envato |
Voltar ao país de origem pode ser mais desafiador do que sair: especialista explica os impactos emocionais e profissionais da repatriação
Diferente do que muitos imaginam, voltar ao país de origem após anos vivendo no exterior nem sempre é sinônimo de conforto ou recomeço fácil. Pelo contrário: muitos expatriados relatam que o retorno pode ser emocionalmente mais desafiador do que a própria mudança para fora. Esse fenômeno é conhecido como choque cultural reverso, uma experiência silenciosa, pouco falada, mas cada vez mais comum em um mundo com carreiras globais.
Diferente do choque cultural vivido ao chegar a um novo país, o
impacto do retorno está ligado à expectativa de familiaridade. O expatriado
acredita que “tudo será como antes”, mas encontra um cenário diferente: o país
mudou, o mercado de trabalho evoluiu, as relações sociais se transformaram e,
principalmente, ele próprio não é mais o mesmo.
Segundo Luciane Rabello, psicóloga e CEO da TalentSphere People Solutions, o sofrimento no retorno costuma ser subestimado. “Existe uma pressão implícita para que a pessoa se adapte rapidamente, afinal, ela está ‘voltando para casa’. Isso faz com que muitos repatriados silenciem sentimentos de frustração, estranhamento e até luto pela vida que deixaram para trás”, explica.
No campo profissional, os desafios também se intensificam. Muitos
repatriados enfrentam dificuldades para se recolocar, lidar com culturas
corporativas mais hierárquicas, processos menos flexíveis ou expectativas
desalinhadas em relação à experiência internacional. “Há casos em que o
profissional retorna com um currículo mais robusto, mas encontra resistência do
mercado em absorver esse repertório global”, destaca Luciane.
Além da carreira, o choque cultural reverso afeta identidade,
pertencimento e relações pessoais. Amigos seguiram outros caminhos, a dinâmica
familiar mudou e referências que antes eram naturais passam a causar
estranhamento. “É comum ouvir relatos de pessoas que se sentem estrangeiras no
próprio país. Esse sentimento gera ansiedade, isolamento e, em alguns casos,
queda de autoestima”, afirma a especialista.
Diante desse cenário, o processo de repatriação exige planejamento emocional e estratégico — não apenas logístico. A TalentSphere atua justamente nesse ponto, oferecendo suporte especializado para profissionais em retorno, com foco em reintegração cultural, orientação de carreira e acolhimento emocional. “Repatriar não é retroceder. É uma transição que precisa ser conduzida com consciência, escuta e estratégia para que o profissional consiga transformar a experiência internacional em valor real para sua nova fase”, reforça Luciane.
Em um contexto de mobilidade global crescente, falar sobre o choque cultural reverso é também reconhecer que o retorno faz parte da jornada internacional. Com o suporte adequado, ele pode deixar de ser um processo solitário e se tornar um recomeço mais saudável, produtivo e alinhado às novas expectativas de vida e carreira.
TalentSphere – Impulsionando Talentos e Negócios para além das fronteiras

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