Epilepsia infantil, muito além das convulsões
Neurologista do
Huap-UFF explica os diferentes sinais da doença e destaca que a maioria dos
casos evolui para o controle das crises, permitindo uma infância plena
Cerca de 80% das
epilepsias na infância são classificadas como autolimitadas, ou seja, as crises
tendem a cessar ao longo do desenvolvimento da criança. O dado é destacado pelo
neurologista pediatra Alexandre Fernandes, do Hospital Universitário Antônio
Pedro, da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), vinculado à HU Brasil. O
médico reforça a importância de ampliar a informação sobre a doença e combater
a associação automática entre epilepsia e limitações permanentes.
Às vésperas do Dia
Nacional e Latino-Americano de Conscientização sobre a Epilepsia, celebrado em
9 de setembro, o especialista chama a atenção para o reconhecimento das crises,
a orientação adequada às famílias e a importância do acompanhamento médico.“Na
maioria dos casos, a criança apresenta um desenvolvimento pleno e leva uma vida
absolutamente normal, frequentando a escola e praticando esportes sem
restrições específicas”, afirma Alexandre Fernandes. Segundo o neurologista,
aproximadamente 20% dos casos são considerados de difícil controle, quando não
há resposta satisfatória após a falha de dois esquemas medicamentosos
diferentes.
O Huap, localizado
em Niterói, conta com atendimento especializado em neurologia infantil para
casos de epilepsia, incluindo pacientes com crises de difícil controle, com
suporte de neurofisiologia, eletroencefalografia e acompanhamento
multidisciplinar.
Cuidado durante as crises
Durante uma crise,
a recomendação é manter a calma, registrar o horário de início, proteger a
criança de possíveis ferimentos, colocá-la em uma superfície segura e macia e
mantê-la de lado. “O passo fundamental é manter a calma. Imediatamente,
registre o horário de início da crise para monitorar sua duração”, orienta o
especialista. “Proteja a criança, mantenha-a de lado em superfície macia e
busque atendimento médico”, completa.
O neurologista
ressalta ainda que não se deve tentar conter os movimentos da criança à força
nem colocar objetos em sua boca ou tentar manipular a língua. Essas condutas
podem provocar ferimentos e não contribuem para interromper a crise.
Nem toda
crise convulsiona
As crises
epilépticas podem apresentar manifestações bastante diferentes e não
necessariamente envolvem os movimentos intensos tradicionalmente associados às
convulsões. Dependendo da região do cérebro afetada, uma crise pode provocar
sintomas motores, alterações de sensibilidade ou manifestações autonômicas,
como vômitos, salivação excessiva e perda de urina ou fezes.
“A gente tem
vários tipos diferentes de crises. Elas podem afetar o cérebro inteiro ou
somente uma parte do cérebro, e vai depender da área que foi afetada”, explica
Alexandre Fernandes. Segundo o especialista, os sintomas podem ser motores,
sensitivos, autonômicos ou uma combinação dessas manifestações, o que reforça a
necessidade de avaliação médica diante de episódios suspeitos.
Diagnóstico e
tratamento
O diagnóstico da
epilepsia é feito a partir da avaliação clínica e da investigação
especializada, que pode incluir exames como o eletroencefalograma. O tratamento
depende do tipo de epilepsia e da resposta de cada paciente às terapias disponíveis.
No Huap-UFF, o
ambulatório de neurologia infantil é especializado em epilepsias de difícil
controle e atende pacientes desde recém-nascidos até adolescentes, com suporte
de neurofisiologia, eletroencefalografia e acompanhamento multidisciplinar.
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