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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Alzheimer e autonomia: 6 cuidados para preservar a independência após o diagnóstico

Adaptações na rotina, estímulos e participação nas decisões podem ajudar a manter habilidades e qualidade de vida pelo maior tempo possível

 

Receber o diagnóstico da doença de Alzheimer traz mudanças para toda a família, mas não significa que a pessoa perca imediatamente a capacidade de realizar tarefas, fazer escolhas ou participar da própria rotina. Especialmente nas fases iniciais, diferentes habilidades podem permanecer preservadas e devem ser estimuladas, sempre considerando as condições individuais e a segurança. 

O tema ganha ainda mais relevância diante do rápido envelhecimento da população brasileira. Atualmente, o país reúne mais de 35 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, faixa etária que já corresponde a cerca de 16,6% dos brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas próximas décadas, essa participação deve aumentar significativamente: em 2050, a população 60+ poderá se aproximar dos 70 milhões e representar quase um em cada três habitantes do país. 

Esse cenário também amplia a atenção para as demências. Segundo o Relatório Nacional sobre a Demência, publicado pelo Ministério da Saúde em 2024, cerca de 1,8 milhão de pessoas viviam com demência no Brasil em 2019. Até 2050, esse número poderá chegar a 5,7 milhões, um crescimento de aproximadamente 206%.

No Dia Mundial da Doença de Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, o Dr. Tiago Garcia de Oliveira, neurologista especialista em Distúrbios do Movimento da MedSênior, explica que um dos desafios após o diagnóstico é encontrar o equilíbrio entre oferecer o suporte necessário e não retirar precocemente a independência. 

“Um diagnóstico de Alzheimer não significa que, a partir daquele momento, a pessoa se tornou incapaz de fazer tudo sozinha. A perda de autonomia acontece de maneira progressiva e varia de uma pessoa para outra. Nas fases iniciais, muitas atividades podem continuar fazendo parte da rotina. O importante é identificar o que ela ainda consegue realizar e oferecer ajuda na medida necessária, sem antecipar limitações que ainda não existem”, explica o neurologista. 

Confira seis cuidados que podem ajudar a preservar a autonomia após o diagnóstico.
 

1. Mantenha a pessoa participando da própria rotina

O receio de que algo dê errado pode fazer com que familiares assumam rapidamente tarefas que a pessoa ainda consegue executar. Escolher a própria roupa, participar do preparo de uma refeição, organizar objetos pessoais ou realizar pequenas tarefas domésticas são exemplos de atividades que podem ser mantidas, desde que sejam seguras.

“Fazer tudo pela pessoa pode parecer uma forma de cuidado, mas é importante permitir que ela continue utilizando as habilidades que estão preservadas. A família pode estar por perto, orientar e ajudar quando necessário, sem necessariamente assumir todas as tarefas”, orienta o médico.
 

2. Simplifique antes de eliminar uma atividade

Quando uma tarefa começa a ficar difícil, pequenas adaptações podem permitir que ela continue sendo realizada. Dividir a atividade em etapas, manter horários previsíveis, deixar objetos de uso frequente nos mesmos lugares e oferecer instruções simples são algumas estratégias.

A ideia é adaptar o dia a dia à medida que as dificuldades aparecem, em vez de retirar atividades automaticamente. Manter uma rotina conhecida e organizada também pode facilitar esse processo.
 

3. Torne a casa uma aliada da independência

Um ambiente organizado e seguro pode favorecer a autonomia. Boa iluminação, retirada de obstáculos e tapetes soltos e manutenção dos objetos de uso frequente em locais conhecidos são adaptações simples que podem facilitar o cotidiano.

Conforme as dificuldades aumentam, outros cuidados podem se tornar necessários, como maior atenção ao acesso a medicamentos, produtos potencialmente perigosos e utensílios que possam representar riscos.
 

4. Preserve a atividade física e o convívio

O diagnóstico não deve significar isolamento. Caminhadas, exercícios adequados à condição física, encontros com familiares e amigos, música e outras atividades prazerosas podem continuar fazendo parte do dia a dia, de acordo com as condições e preferências de cada pessoa.

“A atividade física e o convívio social ajudam a manter uma rotina ativa e com significado. Sempre que possível, vale preservar aquilo de que a pessoa já gostava e adaptar a forma de realizar essas atividades às suas capacidades atuais”, afirma o neurologista.
 

5. Apoie sem infantilizar

Mesmo quando algumas capacidades começam a diminuir, é importante incluir a pessoa nas conversas e decisões sempre que ela tiver condições de participar.

Uma estratégia é simplificar as escolhas. Em vez de perguntas muito abertas, por exemplo, podem ser apresentadas duas opções adequadas. Preferências, gostos e hábitos construídos ao longo da vida também devem ser considerados.
 

“É importante lembrar que a pessoa continua tendo uma história, gostos e preferências. A doença não deve apagar isso. Preservar a autonomia também passa por escutá-la e permitir que participe das decisões que ainda é capaz de tomar”, destaca.
 

6. Reconheça quando é hora de aumentar a supervisão

Preservar a autonomia não significa ignorar riscos. Episódios recorrentes de desorientação, dificuldades para usar medicamentos corretamente, acidentes domésticos ou problemas para realizar atividades cotidianas com segurança podem indicar a necessidade de reavaliar o nível de supervisão.

“Esse equilíbrio muda ao longo da evolução da doença. Uma atividade que hoje pode ser realizada de forma independente talvez exija supervisão no futuro. A ideia não é retirar toda a autonomia diante da primeira dificuldade, mas também não manter uma independência que já não seja segura”, explica o especialista.

O acompanhamento médico e multiprofissional ajuda a identificar essas mudanças e a adaptar os cuidados às necessidades de cada fase. Mais do que antecipar possíveis perdas futuras, o cuidado após o diagnóstico também envolve reconhecer e valorizar aquilo que a pessoa ainda consegue fazer no presente.


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