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| Álida |
Especialistas alertam para sinais do transtorno que podem impactar aprendizado, socialização e desenvolvimento emocional
Dificuldade de concentração, impulsividade,
inquietação e problemas de organização podem afetar diretamente o desempenho
escolar, o convívio social e a autoestima de crianças e adolescentes com
Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Em um cenário em
que os sinais muitas vezes aparecem ainda nos primeiros anos de vida escolar, especialistas
reforçam o papel estratégico de educadores e professores na identificação
precoce de comportamentos que podem indicar a necessidade de avaliação médica
profissional.
O Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica de origem genética,
caracterizada por sintomas desatenção, inquietude e impulsividade. É um dos
transtornos mais frequentemente diagnosticados entre crianças e adolescentes
atendidos em serviços especializados, sua prevalência global estimada varia
entre 3% e 5%. O ambiente escolar costuma ser um dos primeiros espaços onde os
sinais do TDAH se tornam mais perceptíveis, especialmente pela convivência
diária, pelas atividades coletivas e pelas demandas ao aprendizado.
“A escola exerce um papel fundamental porque
é no convívio diário, nas atividades coletivas e nas demandas de aprendizado
que muitas dificuldades passam a aparecer de forma mais evidente. Crianças e
adolescentes com TDAH podem apresentar prejuízos acadêmicos, dificuldade de
socialização e impactos emocionais importantes quando não há acolhimento e
acompanhamento”, explica Ligia de Fátima Nóbrega Reato, Pediatra, Hebiatra e
membro do Departamento Científico de Medicina do Adolescente da Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP).
O diagnóstico do TDAH deve sempre ser
realizado por um especialista, a partir de uma avaliação clínica criteriosa e
individualizada, levando em consideração vários fatores. “O TDAH envolve
diferentes níveis de intensidade e formas de manifestação, o que exige uma
avaliação clínica cuidadosa e individualizada. Muitas vezes, sinais importantes
acabam sendo confundidos com outras questões comportamentais, emocionais ou
dificuldades pontuais da rotina escolar. Por isso, a identificação correta é
fundamental para direcionar o acompanhamento adequado e evitar prejuízos ao
longo do desenvolvimento”, explica Paulo Mattos, psiquiatra e pesquisador do
Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).
Entre os sinais mais frequentes observados em
crianças e adolescentes com TDAH estão:
·
Dificuldade para
manter a atenção em tarefas e atividades;
·
Erros por descuido
em trabalhos escolares;
·
Dificuldade de
organização;
·
Perda frequente de
objetos;
·
Distração com
estímulos externos;
·
Inquietude
excessiva;
·
Impulsividade;
·
Dificuldade de
esperar a própria vez;
·
Fala excessiva.
O diagnóstico correto deve ser feito por meio de avaliação médica especializada, envolvendo anamnese detalhada e análise do histórico comportamental e escolar da criança ou adolescente. As manifestações do transtorno normalmente começam ainda na infância. Pais, cuidadores e educadores devem estar atentos a comportamentos persistentes, como agitação acima da média, dificuldade para dormir, baixa tolerância à frustação e prejuízos contínuos no aprendizado e nas relações sociais.
O Tratamento envolve abordagem
multidisciplinar, incluindo acompanhamento psicológico, suporte escolar e,
quando indicado, tratamento farmacológico. Em 2025, um documento científico da
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) trouxe informações voltadas à infância
e adolescência, sobre diferentes possibilidades terapêuticas para o tratamento
do TDAH, incluindo estimuladores e atomoxetina, primeira terapia não
estimulante comercializada no Brasil desde o final de 2023.
Trilha “TDAH Levado
a Sério na Escola”
Com o objetivo de unir ciência e sala
de aula, a Apsen Farmacêutica lança a trilha “ TDAH Levado à Sério na Escola”,
iniciativa on-line e gratuita voltada à formação de educadores para
identificação precoce de sinais do transtorno e orientação pedagógica adequada
no ambiente escolar. O projeto foi desenvolvido integralmente pelo Instituto
D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) com o apoio institucional da Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP). As escolas que engajarem pelo menos 50% do corpo
docente na trilha receberão o selo “Esta escola leva o TDAH a sério”.
Acreditamos que educação e saúde caminham juntas. Contribuir para que os
educadores possam reconhecer sinais do TDAH e acolher esses estudantes de forma
adequada contribui não apenas para o aprendizado, mas também para inclusão,
desenvolvimento emocional e qualidade de vida de milhares de crianças e
adolescentes”, destaca Vladimir Pereira Alves, Head da franquia do Sistema
Nervoso Central da Apsen.
Campanha já
alcançou mais de mil educadores no Brasil
Criado em 2024 pela Apsen, o projeto
“TDAH Levado à Sério na Escola” já alcançou mais de 1.000 educadores de 220
escolas públicas e particulares do país, passando por cidades como São Paulo,
Rio de Janeiro, Belém, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Pouso Alegre.
Como parte da campanha TDAH Levado a Sério, o projeto busca promover a
conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade
(TDAH), combatendo p preconceito e desinformação, além de reforçar o papel da
escola e dos educadores na jornada de estudantes com o transtorno. A ação reúne
especialistas de áreas como psicologia, educação e psiquiatria para discutir os
impactos do TDAH no desempenho acadêmico, nas relações sociais e no
desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, além de levar orientações
para famílias e equipes pedagógicas.

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