Estudo de fase 3 da Novo Nordisk mostra que a somapacitana reduz o número de aplicações de 365 para 52 por ano, sem comprometer o crescimento; crianças que receberam o tratamento semanal não relataram dor no local da injeção
Neste
Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, a Novo Nordisk reforça a
importância do cuidado com o crescimento e o desenvolvimento infantil ao
apresentar os principais resultados do estudo REAL8. A pesquisa avaliou o
tratamento semanal com hormônio do crescimento em crianças com quatro condições
associadas à baixa estatura. 1-4
Esquecimentos, resistência à agulha e o desgaste emocional de repetir esse
processo todos os dias são obstáculos conhecidos, que podem comprometer a
continuidade do tratamento justamente em uma fase decisiva para o crescimento.
É justamente para reduzir esse peso que a estudo avaliou o tratamento semanal
com hormônio do crescimento em crianças com quatro condições associadas à baixa
estatura.
O
REAL8 avaliou a somapacitana (Sogroya®), de aplicação semanal, como uma
alternativa à rotina diária de aplicação.1-4 Após 52 semanas, o
crescimento das crianças que receberam o tratamento semanal foi equivalente ou
superior ao observado com a aplicação diária, a depender da condição avaliada.
Além disso, nos resultados avaliados os resultados avaliados, os relatos de dor
no local da injeção foram muito baixos, de até 1,5%. Já nos estudos com
crianças com síndrome de Noonan e baixa estatura idiopática, não houve relatos
de dor associada a aplicação de somapacitana (Sogroya®) semanal . 1-4
O impacto do tratamento não se limitou aos centímetros ganhos em altura. No
estudo com crianças de baixa estatura idiopática, os pais e cuidadores
responderam a um questionário específico sobre a sobrecarga da condição na vida
da criança, e o resultado mostrou queda expressiva em todos os grupos tratados,
com a redução mais acentuada, e concentrada especialmente no domínio de
bem-estar social, observada entre as crianças que usaram a aplicação semanal. 3
O estudo acompanhou crianças com baixa estatura associada a quatro condições
distintas, não relacionadas à deficiência de hormônio de crescimento
propriamente dita: síndrome de Turner,2 síndrome de Noonan,1
baixa estatura idiopática3 e crianças nascidas pequenas para a idade
gestacional (condição também conhecida pela sigla PIG).4 Em todos os
grupos estudados, as crianças nunca haviam sido tratadas com hormônio de
crescimento e foram divididas para receber a aplicação semanal ou a diária,
sendo acompanhadas pelas 52 semanas.
Nos
grupos com síndrome de Noonan1, os resultados apresentados com a
aplicação semanal foram superiores ou equivalentes aos observados com a
aplicação diária, quando comparados estatisticamente. Já nos grupos com
síndrome de Turner2, baixa estatura idiopática3 e
crianças nascidas pequenas para a idade gestacional4, os resultados
apresentados com a aplicação semanal foram equivalentes aos da aplicação
diária, dentro da variação normalmente esperada entre tratamentos considerados
igualmente eficazes.
Além do crescimento, a redução no número de aplicações trouxe um benefício
percebido diretamente pelas famílias participantes. Questionários respondidos
por pais e cuidadores ao longo dos estudos indicaram uma tendência de menor
sobrecarga do tratamento entre as crianças que usaram a aplicação semanal, em
comparação às que receberam a injeção diária. Para os pesquisadores, essa
vantagem tende a ficar ainda mais evidente fora do ambiente controlado de uma
pesquisa clínica, quando as famílias não contam com lembretes e visitas
frequentes de uma equipe médica, o que reforça o potencial da somapacitana para
facilitar a adesão ao tratamento no mundo real. O perfil de segurança da
somapacitana foi consistente com o já conhecido para o hormônio de crescimento
em crianças, com eventos adversos predominantemente leves ou moderados e
incidência semelhante entre os dois esquemas de aplicação.
Sobre crianças nascidas pequenas para a idade gestacional (PIG)
Uma criança é considerada pequena para a idade gestacional quando nasce com
peso e/ou comprimento abaixo do esperado para o tempo de gestação, segundo critério
de referência populacional. A maioria dessas crianças recupera espontaneamente
o crescimento nos primeiros anos de vida, mas uma parcela, estimada entre 10% e
15%, não apresenta essa recuperação e chega à vida adulta com estatura abaixo
do esperado, sendo candidata ao tratamento com hormônio de crescimento.
Sobre a síndrome de Turner
A síndrome de Turner é uma condição genética que afeta apenas indivíduos do
sexo feminino, causada pela ausência total ou parcial de um dos dois
cromossomos X. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
(SBEM), a condição está associada à baixa estatura, à puberdade tardia e a
outras características físicas específicas, além de exigir acompanhamento das
alterações metabólicas, como peso, glicemia, colesterol e triglicérides, tanto
na infância quanto na vida adulta, para prevenir complicações cardiovasculares.
O tratamento da baixa estatura associada à síndrome é feito com hormônio de
crescimento.
Sobre a baixa estatura idiopática
A baixa estatura idiopática é definida como uma estatura mais de dois
desvios-padrão abaixo da média para idade e sexo, sem que se identifique uma
causa hormonal, genética ou de outra doença crônica após avaliação completa por
um endocrinologista pediátrico. É uma das indicações reconhecidas para o uso de
hormônio de crescimento em crianças, ao lado da deficiência de GH, da síndrome
de Turner e de outras condições associadas à baixa estatura.
Sobre a síndrome de Noonan
A síndrome de Noonan é uma condição genética congênita, causada por mutações em
genes da via de sinalização RAS/MAPK, responsável por regular o crescimento e a
divisão celular. Ela faz parte do grupo das RASopatias e é transmitida, na
maioria dos casos, de forma autossômica dominante. O gene PTPN11 responde por
cerca de metade dos casos. O quadro clínico inclui baixa estatura, cardiopatias
congênitas e características faciais distintivas, como olhos afastados e
orelhas com implantação baixa. Atrasos no desenvolvimento também podem estar
presentes. O diagnóstico é clínico e confirmado por exame genético, e o
acompanhamento exige uma equipe multidisciplinar, com foco no crescimento, na
saúde cardíaca e no desenvolvimento da criança ao longo da vida.
Referências
- JORGE, Alexander A.L. et al. Once-weekly
somapacitan in children with Noonan syndrome: randomized controlled phase
3 trial. European Journal of Endocrinology, v. 194, n. 3, p. 393-403,
2026. Disponível em: https://doi.org/10.1093/ejendo/lvag041.
- MAURAS, Nelly et al. Once-weekly
somapacitan enhances linear growth in girls with Turner syndrome: a
randomized controlled phase 3 study. The Journal of Clinical Endocrinology
& Metabolism, v. 00, p. 1-15, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1210/clinem/dgag309.
- ABUZZAHAB, Jennifer et al. Somapacitan
in children with idiopathic short stature: a randomized controlled phase 3
study. European Journal of Endocrinology, v. 194, n. 2, p. 242-253, 2026.
Disponível em: https://doi.org/10.1093/ejendo/lvag027.
- LINGLART, Agnès et al. Somapacitan
in children born small for gestational age: a randomized controlled phase
3 trial. European Journal of Endocrinology, v. 194, n. 3, p. 311-325,
2026. Disponível em: Link.
- Bula | Sogroya_Profissional.pdf
5.
Nenhum comentário:
Postar um comentário