Conhecida como “Slow Sun”, a prática
propõe uma relação mais consciente com o sol e levanta reflexões sobre os
excessos do verão brasileiro
Freepick
Às vésperas do verão brasileiro, que começa oficialmente em 21 de dezembro, a forma como o país se relaciona com o sol volta ao centro das atenções. Enquanto por aqui a estação costuma ser vivida como uma corrida pelo bronzeado rápido, com longas exposições concentradas nos horários mais agressivos, uma prática que tem circulado com força em países do sul da Europa propõe justamente o oposto: desacelerar.
Apelidada de Slow Sun, a ideia defende uma exposição solar gradual, planejada e consciente, em contraste com a lógica de horas seguidas sob o sol intenso, comum em praias e piscinas brasileiras. O conceito ganhou espaço de forma orgânica em regiões mediterrâneas como Itália, Espanha e sul da França, onde a relação com a luz costuma incluir pausas, horários definidos e valorização da sombra. Após meses de inverno, o sol é reapresentado ao corpo aos poucos, não como atalho estético, mas como parte de um estilo de vida.
No Brasil, o cenário é distinto. O sol está presente durante grande parte do ano e a radiação é intensa, mas ainda persiste a ideia de que queimar a pele faz parte do processo do bronzeado. Exposição prolongada no pico do meio-dia, uso de óleos bronzeadores e pouca atenção à reaplicação de proteção solar seguem integrados ao imaginário do verão, apesar dos riscos amplamente conhecidos.
Para a dermatologista Dra. Denise Ozores (CRM-SP 101677 | RQE 7349), especialista em beleza natural e estímulo de colágeno, o Slow Sun não deve ser reproduzido de forma literal no Brasil, mas pode inspirar uma mudança de lógica. “O Slow Sun não fala em abandonar o sol, mas em mudar a forma como nos expomos. É uma experiência qualitativa, não imediatista. A luz pode ser benéfica quando usada com intenção e planejamento”, afirma.
Segundo a médica, no contexto brasileiro, a adaptação passa principalmente por horário, duração e frequência. “Aqui ainda existe a ideia de que quanto mais tempo ao sol, melhor. Mas os danos solares são cumulativos e silenciosos. Eles aparecem anos depois, em forma de manchas, flacidez e envelhecimento precoce”, explica.
Na prática, aplicar essa lógica no Brasil significa rever hábitos comuns. Priorizar exposição antes das 10h e após as 16h, fazer pausas à sombra, reaplicar proteção solar e abandonar a ideia de maratona de sol são mudanças simples que reduzem a agressão à pele sem eliminar o prazer do verão. “Não é sobre não se bronzear, é sobre não transformar o sol em agressão diária. O objetivo é conviver com a luz de forma mais consciente”, diz Denise.
Mais do que uma tendência estética, o Slow Sun propõe uma mudança
cultural. O sol segue como protagonista da estação mais celebrada do ano, mas
vivido com escolhas mais maduras, que respeitam os limites do corpo e pensam no
futuro da pele. Ao trocar a urgência do bronzeado imediato por uma exposição
gradual, a prática aponta para um verão que equilibra prazer, saúde e
longevidade da pele.
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