Parasita pode provocar lesões e infecções pelo excesso de coceira, enquanto tratamento inadequado favorece a reincidência
São Paulo, setembro de 2026 – Um dos
medos dos pais de crianças com idade escolar, o piolho voltou a aparecer em
discussões nas redes sociais e, junto com o assunto, ressurgem dúvidas comuns.
Como se pega? É sinal de falta de higiene? Adultos também estão sujeitos? O que
fazer quando o problema parece resolvido, mas volta dias depois?
A pediculose, nome dado à infestação
por piolhos, pode atingir pessoas de qualquer idade e não tem relação com falta
de higiene. Segundo a pediatra Roberta Lengruber, coordenadora da UTI
pediátrica do Hospital Brasiliense, da Hapvida, um dos principais problemas
associados à infestação são as lesões provocadas pelo excesso de coceira.
“A pele deixa de ser íntegra porque
já está inflamada, já está mais fina. A partir dessa condição, começam a surgir
arranhados ou feridas na cabeça, e isso sim causa infecções até graves”,
explica.
A rapidez com que o parasita se
reproduz é outro problema. Cada fêmea pode colocar de sete a dez ovos por dia,
popularmente conhecido como lêndeas, dando origem a novos piolhos em cerca de
uma semana. Por isso, quanto antes a infestação for identificada e controlada,
menor é a possibilidade de crescimento da população de parasitas.
Como cuidar?
O pente fino é um dos principais
recursos nesse processo de combate ao piolho. A médica recomenda que ele seja
utilizado com cuidado e, de preferência, em um modelo de metal, com os cabelos
desembaraçados e o auxílio de creme para facilitar o deslizamento. Passar o
pente com os fios embaraçados pode provocar dor, arrancar cabelos e até causar
áreas de alopecia.
Para auxiliar na retirada das
lêndeas, pode ser utilizado vinagre como apoio ao pente fino. Segundo a médica,
sua ação ajuda a dissolver a substância que prende o ovo ao fio. A aplicação,
porém, pode causar ardência se houver feridas no couro cabeludo e deve sempre
ter orientação médica.
Outro cuidado importante é
investigar quem teve contato próximo com a criança. Tratar apenas uma pessoa
pode não ser suficiente para interromper o ciclo da infestação. “Se eu trato a
cabeça do meu filho, ele volta para o colégio e encontra uma criança que está
com piolho, ele tem grandes chances de pegar de novo”, afirma Roberta.
A especialista também faz alerta
contra o uso de produtos por conta própria. Inseticidas, tinturas e outras
substâncias podem provocar lesões e reações alérgicas, especialmente quando o
couro cabeludo já está machucado pela coceira. O tratamento com medicamentos
deve ser orientado por um profissional de saúde e considera fatores como idade
e intensidade da infestação.
MITOS E VERDADES SOBRE PIOLHOS
Piolho é sinal de falta de higiene.
MITO
A infestação não depende de o cabelo
estar limpo ou sujo e pode atingir qualquer classe social.
Piolho voa ou pula de uma cabeça
para outra. MITO
O parasita não possui asas nem
pernas adaptadas para saltar. A transmissão ocorre pelo contato próximo e
compartilhamento de objetos como bonés ou escovas.
Cortar o cabelo resolve a
infestação. MITO
O corte pode facilitar a
visualização e o manejo, mas não elimina os parasitas que permanecem na raiz
dos fios.
Animais de estimação transmitem
piolho humano. MITO
Os piolhos que infestam cães e gatos
pertencem a espécies diferentes e não passam para seres humanos.
Produtos como inseticidas e tinturas
são alternativas de tratamento. MITO
A aplicação sem orientação pode
provocar intoxicação, alergias e lesões no couro cabeludo.
Adultos também podem pegar piolho. VERDADE
O parasita não escolhe idade.
Adultos também podem ser infestados quando há contato.
Prender o cabelo ajuda a reduzir o
risco de transmissão. VERDADE
Cabelos longos e soltos têm maior
possibilidade de entrar em contato com a cabeça de outra pessoa.
O pente fino continua importante
mesmo com tratamento. VERDADE
A retirada mecânica ajuda a eliminar
as lêndeas que permanecem presas aos fios.
O vinagre pode ajudar a remover as
lêndeas. VERDADE
Ele pode dissolver a substância que
prende os ovos aos fios, facilitando a ação do pente fino.
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