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sexta-feira, 16 de março de 2018

Informação sobre saúde sexual está em alta, mas visitas ao ginecologista são tardias entre jovens brasileiras, aponta pesquisa da UNIFESP



·         Mesmo sendo considerada um tabu, a sexualidade tem sido mais debatida, principalmente dentro de casa

·         A relação com o ginecologista ainda não está consolidada e a busca pelo especialista acontece de maneira tardia

·         Apesar do alto grau de informação sobre DST´s e gravidez não planejada, o Brasil ainda apresenta índices de gestações juvenis acima da média latino americana


Em relação à saúde, temas como a educação sexual e os cuidados com a saúde íntima também merecem atenção, mas são negligenciadas, especialmente entre mulheres mais jovens. Prova disso é o alto índice de gestação juvenil não planejada no País, maior do que a média na América Latina. 

Não é de hoje que existe um tabu em torno da sexualidade, e isso acontece porque, em muitos casos, a conversa sobre o assunto, principalmente dentro de casa e no ambiente escolar, é tardia ou nem acontece. Uma boa notícia é que uma pesquisa recente, realizada pela Bayer, em parceria com o Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com 1.500 brasileiras entre 16 e 25 anos, em cinco capitais (Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), mostrou que esse cenário vem melhorando, já que 83% das entrevistadas se considera suficientemente informada sobre métodos contraceptivos e cuidados com a saúde sexual.

O levantamento aponta também que 73% se sente confortável em falar sobre o assunto, e 93% afirmou saber se proteger de DSTs ou de uma gravidez não planejada. Com relação aos pais/responsáveis, 52% disse que foi com eles a primeira conversa sobre saúde sexual, percentual maior do que com amigos (18%) ou sozinha (11%). Para 59% das entrevistadas existe um diálogo aberto com os pais. Das que não conversam sobre sexualidade em casa (41%), boa parte (67%) gostaria de ter. 

“A conversa aberta com os pais/responsáveis é extremamente importante para as jovens, já que são eles os principais disseminadores de valores e ensinamentos para os filhos, servindo como seu principal exemplo. São eles que podem fazer com que um assunto complicado se torne simples e natural, trazendo conforto e confiança para quem está iniciando a vida sexual”, afirma Dr. Afonso Nazário, Coordenador da Pós-Graduação do Departamento de Ginecologia da Unifesp.

Cristina Varkulja, 47, mãe da Alice, 18, e da Victória, 25, conta que a conversa com suas filhas iniciou cedo e foi sempre muito franca. “A primeira vez que falei com minhas filhas foi muito natural. Elas deviam ter entre 10 e 11 anos. Me lembro que a Victória, por exemplo, quando ficou menstruada pela primeira vez, me ligou para compartilhar a novidade e tirar dúvidas”.  

De acordo com Cristina, temas relacionados à sexualidade sempre tiveram espaço em sua casa. “Não tivemos nenhum momento de constrangimento, sempre mantivemos um diálogo transparente para que a saúde sexual delas se desenvolvesse de forma natural e segura, sem que existisse espaço para vergonha e traumas”, esclarece. 

Sobre o ambiente escolar, as notícias também são boas – a maioria (67%) teve acesso à educação sexual na escola. Isso mostra que conforme a discussão se torna mais transparente com pessoas confiáveis, maior o conforto e segurança das jovens. “É extremamente importante que as escolas estejam preparadas para dar continuidade à educação sexual iniciada dentro de casa. Dessa forma, o assunto passa a ser comum no dia a dia dos jovens e as dúvidas podem ser compartilhadas e sanadas de forma mais fácil”, reforça Dr. Nazário.


Relação com o ginecologista

Apesar dos dados positivos e avanço na discussão sobre sexualidade e contracepção, o último relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), referente ao período de 2010 a 2015, mostrou que o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos, índice acima da média latino-americana, que fica em torno de 65,5. Segundo o Dr. Afonso, “isso pode ser um indicativo de que esse diálogo ainda precisa se expandir, por exemplo, para dentro do consultório, com o ginecologista, que é o principal responsável por dar orientações sobre exames e indicar os melhores métodos de acordo com o perfil de cada jovem”.

Dados da pesquisa Bayer comprovam, inclusive, que a relação entre as jovens e o ginecologista ainda não é bem estabelecida – eles apontam, por exemplo, que 7% das entrevistadas nunca se consultou com o especialista, e 11% só o visitou pela primeira vez após os 20 anos. Adicionalmente, apenas 17% o considera a principal fonte de informação sobre o assunto.

“O fato de uma pequena porcentagem considerar o ginecologista como o responsável por passar informações sobre educação sexual é um dado extremamente preocupante, pois somente ele é capaz de indicar os melhores métodos contraceptivos e orientações sobre os cuidados com a saúde íntima. Esse também é um fator que deve entrar, anteriormente, na conversa da jovem com os pais, que por sua vez tem a missão de explicar o papel do médico nesse processo e oferecer todo o suporte necessário”, comenta.

O alinhamento entre a jovem, os pais/responsáveis e o médico propicia segurança e faz com que ela se sinta confortável em fazer, a partir disso, suas próprias escolhas, de forma consciente e madura. Além disso, dá  a abertura para que tire dúvidas sempre que necessário, fazendo com que um assunto tabu se torne um tema mais leve.



Bayer



ABUSO SEXUAL: Psicanalista ajuda a entender como é o tratamento das vítimas e explica alguns traumas



A causa ganhou destaque no último mês por conta da novela das 21h da Rede Globo, mas o assunto não pode sair de foco nunca


Dados do IPEA mostram que cerca de 70% dos abusos sexuais são contra crianças e adolescentes. Os números ainda mostram que aproximadamente de 24% dos agressores são os próprios pais e padrastos e 32% são pessoas próximas à vitima. Os números são alarmantes, e os traumas que geram nas crianças são complicadíssimos, podendo durar anos e anos, caso não tenha tratamento.

 Recentemente, a novela ‘O Outro Lado do Paraíso’, da Rede Globo, abordou o tema e gerou uma grande polêmica em torno do assunto. No folhetim, a personagem Laura, vivida pela atriz Bella Piero, não se lembrava do que aconteceu em sua infância, e precisou recorrer a sessões de hipnose.  A psicanalista Dra. Taty Ades explicou que isso é comum de acontecer. “Isso acontece por uma reação do próprio mecanismo de defesa psíquico da pessoa. É como se o inconsciente guardasse essa informação para que ela não sofra, porém as sensações permanecem.”

 Com esses números tão aterrorizantes é preciso discutir, e muito, o assunto para que providências possam ter tomadas a fim de diminuir os casos em todo o País. Na maioria das vezes a criança fica calada com medo, por isso, é  preciso ficar atento aos sinais que podem sinalizar que algo está errado e merece ser investigado. “A criança tende a se isolar, ter comportamentos agressivos ou  depressivos. É importante que os pais encaminhem rapidamente a uma terapia”, completa a psicanalista.

 Ainda segundo a Dra. Taty Ades, o abuso não precisa necessariamente ter sexo com penetração. Carícias na criança, tocar nas partes íntimas  ou até mesmo troca de olhares e conversas maliciosas caracterizam abuso sexual, que  precisa ser denunciado.

 A criança, na maioria das vezes, não fala para ninguém por medo, por se sentir culpada ou por ficar com vergonha. Porém, os traumas que são desencadeados podem tomar proporções enormes e atrapalhar a vida adulta. “A pessoa vítima de abuso sexual poderá ter depressão, transtornos de personalidade, ter baixa autoestima, excesso de libido ou ausência total dele. Por isso, o melhor tratamento é iniciar uma terapia para identificar a idade inicial do trauma e trabalhar questões de culpa , autoestima e sexualidade.

 O disque 100 é um canal seguro para denunciar, o serviço funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. E a identidade de quem denuncia é mantida em sigilo.  Os conselhos tutelares, delegacias e varas da infância e adolescência também recebem denúncias desse tipo.






Dra. Taty Ades


Tratamento da disfunção tireoidiana no idoso requer cautela



Exames variam em função da idade


As principais disfunções tireoidianas que afetam o idoso são o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, que podem estar relacionadas a outras doenças endócrinas e metabólicas, tais como o Diabetes mellitus. “Mas esse paciente merece atenção diferenciada, uma vez que o diagnóstico deve ser realizado com mais cautela, pois os valores superiores de normalidade para o TSH, o exame mais frequentemente utilizado para avaliar a função tireoidiana, podem variar em função da idade”, explica a Dra. Glaucia Mazeto, endocrinologista palestrante do 18° Encontro Brasileiro de Tireoide, que vai ocorrer entre 19 e 22 de abril, em Campos do Jordão, São Paulo, com a expectativa de reunir 1500 palestrantes.

O idoso deve receber tratamento tanto para o hipo como o hipertireoidismo. No caso da disfunção subclínica, o hipertireoidismo que se mantém ao longo do tempo deve ser tratado. Já o tratamento do hipotireoidismo subclínico costuma ser indicado quando as concentrações sanguíneas de TSH encontram-se acima de 10 mUI/L  (miliunidades internacionais por litro de sangue).

“O tratamento do hipotireoidismo é realizado com levotiroxina. Já o hipertireoidismo pode ser tratado com medicamentos, radioiodo ou cirurgia, dependendo da causa da disfunção, assim como das condições clínicas e preferência do paciente”, explica a médica.

As disfunções tireoidianas são frequentes no mundo todo, com diferentes estudos tendo encontrado frequências variáveis de hipotireoidismo e hipertireoidismo, dependendo da região geográfica avaliada e de fatores relacionados ao paciente, tais como faixa etária, gênero, presença de comorbidades associadas, assim como relativos à gravidade da disfunção.

No Brasil, existem relatos de frequências de 2% a 6% e de 6,5% a 20% para os hipotireoidismos manifesto e subclínico, respectivamente. Já o hipertireoidismo é menos frequente, havendo relatos do quadro manifesto em 0,7% a 1,5%  e do subclínico em 0,7% a 2,4% dos idosos.

‘Avanços na Genética dos Tumores Pediátricos e Implicações Clínicas’, ‘O Panorama do Estado Nutricional de Iodo no Brasil: onde é preciso avançar’, ‘Efeitos dos Hormônios Tireoidianos no Metabolismo Lipídico, Glicídico e no Coração’, ‘Reflexos Moleculares e Metabólicos da Ação dos Desreguladores Endócrinos’, são alguns dos temas que estarão em discussão durante o 18° Encontro Brasileiro de Tireoide, que vai ocorrer de 19 a 22 de abril, em Campos do Jordão.
  



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