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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Saúde mental na menopausa: por que cuidar das emoções também é parte do tratamento

 No Setembro Amarelo, especialista alerta para os impactos das alterações hormonais sobre o bem-estar emocional e reforça a importância de acompanhamento médico individualizado durante a menopausa

 

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas as transformações hormonais que a acompanham podem repercutir não apenas no corpo, mas também na saúde mental. Alterações de humor, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, insônia e sensação de perda de qualidade de vida podem fazer parte desse período e merecem atenção. Em referência ao Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, a Clínica Elsimar Coutinho chama a atenção para a importância de reconhecer e cuidar dos aspectos emocionais relacionados à transição menopausal. 

Segundo a ginecologista Dra. Daniella Campos Oliveira, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo, a saúde mental deve ser considerada parte fundamental do cuidado integral da mulher na menopausa. Embora nem todo sintoma emocional esteja necessariamente relacionado às alterações hormonais, o período pode ser marcado por mudanças que interferem diretamente no bem-estar e na rotina. 

“A menopausa não é só o fim da menstruação — é uma transição de anos, e a perimenopausa é justamente a janela de maior vulnerabilidade emocional. Nessa fase, o risco de sintomas depressivos pode praticamente dobrar, mesmo em mulheres sem histórico prévio. Ansiedade, insônia, irritabilidade e queda de concentração afetam a qualidade de vida e precisam ser avaliados de forma individualizada, e não normalizados”, afirma a Dra. Daniella. 

A especialista ressalta que a relação entre menopausa e saúde mental é multifatorial. A redução e a oscilação dos níveis hormonais podem contribuir para alterações no sono e humor, enquanto fatores como histórico pessoal de transtornos mentais, estresse, mudanças familiares e profissionais e outras condições de saúde também podem influenciar a experiência de cada mulher. 

“A oscilação hormonal contribui, mas os principais fatores de risco são depressão anterior, insônia, fogachos intensos e estressores de vida — cuidar de pais idosos, mudanças profissionais, luto. Por isso usamos escalas validadas de triagem e investigamos outras causas, como alterações da tireoide, antes de atribuir tudo aos hormônios. É importante evitar tanto a banalização dos sintomas quanto a ideia de que todo sofrimento emocional na menopausa é exclusivamente causado pelos hormônios”, explica a médica. 

“As diretrizes são claras: psicoterapia, especialmente a cognitivo-comportamental, e antidepressivos são a primeira linha para depressão nessa fase. A terapia hormonal pode melhorar o humor na perimenopausa, principalmente quando há fogachos e distúrbio do sono, mas não substitui o tratamento da depressão. Sono, atividade física e rede de apoio completam o cuidado”, complementa.
 

Atenção aos sinais de alerta

Durante a menopausa, alterações emocionais persistentes ou intensas não devem ser encaradas como algo que a mulher simplesmente precisa suportar. Tristeza frequente, isolamento social, perda de interesse por atividades antes prazerosas, desesperança, ansiedade intensa, alterações importantes do sono e do apetite ou pensamentos relacionados à morte exigem atenção profissional. 

No contexto do Setembro Amarelo, a médica reforça que falar sobre sofrimento psíquico é uma forma de cuidado e prevenção. 

“Tristeza persistente, isolamento, desesperança ou pensamentos de morte não são ‘coisa da idade’, são sinais de alerta que exigem ajuda imediata. No Setembro Amarelo, nossa mensagem é que a mulher se sinta segura para falar do que sente, sem julgamentos. Saúde mental é saúde e deve ser tratada com a mesma seriedade que qualquer outro sintoma apresentado durante a menopausa”, destaca a Dra. Daniella. 

A avaliação médica é importante para diferenciar sintomas esperados da transição menopausal de quadros que necessitam de investigação e tratamento específicos. O acompanhamento multidisciplinar, quando necessário, também pode contribuir para uma abordagem mais completa, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais. 

“Cuidar da mulher na menopausa significa olhar para ela de maneira integral. Não se trata apenas de tratar ondas de calor ou outros sintomas físicos, mas de preservar sua qualidade de vida, sua autonomia e seu bem-estar emocional. Quanto mais cedo os sinais forem reconhecidos, melhor o desfecho e maiores as possibilidades de oferecer o cuidado adequado”, conclui a diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho. 

Em caso de sofrimento emocional ou pensamentos de morte, procure ajuda: o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente, 24 horas, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br. 

 

Dra. Daniella Campos Oliveira - ginecologista e obstetra, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo. Possui residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de São Paulo e especialização em Cirurgia Minimamente Invasiva. Também é especialista em Ultrassonografia Geral e em Ginecologia e Obstetrícia pelo IBCC, além de Ginecologia Regenerativa Funcional e Estética pela ABGRE. Sua formação e atuação são pautadas em cirurgia minimamente invasiva, implantes hormonais e em temas voltados à saúde integral da mulher.



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