Avaliação simples realizada na admissão
hospitalar permite intervenções nutricionais e metabólicas mais precoces e
personalizadas
Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita identificaram que a combinação
de dois marcadores clínicos avaliados logo na admissão hospitalar pode
ajudar na identificação precoce de pacientes com câncer mais vulneráveis
a complicações e internações prolongadas. Obtidos por exames simples e de baixo
custo, esses indicadores permitem antecipar intervenções nutricionais e metabólicas,
contribuindo para evitar a perda de massa muscular e a piora do quadro clínico.
Os resultados foram apresentados na ASCO Annual Meeting 2026, um dos principais
congressos internacionais de oncologia.
Pacientes com câncer internados frequentemente apresentam
desnutrição e um estado de desgaste metabólico que leva ao consumo acelerado de
proteínas e músculos, comprometendo a recuperação e aumentando o risco de
complicações. Para avaliar se esse quadro pode ser identificado mais agilmente,
pesquisadores do Einstein analisaram dois marcadores obtidos por
exames de rotina assistencial: a relação ureia/creatinina (UCR), calculada a
partir de um exame de sangue e associada ao consumo de massa muscular, e o
ângulo de fase (PhA), medido por bioimpedância e utilizado para avaliar a
integridade celular e o estado nutricional do paciente.
“Os dois marcadores oferecem informações complementares. Enquanto
a relação ureia/creatinina esteve associada ao risco de internação prolongada,
o ângulo de fase forneceu uma visão mais ampla sobre as condições clínicas e
nutricionais do paciente. Quando avaliados em conjunto, eles ampliam a
capacidade de estratificar riscos e compreender diferentes aspectos da condição
do paciente durante a internação", destaca o Dr. Gustavo Schvartsman, oncologista
do Einstein Hospital Israelita e um dos autores do estudo.
O estudo acompanhou 104 pacientes adultos internados e mostrou
que pacientes com níveis elevados de UCR apresentaram frequência
significativamente maior de internação prolongada do que aqueles com valores
normais (44,8% versus 15,4%). Já o PhA esteve associado ao risco de mortalidade
hospitalar, indicando que valores mais baixos podem refletir pior estado
nutricional e maior vulnerabilidade clínica.
"Em oncologia, a perda de massa muscular está associada a
maior toxicidade dos tratamentos e menor capacidade de manter o planejamento
terapêutico. O aspecto inovador deste estudo é mostrar que marcadores já
disponíveis na rotina assistencial podem ajudar a reconhecer esses pacientes mais
cedo e mobilizar uma atuação integrada de diferentes profissionais, como
médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos, com o objetivo
de preservar a funcionalidade e apoiar melhores condições para o
tratamento", explica o Dr. Diogo Oliveira Toledo, um dos principais
autores do estudo.
Os achados reforçam a importância de uma avaliação abrangente dos
pacientes com câncer desde o início da internação. A combinação desses
marcadores representa uma ferramenta adicional para identificar diferentes
níveis de vulnerabilidade, apoiando o planejamento de cuidados mais
direcionados e personalizados.
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