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A Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) explica como o trauma acontece, quais situações oferecem maior risco e por que, em alguns casos, técnicas de microcirurgia podem preservar o dedo
O caso do streamer Lodk, que teve o dedo anelar amputado depois que o anel ficou preso em uma grade durante o Rock in Rio, chamou atenção para um tipo de acidente pouco conhecido, mas que pode causar lesões graves: a avulsão por anel. O trauma acontece quando a joia se prende a uma grade, máquina, ferramenta ou outro objeto, enquanto o corpo continua em movimento. A força exercida pode provocar danos à pele, tendões, nervos e vasos sanguíneos e, nos casos mais graves, levar à amputação do dedo.
Apesar de parecer um acidente raro, a avulsão por anel pode ter consequências graves. Um estudo publicado em 2017, intitulado Ring Avulsion Injuries: A Systematic Review, reuniu dados de 20 pesquisas sobre o tema, que envolveram 572 pacientes. Entre os 314 casos considerados mais graves, 96 evoluíram para amputação, o equivalente a 30,6%.
“O acidente acontece quando o anel fica preso em alguma ponta ou extremidade firme e o movimento do corpo faz com que ele seja puxado, arrastado para frente e acaba por lesar gravemente ou amputando o dedo”, explica o Dr. Roberto Luiz Sobania, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM).
A avulsão por anel pode acontecer em diferentes situações, principalmente durante a prática de esportes ou em atividades que envolvem trabalho manual. “Esse acidente ocorre em geral nos esportes ou no trabalho. Um exemplo é a aliança que fica presa nos ganchos da trave de futebol, causando a avulsão do dedo. Pular muros e grades também é um mecanismo comum dessa lesão”, explica.
Nem todos os casos de avulsão por anel resultam necessariamente em amputação. Um artigo publicado em 2026 no The Journal of Hand Surgery mostrou que, em determinados tipos de lesão, técnicas de microcirurgia, como a revascularização e o reimplante, podem permitir a preservação do dedo, com taxas de sobrevivência próximas de 80% a 85%. A localização e a extensão da lesão são fatores determinantes para definir a possibilidade e o tipo de tratamento.
A principal forma de evitar esse tipo de acidente é a prevenção. Por isso, a recomendação é retirar anéis e alianças antes de praticar esportes ou realizar atividades que envolvam trabalho manual, máquinas, ferramentas ou estruturas nas quais a joia possa ficar presa. “Uma forma de minimizar o risco ou a gravidade da lesão é usar anéis fendidos, mas a abordagem mais efetiva é a prevenção. Deve-se evitar a prática esportiva ou trabalhos manuais com anéis”, conclui.
SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão
www.cirurgiadamao.org.br

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