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domingo, 9 de julho de 2017

A NAÇÃO SOB GOVERNO DAS MINORIAS



       A crise que jogou o Brasil na mais prolongada e perigosa depressão econômica e social de sua história não pode ser entendida sem que se conheça o peso do patrimonialismo, do corporativismo e do clientelismo na vida nacional. É pelo peso do patrimonialismo que o exercício do poder político se confunde com usufruto (quando não com a posse mesma) dos recursos  nacionais. É pelo peso do corporativismo, cada vez mais entranhado e influente nas estruturas do Estado, que os bens e orçamentos públicos vêm sendo canibalizados desde dentro pelo estamento burocrático. É pelo peso do clientelismo que elites corruptas são legitimadas numa paródia de representação política, comprando votos da plebe com recursos tomados à nação.
        Na perspectiva do cidadão comum, o que resulta mais visível, lá no alto das manchetes e no pregão dos noticiários de rádio e TV, é o que vem sendo chamado de mecanismo, ou seja, o modo como, nos contratos de obras e serviços, o recurso público é desviado para alimentar fortunas pessoais, partidos políticos e campanhas eleitorais que, por sua vez, garantem, a todos, a continuidade dos respectivos  negócios. Com efeito, esse é o topo da cadeia. É o que se poderia chamar de operação contábil que viabiliza e formaliza o patrimonialismo. 
        O corporativismo, de longa data, se configura como forma de poder exercido com muito sucesso e responde, ano após ano, pela crescente apropriação dos orçamentos públicos e dos recursos de empresas estatais pelas corporações funcionais. É uma versão intestina do velho patrimonialismo. Raymundo Faoro, a laudas tantas de "Os Donos do Poder", escreve sobre a centralização política ocorrida no Segundo Reinado e a singela constatação de que existem duas possibilidades: ou a nação será governada por um poder majoritário do povo ou por um poder minoritário. Era como exercício de poder minoritário que Faoro via o reinado de D. Pedro II. E o entendia à luz da teoria de Maurice Hariou, que fala de um poder formado "ao largo das idades aristocráticas, pelo exercício mesmo do direito de superioridade das minorias diretoras".
        Maurice Hariou (1856-1929) reparte com Kelsen o apelido de Montesquieu do século XX. Na sua perspectiva, são as instituições que fundamentam o Direito, e não o contrário. Correspondem ao conceito, as  organizações sociais subsistentes e autônomas nas quais se preservariam  ideias, poder e consentimento. A isso, dava ele o nome de corporativismo. Após 127 anos de república, é comum vê-lo em pleno exercício quando representantes de outros poderes, de carreiras de Estado, e de seus servidores ocupam ruidosamente galerias dos plenários ou palmilham corredores onde operam os gabinetes parlamentares. Raramente saem frustrados em suas reivindicações. E assim, bocado a bocado, ampliam, além de toda possibilidade, a respectiva participação no bolo dos recursos públicos. Em muitos casos, a soma das fatias já ultrapassa os 360 graus.
        Os ônus do corporativismo representam um prejuízo vitalício, que se perpetua através das gerações. Como tal, muito certamente, excede o conjunto das falcatruas operadas pelo mecanismo. O Estado brasileiro poderia ser menor, onerar menos a sociedade e enfrentar adequadamente o drama das camadas sociais miseráveis, carentes de consciência política. Por que iriam os operadores do mecanismo, os manipuladores da miséria e o estamento burocrático interessar-se em acabar com a ascendência que exercem sobre essas vulneráveis bases eleitorais? Os três juntos - patrimonialismo, corporativismo e clientelismo - põem a nação em xeque. Não sairemos dele se não identificarmos, acima e além dos partidos e seus personagens, estes outros adversários, intangíveis, mas reais, que precisam ser vencidos.




 Percival Puggina - membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.



SEMANAS DE ROCK, BEBÊ!



Todo dia era Dia de Índio. Agora todo dia é dia de rock, de ser chacoalhado, de assistir aos embates escalafobéticos entre aqueles que acham isso e os outros que acham aquilo; e todos os que agora estão ainda mais confusos do que estavam, uma vez que tudo se misturou igual a uma pasta disforme. A grande massa ignara ignora e só dança. Aumenta o som, que aí vem doideira pesada. Só os sons dos metais, pratos e panelas, continuam guardados por enquanto.


Pensa: por quem badalar os sinos? Para qual causa ensaiar a coreografia das bandeiras, o som das palavras de ordem, das palmas, do sapatear nas avenidas?


Outro dia um mágico amigo munido apenas de um baralho entreteve e encantou um grupo, incluindo crianças, durante um longo tempo. Fez mágicas, claro, incríveis, que é profissional dos bons, internacional. Mas a maestria com a qual manuseava e manipulava as cartas ao embaralhá-las foi show à parte, chamava a atenção. Perguntei a ele e fiquei sabendo, então, como numa aula, de histórias antigas sobre os trapaceiros, ilusionistas, como foram importantes em reinados e momentos históricos. Ele me contou (e mostrou) ainda sobre as diversas formas de embaralhar, a simples, a francesa, a cascata, a portuguesa, a hindu. São muitas.  Como se criavam sequências que deram poder aos trapaceiros. As representações dos naipes, o povo, o poder, as finanças, as guerras.


Tenho pensado sobre isso cada vez mais com o preocupante desenvolvimento do desmonte político a que temos assistido diariamente boquiabertos e aturdidos. Tal como as cartas do baralho que se fundem e se misturam ao ser embaralhadas, estão sendo descartados reis, rainhas, valetes. Os ases somem. De todos os naipes. Procuramos um coringa.


É carteado cheio de trucos. Dissimulados que sem querer querendo dão declarações bombásticas em entrevistas, como quem faz bolhas de sabão. Jornalistas e suas fontes das sombras que carregam mensagens de um lado a outro, sobre um lado e do outro, entre afirmações hipotéticas e hipóteses estapafúrdias que se desmentem em seguida. Deitam falação, como se possível fosse entender as entranhas desse jogo que há anos nos empurra para o buraco. Eles roubam montes, formam duplas, descartam o lixo, pedem mais cartas, formam canastras, somem com cartas entre as mangas e colarinhos brancos. Jogam sozinhos.


Entre os meus leitores há vários tipos que se manifestam comigo: os que gostam de política, falar disso; e os que gostam quando me refiro ao comportamento humano em outras dimensões (sim, elas existem! – mas cada dia é mais difícil nos concentrarmos nelas, nas nossas questões pessoais de viver bem, de emoções, de avanços civis). Tudo muito civilizado, agradeço muito.


Agradeço porque vejo audiências gigantescas indo, aplaudindo, para os que escrevem chutando, xingando, agredindo, belicosos, até desejando o mal para os outros, que sejam presos, morram, tenham seus direitos suprimidos. Suas áreas de comentários são como esgotos.  Independentes, se proclamam. Que vivem de ar, tanto quanto eu acredito em duendes puxando o dedão no pé da cama. Se papel já aceitava tudo, na internet, no descompromisso, no anonimato, isso virou fato.  Nas redes sociais, formas de polemizar, bater abaixo da linha da cintura, escarnecer bílis. Nas tevês são tantos analistas que devem se bater pelos corredores, fazer fila nos banheiros: reparem o quanto fazem como os locutores esportivos que podem estar esculhambando um time na narração, mas se esse time faz um gol... imediatamente a opinião vira outra.


Brincadeiras à parte, a melhor previsão que podemos fazer do futuro já abarca o passado: vamos trocar de presidente como se troca de roupa. Precisamos provar todas para ver como elas ficam em nosso corpo.


E eu que, vejam só, queria só falar sobre o Dia do Rock, agora, 13 de julho! Mas quem é mesmo que pode mudar de assunto? Tem de embaralhar.




Marli Gonçalves - jornalista Aproveita que dia 20 de julho é Dia do Amigo. Faz as pazes com aquele com o qual brigou em bate boca nessa partida viciada. 

Brasil, batendo cabeça

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Dia do Rock (13 de Julho): cuidados com a audição para músicos e fãs que gostam do "quanto mais alto melhor"



Artistas e fãs do velho e bom Rock and Roll precisam se prevenir para não comprometerem a carreira e saúde auditiva.


Subir o volume dos fones de ouvido ou caixas de som faz parte do ritual dos amantes dos clássicos do rock.  A música é tão contagiante que fica difícil escutar baixinho.

Os cantores, músicos, técnicos de som e fãs que ficam expostos sistematicamente a níveis de pressão sonora elevados durante os shows, formam um grupo de risco para as perdas auditivas permanentes, acarretando em prejuízo para suas vidas profissional e pessoal.

O nível de ruído durante uma apresentação musical pode ultrapassar os 120 dB (unidade de medida do som), sendo que o aceitável para o ouvido humano ficar exposto sem sofrer danos é de 85 dB.  A potência do som sempre foi uma marca registrada dos roqueiros que disputavam para ver quem tocava mais alto e ia parar no Guinness Book (livro dos recordes). Bandas como Manowar chegaram a alcançar os 129,5 dB há mais de 300 metros do palco.  

Roqueiros famosos como Eric Clapton, Sting, Bono Vox e Ozzy Osbourne sofreram   consequências auditivas em virtude da exposição a níveis sonoros excessivos, e hoje, se queixam de problemas como zumbido.

Sabe-se que a perda auditiva ocorre de forma lenta e progressiva, sendo somente percebido quando atinge grau acentuado, afetando a comunicação humana de forma irreversível. Com isso, fica nítida a importância da orientação e detecção precoce de danos auditivos em músicos, frequentadores de shows e pessoas que escutam música alta.

“Atualmente, existem protetores auditivos com filtro flat (atenuador linear) que mantém o mesmo espectro de frequência do som original, sem prejudicar a qualidade, atenuando apenas conforme o filtro escolhido, dependendo do ambiente e/ou instrumento a que estão expostos”, explica a especialista em audiologia e doutora em Ciências pela UNIFESP, Katya Freire.

Katya é precursora no trabalho de preservação e conservação auditiva de profissionais da música e atende artistas como João Barone (Paralamas do Sucesso), Ricardo Japinha (CPM22), Banda Malta, Ivete Sangalo, Luan Santana, Claudinha Leite, Carlinhos Brown, Maria Rita e Michel Teló. E aconselha estes profissionais a utilizarem equipamentos de proteção durante as apresentações para preservar a audição. “O músico pode substituir os monitores (retornos) de chão pelos monitores in-ears, que trazem ao usuário muitas vantagens como, retorno do som com mais qualidade, controle individual e melhor isolamento acústico, que asseguram a preservação auditiva e vocal durante ensaios e shows”, diz.

A especialista separou algumas dicas que ajudam a preservar a saúde auditiva dos roqueiros e também dos fãs de outros estilos musicais:

- Mantenha o volume baixo – evite ultrapassar 60% do volume máximo de fones de ouvidos e players. Outro detalhe, os fones devem ser utilizados nos dois ouvidos.

- Faça intervalos de descanso auditivo - Descanse 15 minutos a cada uma hora exposto a níveis sonoros elevados. Este período é importantíssimo para recuperar o seu ouvido.

- Utilize protetores auditivos em ambientes ruidosos – hoje há opções de protetores com filtro flat que não comprometem a compreensão da fala e da música que podem ser utilizados em festas, avião ou shows.

- Preste atenção aos sinais de perda auditiva – O diagnóstico precoce pode ajudar no tratamento, consulte seu médico ou fonoaudiólogo.






Katya Freire- pioneira no trabalho de preservação e conservação auditiva de músicos. Graduada em Fonoaudiologia pela PUC-Campinas com especialização em Audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, fez mestrado pela PUC-SP e doutorado em Ciências pela Unifesp. Aperfeiçoamento realizado nos Estados Unidos na San Diego State University com atuação no Children’s Hospital de San Diego, na Califórnia. Autora do Treinamento Auditivo Musical e de inúmeros artigos e capítulos de livros na Área de Audiologia.




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