Feridas persistentes, sangramentos, boca seca e
alterações na língua podem exigir investigação; especialistas reforçam que
cuidar da saúde bucal também é cuidar da saúde geral 
UniFG-BA Magnific
Um sangramento na gengiva, uma ferida que demora a cicatrizar, uma alteração na
língua ou mesmo uma sensação persistente de boca seca podem parecer problemas
exclusivamente odontológicos, mas, em alguns casos, essas manifestações podem
estar relacionadas a condições que afetam outras partes do organismo. A boca
pode oferecer pistas importantes sobre a saúde geral e, por isso, alterações
recorrentes não devem ser ignoradas.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a saúde bucal parte integrante da
saúde geral e destaca a existência de uma relação comprovada entre doenças da boca
e quadros sistêmicos. Entre os exemplos está a associação entre diabetes e
doença periodontal: pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver
periodontite e de ter progressão da enfermidade, enquanto a doença periodontal
também pode dificultar o controle da glicemia.
Fatores
como tabagismo, consumo de álcool e alimentação rica em açúcares, por sua vez,
estão relacionados tanto a doenças bucais quanto a outras patologias crônicas.
Sinais de alerta
Entre
os sintomas que devem acender o alerta estão sangramento ou inchaço frequente
das gengivas, dor persistente, mau hálito que não melhora com os cuidados de
higiene, boca excessivamente seca, alterações na cor ou na textura da língua,
manchas ou placas na mucosa, dentes amolecidos, dificuldade para mastigar ou
engolir e feridas que não cicatrizam.
“Um
dos sinais que exige atenção especial é a presença de lesões persistentes”,
destaca Armando Martins Filho, clínico geral e docente do curso de Medicina da
UniFG, integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que atua na
gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil.
De
acordo com o médico, ulcerações na boca que permanecem por mais de 15 dias,
manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, palato ou bochechas, nódulos
no pescoço, rouquidão persistente e dificuldades para mastigar, engolir ou
falar devem ser investigados por um profissional de saúde. “Esses sinais não
significam necessariamente câncer, mas podem indicar a necessidade de uma
avaliação mais detalhada”, pondera.
O
câncer de boca é um dos exemplos em que a observação de alterações na cavidade
oral pode contribuir para o diagnóstico precoce. Segundo o Ministério da Saúde,
feridas que não cicatrizam em até 15 dias, manchas ou caroços devem ser
avaliados por um dentista ou médico. O Instituto Nacional de Câncer (INCA)
destaca ainda que o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas são os
principais fatores de risco para câncer de boca e orofaringe, além da infecção
pelo papilomavírus humano (HPV) e da exposição dos lábios ao sol sem proteção.
Da boca para o restante do organismo
As
disfunções bucais podem estar associadas a diferentes situações. Sangramento e
inflamação das gengivas, por exemplo, são características de doenças
periodontais, enquanto a boca seca pode estar relacionada à desidratação, ao
uso de determinados medicamentos ou a outras condições de saúde. Mudanças na
mucosa e na língua também podem aparecer em casos de deficiências nutricionais
e de alguns distúrbios que podem afetar várias regiões do corpo.
Isso
não significa, entretanto, que uma alteração específica permita diagnosticar
uma doença. “A boca não deve ser vista de forma isolada. Ela faz parte do
organismo, e algumas manifestações podem ser pistas de que existe algo que
precisa ser investigado. Por isso, diante de uma alteração persistente, o ideal
é procurar um profissional e não tentar estabelecer um diagnóstico por conta
própria”, explica o clínico geral.
Prevenção começa pela rotina
A
prevenção das doenças bucais depende de cuidados cotidianos, como escovar os
dentes pelo menos duas vezes ao dia com creme dental fluoretado, realizar a
limpeza entre os dentes, reduzir o consumo frequente de açúcar, não fumar,
moderar o consumo de bebidas alcoólicas e manter consultas regulares com o
cirurgião-dentista.
“Também
é importante conhecer a própria boca. Durante a higiene diária, observar
lábios, língua, gengivas, bochechas e céu da boca pode ajudar a identificar
alterações que não existiam anteriormente. Quando uma lesão, mancha,
sangramento ou outro sintoma persiste, a orientação é procurar atendimento”,
destaca Sheyla Souza, dentista e docente do curso de Odontologia da UniFG.
Uma boca sem os cuidados necessários pode favorecer o surgimento de cáries, gengivite, periodontite, dor, infecções e perda dentária, comprometendo funções como mastigação e fala. Em situações mais avançadas, esses problemas podem interferir na alimentação, no bem-estar e na qualidade de vida.
“Cuidar
da boca não significa apenas evitar cáries ou preservar os dentes. Significa
também manter uma porta de entrada do organismo em boas condições e estar
atento a sinais que podem indicar que algo não vai bem. A prevenção e o
diagnóstico precoce fazem diferença tanto para a saúde bucal quanto para a
saúde como um todo”, complementa a especialista Sheyla Souza.
www.centrouniversitariounifg.edu.br
Inspirali
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