Referência em medicina estética no Brasil, o Dr. Octávio Guarçoni explica que a indicação deve considerar condições de saúde, características anatômicas, intervenções anteriores e os limites de cada técnica para garantir segurança e previsibilidade.
A busca por procedimentos estéticos
se tornou cada vez mais comum, mas o interesse em realizar uma intervenção não
significa que ela seja indicada para todos os pacientes. Em 2026, a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou o “Informe de
Segurança GGMON nº 01/2026 – Riscos do uso de preenchedores dérmicos fora das
indicações previstas nas Instruções de Uso”, alertando para complicações
associadas à utilização desses produtos em regiões anatômicas ou volumes
diferentes dos autorizados.
No documento, a Anvisa explica que preenchedores
dérmicos, como ácido hialurônico, hidroxiapatita de cálcio, ácido poli-L-láctico
e PMMA, possuem indicações específicas de uso e foram avaliados para
determinadas condições. A aplicação fora dessas indicações pode aumentar a
possibilidade de eventos adversos, entre eles oclusão vascular, alterações
visuais, embolia pulmonar e outras complicações. A agência orienta que o
profissional avalie as condições clínicas do paciente, siga as indicações
aprovadas e informe previamente sobre riscos e possíveis complicações.
De acordo com o Dr. Octávio Guarçoni,
referência em medicina estética no Brasil e à frente da Guarçoni Health
Center, clínica com mais de 10 anos de atuação e referência em
saúde integrada, essa lógica deve ser aplicada aos procedimentos estéticos
de maneira geral. A avaliação médica precisa considerar não apenas a queixa apresentada
pelo paciente, mas também anatomia, qualidade dos tecidos, histórico clínico,
medicamentos em uso e intervenções realizadas anteriormente.
“Duas pessoas podem chegar ao
consultório querendo exatamente o mesmo procedimento e terem indicações completamente
diferentes. A anatomia, a qualidade da pele, a quantidade de tecido, o
histórico de intervenções e as condições clínicas fazem parte da decisão. O
procedimento só deve ser indicado depois que esses fatores forem avaliados em
conjunto”, afirma.
O histórico de procedimentos
anteriores merece atenção especial como os preenchimentos, cirurgias,
cicatrizes, fibroses e alterações provocadas por aplicações anteriores podem
modificar a anatomia da região e interferir na segurança de uma nova
intervenção. Em situações nas quais o paciente não sabe informar qual
produto foi utilizado ou passou por diversas aplicações na mesma área, a
avaliação pode exigir ainda mais cautela. A Anvisa também recomenda que o
paciente informe ao profissional sobre a utilização prévia de outros
preenchedores para auxiliar no planejamento.
As expectativas em relação ao resultado
também fazem parte da indicação. Uma técnica pode ser adequada do ponto de
vista médico, mas não ser recomendada quando o resultado esperado pelo paciente
não corresponde ao que pode ser alcançado. Nesses casos, a consulta deve servir
para alinhar o que é possível modificar, quais são os limites da técnica e se o
benefício esperado realmente justifica a intervenção.
“Uma parte importante da consulta é
entender o que o paciente considera um resultado satisfatório. Às vezes, ele
chega buscando uma mudança que aquela técnica não consegue proporcionar. Se eu
sei antes do procedimento que o resultado esperado não é alcançável, realizar a
intervenção pode gerar uma frustração previsível e levar o paciente a buscar
novos procedimentos”, explica o especialista.
Além das características anatômicas e
das expectativas, a avaliação deve identificar condições que possam
aumentar os riscos ou exigir o adiamento da intervenção. Doenças preexistentes,
uso de determinados medicamentos, infecções ou inflamações na região,
alterações na pele e outras condições clínicas podem interferir na indicação. A
popularização dos procedimentos também pode contribuir para a percepção
de que determinadas intervenções são simples e podem ser repetidas sempre que o
efeito diminui. No entanto, cada nova aplicação ou cirurgia acontece em um
organismo que já pode ter passado por outras intervenções, o que pode modificar
os tecidos e o planejamento de uma nova abordagem.
Nesse cenário, reconhecer que um
procedimento não é indicado também faz parte da responsabilidade médica. A
conduta pode ser realizar, adiar, escolher outra técnica ou não intervir,
dependendo das condições encontradas na avaliação.
“O ‘não’ também é uma conduta médica.
Se eu identifico que o risco é maior do que o benefício, que a anatomia não
favorece aquela técnica ou que a expectativa não pode ser alcançada de maneira
segura, não realizar o procedimento é a decisão mais responsável. A função do
médico não é simplesmente atender a um pedido, mas proteger o paciente e
indicar aquilo que realmente faz sentido para ele”, conclui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário