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domingo, 19 de março de 2017

ZUM-ZUM-ZUM, PÁ-PÁ-PÁ, BLÁ-BLÁ-BLÁ E OS CRICRIS



Clap, Clap, Clap. Tem gente investigando tim-tim por tim-tim tudo quanto é tipo de falcatrua por aqui e ali. Mas o fundo do poço nos parece infinito, uff! Ai ai, todo dia tem um plaft na nossa cara. Grrr...


Tchantchantchantchan. Cada amanhecer é uma surpresa sobre qual vai ser o Oh! que nos deixará a todos boquiabertos. Aí é se preparar para passar o dia inteiro ouvindo os desdobramentos do caso, ou casos, porque ultimamente eles se sobrepõem de uma forma tal que quando você pensa que está ouvindo falar sobre um assunto, já é outro. Não dá nem mais tempo de sair por aí com o fubá enquanto o outro já está chegando com o bolo pronto e o café no bule.



Mesmo para quem trabalha com informação, como é o caso de nós, jornalistas, a velocidade absurda e incontrolável da comunicação em tempos atuais chega a ser exasperante. Não dá tempo para assimilar, entender, ver todos os lados da questão para poder analisar e transmitir aos leitores uma impressão mais segura, consolidada, uma análise mais esclarecedora e que acredito é o que se espera de nós. Glub-glub-glub, estamos nos afogando no mar de acontecimentos, morrendo pela boca, fisgando iscas em anzóis.



Mas quem quer saber? É tiroteio verbal para todos os lados. Não é à toa que até as onomatopeias estão sendo trocadas pelos simpáticos desenhinhos de emoticons, imagens que acabam representando a nossa opinião bem mais rápido. Outro dia mesmo até o presidente aí, ao se vangloriar no Twitter da compra de aeroportos por grupos estrangeiros usou duas daquelas cornetinhas de festa lançando confetes. Fofo, né? Nós é que temos de fazer aquela carinha brava, vermelhinha de raiva, de smile, por assunto tão importante aparecer assim engolfado, espremido entre listas e novas denúncias e escândalos. Numa semana que teve uma absurda e mal amanhada greve geral (! Até parece!), protestos contra a reforma da previdência e até um sapo barbudo emergindo do lago cheio de lama - coach,coach,coach.



Toda hora é preciso explicar para alguém porque e como que é cada vez mais supérfluo o tratamento de alguns temas em momentos com esse. A gente precisa sempre fazer que recordem que o espaço, seja o de jornais, tevês ou rádios é o mesmo, e dentro dele devem caber todas as notícias. Incluindo as seções fixas, o resultado dos jogos, o horóscopo, as colunas cada vez mais numerosas, espaços e programas que estão dando para qualquer um falar ou escrever, bem barato, especialistas, cheios de opinião a favor ou contra, numa dicotomia constante, maniqueísmo do bem ou do mal, "tucanos" ou "petistas". É tanto cricri que parece noite de verão com cigarras gritando até estourar os peitinhos.



Mais: dizer que a internet é gloriosa porque é mais condescendente com os espaços é bobagem, porque nessa loucura não dá mais tempo de ler tudo. É vapt-vupt. No Facebook já até foi cunhada uma expressão "lá vem textão"! - quando alguém quer mais tempo de sua atenção para expor um assunto. (Cá entre nós, acredito que não funciona, e tem gente que sai correndo justamente nesse alerta).



Fom fom! Bi-bi! Quando é que conseguiremos um pouco mais de normalidade, andar para a frente, sem ouvir o ratatá da violência, o sentido sniff e ais das mulheres violentadas das mais diversas formas, o buááá das crianças massacradas?



Quando poderemos ouvir o trimmm do telefone nos chamando para trabalhar e não ter medo do ring, din-don e toc toc em nossas portas? Ouvir o tumtumtum de nossos corações apenas por paixões?






Marli Gonçalves-  jornalista - Ah! Ah! Psiu. Chega de trololó.

                                 Brasil, São Paulo, tsk-tsk, 2017



Carne fraca: como produtos adulterados podem afetar a saúde




Operação da PF mirou gigantes do setor de carnes no país


 Foto: Tadeu Vilani



O esquema deflagrado na Operação Carne Fraca atinge diretamente a mesa e a saúde do brasileiro. Gigantes do setor de carnes no país, como a BRF Brasil, dona das marcas Sadia e Perdigão, e a JBS, dona da Friboi, Seara e Swift, entre outras marcas, teriam cometido ao menos uma das irregularidades descritas pela polícia: carne vencida, armazenada em temperaturas inadequadas, sem inspeção e com uso de produtos cancerígenos ou em excesso com objetivo de ocultar as características que deveriam impedir o consumo.

A pedido de ZH, o professor de Microobioliga de Alimentos na UFRGS, Eduardo César Tondo, analisou algumas irregularidades descritas dos despachos sobre o esquema. Veja:


Carnes vencidas
O que diz o despacho do juiz: "Carnes vencidas há 3 meses para a produção de outros alimentos (se é que se pode chamar de alimento algo composto por restos não mais aptos ao consumo humano)"

O que diz o especialista: "Quem estipula a durabilidade do produto sempre é a indústria produtora. Essa informação deve constar no rótulo. Se for refrigerada, a validade é de dias; se congelada, o prazo é maior. Além de ser proibida pela legislação, carne vencida pode prejudicar a saúde do consumidor, porque pode ter microrganismos em quantidades muito altas e que causam doenças, como Salmonella ou Campylobacteriose. A carne, depois que passa da validade, estraga ou fica muito contaminada, podendo levar a doenças graves. A pessoa que come esse tipo de produto pode ser infectada por bactérias perigosas, podendo desenvolver infecção intestinal, com sintomas como vômitos, diarreia e febre, e que pode levar à morte, principalmente se o produto for mal armazenado (temperaturas acima do recomendado), as bactérias vão se multiplicar. É um perigo real."


Temperatura
O que diz o despacho: "É inacreditável a sucessão de irregularidades gravíssimas que, tudo está a indicar, cometem diariamente no manuseio, industrialização e comercialização de derivados da carne que a sua mera descrição causa náuseas. Armazenamento em temperaturas absolutamente inadequadas."

O que diz o especialista: "Se não for armazenada entre 5°C, 7°C, as bactérias que vivem naturalmente na carne podem se multiplicar e causar doenças. Quanto mais tempo passar fora da temperatura ideal, maior chance de contaminação. A carne é um dos principais causadores de doenças transmitidas pelo alimento, ou seja, precisa ser muito bem controlada."


Água
O que diz o despacho: "Descoberta a venda irregular de produtos alimentícios - absorção de água em frango superior ao índice permitido e reembalagem de produtos inadequados para a venda."

O que diz o especialista: "Se injeta água na carne do frango para aumentar o peso. É uma fraude econômica. Não há risco para a saúde do consumidor, mas ele está pagando mais por menos. Já a reembalgem de carne imprópria vai causar os problemas já mencionados."


Ácido ascórbico
O que diz o despacho: "Comprava notas fiscais falsas de produtos com SIF (Serviço de Inspeção Federal) para justificar as compras de carne podre, e utilizava ácido ascórbico para maquiar as carnes estragadas."

O que diz o especialista: "Para segurar a contaminação da carne mal armazenada ou vencida, podem ser adicionados conservantes ou produtos com esse ácido, que alteram a cor e o cheiro da carne e estendem, de certa forma, a validade do produto. Vale lembrar que há muitos conservantes que são permitidos por lei, mas que podem causar câncer se usados em excesso. A PF afirma que as doses eram altas, por isso, é provável que a concentração estivesse além do permitido e (o produto) pode, sim, ser cancerígeno."


Carne de cabeça
O que diz o despacho: "Mesmo cientes da proibição de utilização de carne de cabeça na linguiça, ordena que sejam comprados 2 mil quilos do produto para a fabricação de linguiças."

O que diz o especialista: "Tudo isso é regulamentado por lei e, principalmente os frigoríficos grandes, têm inspeção federal para coibir esse tipo de fraude, de usar uma carne 'pior' irregularmente nos produtos." 



Vanessa Kannenberg
Fonte: Zero Hora



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