Para algumas
pessoas, basta acordar, abrir uma janela, entrar em um ambiente com
ar-condicionado, mexer em uma roupa guardada ou começar a limpar a casa para
surgir uma verdadeira crise de espirros. Mas, afinal, por que espirramos? Por
que algumas pessoas dão apenas um espirro enquanto outras parecem não conseguir
parar? E existe uma quantidade considerada normal?
Segundo o Dr.
Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista pela Associação
Brasileira de Otorrinolaringologia, não existe um número exato de espirros que,
isoladamente, determine se há ou não uma doença.
“Espirrar dez
vezes seguidas pode chamar atenção, mas o número sozinho diz pouco. Precisamos
observar com que frequência isso acontece, em quais situações e,
principalmente, se existem outros sintomas associados”, explica.
Por que
espirramos?
Apesar de muitas
vezes ser associado imediatamente à gripe ou à alergia, o espirro é, antes de
tudo, um reflexo de proteção do organismo.
O interior do
nariz é revestido por uma mucosa sensível. Quando partículas ou substâncias
irritantes entram em contato com essa região, terminações nervosas podem ser
estimuladas. Essa informação chega ao sistema nervoso e desencadeia uma
resposta automática: uma inspiração seguida por uma expulsão rápida e intensa
de ar pelo nariz e pela boca.
“Podemos entender
o espirro como um mecanismo que tenta eliminar aquilo que está irritando a
mucosa nasal. Poeira, ácaros, pólen, fumaça e outros agentes podem desencadear
essa resposta. É uma reação involuntária, ou seja, acontece antes mesmo de
decidirmos espirrar”, explica Bruno.
É justamente por
isso que tentar segurar um espirro pode ser desconfortável. O organismo já
iniciou uma resposta reflexa destinada a expelir o ar.
Por que
algumas pessoas espirram uma vez e outras dez?
A sensibilidade da
mucosa nasal varia de pessoa para pessoa. Quem tem rinite, por exemplo, pode
apresentar uma resposta mais intensa diante de determinados gatilhos.
Além disso, se o
agente irritante continua presente, novos espirros podem ser desencadeados em
sequência.
“Não existe uma
regra dizendo que um espirro é normal e dez são doença. Algumas pessoas
naturalmente apresentam espirros em sequência. O que chama atenção é quando
essas crises passam a acontecer com muita frequência ou aparecem acompanhadas
de outros sintomas”, afirma o médico.
Poeira, ácaros,
pólen, pelos de animais, fumaça, poluição e perfumes intensos podem desencadear
sintomas em pessoas mais sensíveis. Mudanças de temperatura também podem
provocar sintomas nasais em determinados indivíduos.
“Nem todo espirro
é uma reação alérgica. Existem irritações e outros tipos de rinite que também
podem provocar crises. Por isso, é importante analisar o contexto”, ressalta.
Quando
muitos espirros podem indicar rinite ou gripe?
Mais importante do
que contar quantas vezes você espirrou é observar o conjunto dos sintomas.
Crises recorrentes
de espirros, especialmente quando acompanhadas de coceira no nariz, coriza
aquosa, obstrução nasal e, em alguns casos, coceira ou lacrimejamento dos
olhos, podem estar relacionadas à rinite alérgica.
Outro indício é
perceber um padrão: os sintomas aparecem quando a pessoa limpa a casa? Ao
entrar em contato com poeira? Quando dorme em determinado quarto? Ao mexer em
roupas guardadas? Em determinadas épocas do ano?
“Quando os
episódios são repetitivos e começam a interferir no sono, no trabalho, na
concentração ou na rotina, não faz sentido simplesmente se acostumar a viver
espirrando. É importante descobrir o que está por trás do sintoma”, orienta
Bruno.
O médico ainda
conta que infecções respiratórias também podem causar espirros, mas costumam
apresentar uma evolução e um conjunto de sintomas diferentes. Dependendo da
infecção, podem surgir dor de garganta, mal-estar, tosse, febre e outros
sinais.
Já na rinite
alérgica, sintomas como coceira, espirros em sequência, coriza clara e
obstrução nasal costumam ganhar destaque.
“Um erro comum é
tratar todo nariz que escorre como gripe ou todo nariz entupido como sinusite.
Sintomas parecidos podem ter causas diferentes e, consequentemente, tratamentos
diferentes”, explica.
Tem como
diminuir as crises de espirro?
O primeiro passo é
identificar os possíveis gatilhos. Se houver suspeita de rinite alérgica,
medidas de controle ambiental podem fazer parte do cuidado, especialmente
quando há exposição a poeira e ácaros.
Manter o ambiente
ventilado, reduzir o acúmulo de poeira, higienizar adequadamente roupas de cama
e evitar exposição aos gatilhos já conhecidos pode ajudar. A lavagem nasal com
solução salina também pode ser recomendada em diferentes situações, desde que
realizada de maneira adequada.
Quando as crises
são frequentes, porém, a avaliação médica é importante para determinar a causa
e definir se existe necessidade de tratamento específico.
“Não precisamos
contar cada espirro. Precisamos prestar atenção no padrão. Espirrar várias
vezes em uma situação isolada pode acontecer. Espirrar todos os dias, acordar
constantemente com o nariz obstruído ou conviver com coceira e coriza merece
investigação”, conclui o otorrinolaringologista.
FONTE:
Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.
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