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domingo, 9 de julho de 2017

Combatendo as alergias em casa



Especialistas dão dicas sobre como cuidar da casa a fim de se evitar o surgimento de alergias e outros problemas respiratórios, muito comuns nesta época do ano
   
 
Projeto do escritório Jardim & Sperb Arquitetura e Interiores. Na sala, o piso de mármore dispensa o uso de tapetes. No quarto, a opção pela persiana – ao invés da cortina – é uma boa opção para os alérgicos. Fotos: Jomar Bragança
          





O inverno 2017 chegou com tudo. No sudeste, algumas cidades registraram as mais baixas temperaturas em mais de quatro décadas. Com o clima tão frio e seco, o ar torna-se favorável à proliferação de alergias e outros problemas respiratórios, o que acende um alerta sobre a saúde. Não por um acaso, os cuidados que tomamos ao sair de casa nesta época do ano são redobrados. Todos querem escapar das temidas friagens. O que nem todo mundo se preocupa, porém, é justamente com o interior das casas, que pode ser o grande vilão. “Os ambientes inadequados  são os principais causadores e mantenedores de crises alérgicas. Morar em um lugar arejado, sem ventos fortes, com boa luminosidade, é com certeza mais saudável para qualquer pessoa”, alerta a médica alergista Rozana de Fátima Gonçalves. Segundo a especialista, é preciso estar atento, pois é justamente em casa que as crises alérgicas costumam ser despertadas.  “As pessoas nascem com o gen da alergia. Este pode despertar em qualquer época da vida e a pessoa sensibilizada passa a ter sintomas. Geralmente, este despertar ocorre quando a pessoa tem contato com ambientes empoeirados, poluídos, mofados”, pontua.
          Fica evidente, portanto, que a melhor maneira de evitar este tipo de problema de saúde é cuidando da casa desde os mínimos detalhes, que já começam no projeto de arquitetura de interiores. A arquiteta Fernanda Sperb, sócia do escritório Jardim & Sperb Arquitetura e Interiores, é categórica sobre os elementos que devem ser evitados  em casas onde um dos moradores já manifestaram sintomas de alergias. “Tapetes, almofadas, bichos de pelúcia, cortinas, tudo que junte poeira é prejudicial para o alérgico”, enumera. Com relação aos tapetes, a profissional afirma que existem opções no mercado para quem não quer abrir mão do elemento, como os tapetes de nylon, que são fáceis de lavar. A designer de interiores Laura Santos, acrescenta: “Os tapetes emborrachados são ótimos, pois não são felpudos e são de fácil manutenção”.
Os livros também costumam acumular poeira, mas como muitas pessoas fazem questão de tê-los em casa, Laura Santos indica: “Uma boa ideia é acomodá-los em armários com portas ou básculas, em vez de prateleiras e nichos. Para quem quer mantê-los à mostra, a melhor opção é usar portas de vidro incolor”.
   
Na foto a esquerda, a designer Laura Santos usou tapetes emborrachado, uma ótima opção para os alérgicos. Na foto à direita, a profissional especificou armários com portas para abrigar os livros e documentos não deixando eles expostos a poeira. Fotos: Henrique Queiroga e Osvaldo Castro
        
  


De acordo com as profissionais, outra questão importante diz respeito ao material do mobiliário. “Numa casa de uma pessoa alérgica é importante sempre escolher móveis que possam ser higienizados com pano úmido, como os móveis com superfície de vidro, por exemplo”, explica Laura. Lígia Jardim, do escritório Jardim & Sperb Arquitetura e Interiores, completa: “Os materiais sintéticos para bancadas de cozinha e banheiro são indicados. O corian, por exemplo, não retém odores e não absorve líquidos, além de ser resistente a bolores e mofos”.
 
 Bancada de corin usada nesta cozinha projetada pelo escritório Jardim & Sperb Arquitetura & Interiores combate bolores e mofos e não retém odores. Foto: Jomar Bragança

         


 Lígia e Fernanda recomendam ainda o uso de travesseiros antialérgicos e protetores de colchão. E Laura Santos finaliza: “Casa arejada e ensolarada é fundamental. Manter as janelas abertas e deixar o sol da manhã entrar pode ser de grande ajuda”. 

 
Criar ambientações que favoreça a circulação do ar e a entrada do sol é um dos preceitos seguidos pela designer Laura Santos ao fazer projetos destinados a alérgicos. Foto: Edson Ferreira







MÃO DUPLA COMUNICAÇÃO





Mais de 7 mil brasileiros foram diagnosticados com Câncer de Laringe em 2016.





Álcool e tabaco são os principais inimigos

Em 1º de julho teve início a Campanha Mundial de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço, conhecida como JULHO VERDE. O câncer de cabeça e pescoço é a quinta neoplasia mais comum no mundo. A incidência global chega a 780 mil novos casos por ano. O câncer da laringe (pregas vocais ou cordas vocais) corresponde a 25% dos tumores diagnosticados nessa região e 2% de todas as doenças malignas. Segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, em 2015 foram registrados no Brasil 6.870 casos de câncer de laringe em homens e 770 em mulheres. Em 2016, foram computados cerca de 7.350 novos casos, sendo 6.360 em homens e 990 em mulheres.

A ocorrência pode ser na laringe supraglótica, na glote e ou na subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na corda vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 na laringe supraglótica (acima das cordas vocais). O tipo histológico mais prevalente, em mais de 90% dos pacientes, é o carcinoma epidermoide. Estudos apontam que há uma nítida associação entre a ingestão excessiva de álcool e o tabagismo com o desenvolvimento de câncer nas vias aerodigestivas superiores, sendo o tabagismo o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe.

“O álcool e o tabaco são os maiores inimigos da laringe. Fumantes têm 10 vezes mais chances de desenvolver esse tipo de câncer. Em pessoas que associam o fumo e bebidas alcoólicas, esse número sobe para 43. Má alimentação, estresse e mau uso da voz também são prejudiciais”, explica o médico cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Erivelto Volpi, membro do Comitê Internacional da Campanha Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço da International Federation of Head and Neck Oncologic Societies.

O sintoma mais comum é a rouquidão persistente e sem causa aparente. “A rouquidão proveniente de tumores é diferente da rouquidão relacionada ao esforço vocal ou à laringite ligada a processos gripais, pois não vem acompanhada de febre ou dor, é progressiva e persiste”, alerta Dr. Erivelto.
Caso não haja tratamento na fase inicial do câncer, a rouquidão pode evoluir para dor durante a deglutição (ato de engolir) e falta de ar. Na fase mais avançada, podem aparecer nódulos no pescoço.

De acordo com a localização e a extensão do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia. Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais, já que a terapêutica dos cânceres da cabeça e do pescoço pode causar problemas nos dentes, fala e deglutição. A laringectomia total (retirada da laringe) implica na perda da voz fisiológica e em traqueostomia definitiva (abertura de um orifício artificial na traqueia, abaixo da laringe). “Como a preservação da voz é importante na qualidade de vida do paciente, algumas vezes a radioterapia pode ser empregada primeiro, deixando a cirurgia para o resgate, quando a radioterapia não for suficiente para controlar o tumor”, esclarece Dr. Erivelto Volpi.


Principais sintomas do câncer de laringe:
  • Alterações na Voz e Rouquidão não associadas à processos gripais
  • Ferida na garganta que não cicatriza
  • Tosse constante
  • Dor ao engolir
  • Dor de ouvido.
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de peso
  • Nódulo ou massa no pescoço




Fonte: Dr. Erivelto Volpi – membro do comitê científico internacional da Campanha Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço (Julho Verde), da International Federation of Head and Neck Oncologic Societies. Dr. Erivelto é médico da Disciplina de Cirurgia de Cabeça do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor da disciplina de cirurgia de cabeça e pescoço da UNINOVE.





PRECISAMOS DISCUTIR A SAÚDE MENTAL DAS CRIANÇAS BRASILEIRAS



Pouco se fala, mas a saúde mental de nossas crianças e adolescentes é assunto que precisa ser mais discutido, abordado, divulgado. Um local onde se pode bem observar o surgimento de possíveis problemas cognitivos, emocionais, psicológicos e psiquiátricos é a escola pública.

Refiro-me à escola publica porque, além de ser meu campo de trabalho, abriga mais de 80% dos alunos brasileiros, um contingente de aproximadamente 50 milhões de crianças e adolescentes.

Pesquisas indicam que a promoção da saúde mental em escolas produz benefícios de longo prazo para os jovens, incluindo melhor desenvolvimento emocional, social e até um desempenho acadêmico mais eficiente.

As pesquisas também demonstram que uma em cada quatro pessoas são afetadas por transtornos mentais ao longo da vida. A maioria desses transtornos se desenvolve na infância e adolescência, sendo que 50% têm início antes dos 14 anos.

O Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento aponta que as taxas de transtornos mentais na infância alcançam 14% das crianças, mas menos de 20% delas são diagnosticadas e tratadas.

Não há nas escolas do Brasil políticas públicas para promover a educação em saúde mental e emocional, com formação e informação para professores e pais se conscientizarem e aprenderem a lidar com este desafio, visando identificar, encaminhar para acompanhamento médico ou até prevenir psicopatologias.

É muito importante promover formação para todos os funcionários escolares sobre a saúde mental e considerar as escolas como parte de uma rede mais ampla, unida com outras partes interessadas e instituições envolvidas na saúde mental das crianças e adolescentes nas comunidades locais.

Há décadas dirijo uma organização sem fins lucrativos e me envolvo nas discussões da sociedade civil organizada. Nossas ações têm como base as escolas das redes públicas de ensino, pois é de lá que promovemos ações que efetivamente transformam para melhor as nossas comunidades.

Realizamos, há alguns anos, em comunidades do Rio de Janeiro e outros Estados, um programa que permitiu um breve exemplo da importância de abordarmos as angústias, medos e perspectivas das crianças. As ações aconteceram em comunidades onde meninos e meninas viviam (e ainda vivem) em contexto de exclusão social e violência.

Inicialmente, fizemos uma capacitação para os professores entenderem o contexto emocional das diversas faixas etárias e como os desvios podiam ser percebidos por meio da análise dos sonhos.

Paralelamente, realizamos oficinas sobre a importância do trabalho com a autoestima dos alunos e como ajudá-los a enfrentar dificuldades.

Nas escolas das comunidades, semanalmente, as crianças foram reunidas em grupos para desenhar e escrer sobre seus sonhos mais recentes e recorrentes. As crianças também responderam a questionários socioeconômicos e culturais.

Esta oportunidade permitiu aos alunos dividir com professores e colegas seus sentimentos e sensações, o que nunca havia ocorrido na sala de aula. A atividade tornou-se ferramenta pedagógica importante para os professores descobrirem novas maneiras de ajudar seus alunos em caso de dificuldade. Ao contar, desenhar e escrever seus sonhos, os alunos resgatavam questões de seu dia a dia e redimensionavam a realidade que os cercava.

O trabalho revelou que há ausência de figuras positivas e de modelos para as crianças, além de observar o enfraquecimento das figuras masculinas. Mesmo quando a criança sonha com um ídolo, a projeção favorável não se concretiza no sonho.

Foi uma iniciativa que trouxe excelentes resultados no curto espaço de tempo de sua duração, pois permitiu que as crianças, a partir da individualidade de cada contexto emocional, começassem a interagir de maneira diferente com seus pares, família e sociedade.
Com este projeto, abrimos espaço para a reflexão e discussão de um enorme problema que assombra os jovens e que sempre fica do lado de fora dos muros das unidades de ensino (exceto quando uma bala perdida inadvertidamente invade o perímetro de convívio escolar).

Há outras iniciativas que acontecem pelo mundo afora: na Europa, em 2011, foi lançado um Pacto pela Saúde Mental e o Bem-Estar (European Pact for Mental Health and Well-Being), para inserção emergencial de conteúdos sobre saúde mental nas atividades curriculares e extracurriculares das escolas, além da sensibilização de profissionais da saúde e da educação. Enquanto isso, no Canadá, esse tema já integra o currículo regular das escolas.

Há mais exemplos de boas práticas: como o Young Mind, na Noruega; o Unidos Fazemos a Força: Juntos contra o Bullying, na  Itália; a legislação sobre serviços especializados disponibilizados pelos municípios para as escolas pré e obrigatórias, na Islândia e União Internacional para a Promoção da Saúde e Educação (UIPES), entidade internacional.

Precisamos alardear a necessidade de discutir a promoção da saúde mental e emocional nas escolas, para disseminar por todas as nossas redes de ensino este tema tão primordial para garantir o pleno desenvolvimento das crianças e dos adolescentes no Brasil
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Joyce Capelli - Diretora Executiva e Presidente da Inmed Brasil






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