Pesquisar no Blog

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Além das varizes: atendimento vascular passa a olhar para a saúde e a aparência das pernas

Avanço dos procedimentos ambulatoriais e procura de pacientes com lipedema ampliam as queixas levadas ao consultório. Cirurgião vascular defende avaliação individualizada e distingue o tratamento da doença dos cuidados com pele e contorno corporal.

 

Durante anos, tratar varizes e vasinhos esteve no centro da rotina do cirurgião vascular Henrique Abreu. Com a evolução dos procedimentos, parte dos tratamentos passou a ser realizada em consultório, com técnicas menos invasivas e recuperação mais rápida. Ao mesmo tempo, ele percebeu uma mudança nas consultas: pacientes que buscavam tratar as veias também queriam falar sobre dor, flacidez, celulite e aparência das pernas.

“Demorei a entender que tratar a doença nem sempre era suficiente. A paciente vinha pelas varizes, mas o que a incomodava de verdade eram celulite, flacidez, o contorno. E isso não entrava na consulta vascular tradicional”, relata.

Entre as pacientes que contribuíram para essa mudança de olhar estão mulheres com lipedema. A condição crônica provoca acúmulo desproporcional de tecido adiposo, geralmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços, e pode vir acompanhada de dor, sensibilidade ao toque e facilidade para desenvolver hematomas. Seu cuidado exige avaliação individualizada e pode envolver diferentes profissionais e medidas clínicas. PMC

Segundo Abreu, algumas dessas mulheres chegam ao consultório depois de anos atribuindo as alterações nas pernas apenas ao peso. Durante a avaliação, também relatam incômodos com a pele e o contorno corporal. Embora possam coexistir, essas queixas precisam ser identificadas separadamente para que a paciente entenda o objetivo e os limites de cada cuidado.

“Ela começou a chegar cada vez mais ao consultório, muitas vezes depois de anos ouvindo que o problema era só peso. E foi essa paciente que me fez perceber que tratar apenas a doença não bastava”, afirma.

A mudança levou o médico a aprofundar seus estudos sobre lipedema e a buscar formação em procedimentos voltados à qualidade da pele e ao contorno das pernas e dos glúteos. Em setembro, ele concluiu a certificação Legs360, voltada, segundo o cirurgião, a uma abordagem integrada dessas regiões.

Para Abreu, ampliar a avaliação não significa tratar condições diferentes como se fossem uma só. “Primeiro a gente trata o lipedema: desinflama, controla a dor, cuida da parte vascular. Só num segundo momento a gente avalia e cuida do contorno. Não dá para inverter essa ordem.” O tratamento do lipedema deve considerar os sintomas e as necessidades de cada paciente, com medidas clínicas como parte fundamental do cuidado. PMC

Ele também ressalta que um procedimento para melhorar a aparência da pele não substitui o acompanhamento da doença. “Tratar celulite não trata lipedema, e vice-versa. O que eu posso oferecer, em cada uma, é controle e melhora. Prometer perna nova é desonesto e vai contra a ética médica.”

A proposta, diz o cirurgião, é ouvir o que levou cada paciente ao consultório, investigar as condições presentes e discutir possibilidades de cuidado sem perder de vista a saúde vascular. “Hoje eu não olho mais só para a veia. Eu olho para a perna inteira e para a mulher que vive nela.”

 

Fonte: Dr. Henrique Abreu - Especialista em Cirurgia Vascular

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados