Especialista destaca que atrasos vacinais se tornam mais frequentes após os dois anos de idade e alerta para a importância da imunização como ferramenta de proteção individual e coletiva
O
Dia das Crianças costuma ser marcado por brincadeiras, lazer e momentos em
família, mas a data também é um convite para refletir sobre um dos principais
pilares da saúde infantil: a prevenção. Entre os cuidados essenciais está a
manutenção do calendário vacinal atualizado, uma medida capaz de proteger
crianças e adolescentes contra doenças potencialmente graves e evitar a
reintrodução de enfermidades que já estavam controladas no país.
O alerta ganha ainda mais importância em um cenário em que a cobertura vacinal
brasileira ainda enfrenta desafios. Estudos e levantamentos recentes reforçam
essa preocupação. Dados do Ministério da Saúde divulgados em 2026 apontam que
apenas duas vacinas do calendário nacional alcançaram a meta de cobertura
vacinal em 2025.
Segundo a infectologista pediátrica Carolina Brites, um dos principais motivos
para os atrasos acontecem após os primeiros anos de vida. Até os 18 meses de
idade da criança, os pais já sabem que existe uma rotina de vacinação muito
frequente. Depois disso, as doses passam a ser mais espaçadas e é justamente
nesse momento que começam a ocorrer falhas. “Precisamos estar atentos para que
essas vacinas não sejam esquecidas”, explica.
A atenção deve se estender também à adolescência, fase em que muitas famílias
deixam de acompanhar o calendário vacinal com a mesma frequência. É fundamental
lembrar das vacinas respiratórias, como influenza e pneumocócica, além da
vacina contra o HPV, que é extremamente importante para meninos e meninas por
sua capacidade de prevenir diversos tipos de câncer relacionados ao
papilomavírus humano.
Apesar dos avanços recentes, a especialista destaca que algumas vacinas
continuam apresentando baixa adesão da população.
“Infelizmente, observamos queda em coberturas importantes, principalmente da
tríplice viral, da gripe e da Covid-19. Muitas vezes isso acontece porque as
pessoas deixam de conviver com essas doenças e passam a acreditar que elas não
representam mais risco. Também existem mitos que contribuem para a hesitação
vacinal.”
O tema vai além da proteção individual, a vacinação deve ser entendida como uma
questão de saúde pública.
Para as famílias que têm dúvidas sobre a situação vacinal dos filhos, a
orientação é procurar ajuda profissional.
“Não é obrigação dos pais saber exatamente quais vacinas estão faltando. O
ideal é buscar orientação com o pediatra ou com a equipe de enfermagem das
unidades de saúde. Mesmo quando a carteira de vacinação foi perdida, muitos
serviços públicos e privados possuem registros que permitem recuperar o
histórico e atualizar a imunização”, orienta.
Carolina Brites - CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria.Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP.Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.

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