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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Febre do K-beauty: médica alerta sobre riscos de seguir rotina coreana sem adaptar os produtos ao clima tropical do Brasil

Enquanto o mercado de skincare coreano cresce em ritmo acelerado no país, especialistas alertam para diferenças de clima e tipo de pele que podem comprometer os resultados dos produtos 

 

O K-beauty deixou de ser tendência de nicho e virou febre de consumo no Brasil. Segundo dados da consultoria Circana, divulgados em 2026, a participação dos produtos coreanos no mercado brasileiro de skincare saltou de 0,5% em 2023 para mais de 7% no acumulado até maio deste ano, com o número de marcas coreanas atuando no país subindo de 28 para mais de 40 no mesmo período.

O crescimento também aparece nas buscas do consumidor. Levantamento do Google Trends apontou alta de 70% nas buscas pelo termo "k-beauty" em 2025 em comparação com 2024, com termos específicos como "peeling coreano" crescendo 1.150% e "máscara de colágeno coreana" 300% no período. Nas redes sociais, hashtags relacionadas ao tema também explodiram, consolidando o K-beauty como uma das principais tendências de beleza do país.

O problema é que esse boom nem sempre vem acompanhado da informação certa. A rotina de skincare coreana foi desenvolvida para um clima continental, mais seco e frio, voltada para peles menos oleosas que a da população coreana costuma apresentar. O Brasil, por outro lado, tem clima tropical, com calor e umidade elevados na maior parte do ano, o que muda completamente as necessidades da pele do consumidor brasileiro.

"A pele coreana e a brasileira não pedem os mesmos cuidados. Produtos pensados para hidratação intensiva em múltiplas camadas, ideais para um clima seco, podem sobrecarregar peles brasileiras, que já tendem à oleosidade e à predisposição a acne, especialmente em climas mais quentes e úmidos", explica Dra. Letícia Aguiar, médica (CRM/PR 43193).

Outro ponto de atenção está nos ingredientes que ganharam popularidade recente dentro do universo K-beauty, como o PDRN (polidesoxirribonucleotídeo) e os exossomos, substâncias originalmente utilizadas em procedimentos estéticos injetáveis e que passaram a aparecer também em cosméticos de prateleira. A concentração, a forma de uso e a real necessidade desses ativos variam de pessoa para pessoa, o que exige avaliação individual antes da adoção.

"Alguns desses ingredientes têm respaldo científico interessante, mas isso não significa que servem para todo mundo, na mesma concentração e da mesma forma. O consumidor está aderindo à tendência baseado em vídeo de rede social, sem entender que cada pele responde de um jeito diferente", complementa Dra. Letícia.

A médica reforça que a solução não é abrir mão da tendência, mas adaptar a escolha dos produtos ao contexto local. Texturas mais leves, produtos oil-free e o uso combinado de proteção solar de amplo espectro, adaptada à alta incidência de radiação UV no Brasil, tendem a aproveitar melhor os benefícios da filosofia coreana de cuidado com a pele sem gerar efeitos indesejados.

"O ideal é usar a K-beauty como inspiração, e não como manual fechado. Antes de incorporar um produto novo, principalmente os mais concentrados ou voltados a procedimentos específicos, vale a pena passar por uma avaliação com dermatologista para entender o que realmente faz sentido para aquele tipo de pele", finaliza a médica.

 

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