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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Epilepsia infantil não significa uma vida com restrições aponta especialista do Huap-UFF

Epilepsia infantil, muito além das convulsões 

Neurologista do Huap-UFF explica os diferentes sinais da doença e destaca que a maioria dos casos evolui para o controle das crises, permitindo uma infância plena
 

Cerca de 80% das epilepsias na infância são classificadas como autolimitadas, ou seja, as crises tendem a cessar ao longo do desenvolvimento da criança. O dado é destacado pelo neurologista pediatra Alexandre Fernandes, do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), vinculado à HU Brasil. O médico reforça a importância de ampliar a informação sobre a doença e combater a associação automática entre epilepsia e limitações permanentes. 

Às vésperas do Dia Nacional e Latino-Americano de Conscientização sobre a Epilepsia, celebrado em 9 de setembro, o especialista chama a atenção para o reconhecimento das crises, a orientação adequada às famílias e a importância do acompanhamento médico.“Na maioria dos casos, a criança apresenta um desenvolvimento pleno e leva uma vida absolutamente normal, frequentando a escola e praticando esportes sem restrições específicas”, afirma Alexandre Fernandes. Segundo o neurologista, aproximadamente 20% dos casos são considerados de difícil controle, quando não há resposta satisfatória após a falha de dois esquemas medicamentosos diferentes. 

O Huap, localizado em Niterói, conta com atendimento especializado em neurologia infantil para casos de epilepsia, incluindo pacientes com crises de difícil controle, com suporte de neurofisiologia, eletroencefalografia e acompanhamento multidisciplinar.
 


Cuidado durante as crises

Durante uma crise, a recomendação é manter a calma, registrar o horário de início, proteger a criança de possíveis ferimentos, colocá-la em uma superfície segura e macia e mantê-la de lado. “O passo fundamental é manter a calma. Imediatamente, registre o horário de início da crise para monitorar sua duração”, orienta o especialista. “Proteja a criança, mantenha-a de lado em superfície macia e busque atendimento médico”, completa.

O neurologista ressalta ainda que não se deve tentar conter os movimentos da criança à força nem colocar objetos em sua boca ou tentar manipular a língua. Essas condutas podem provocar ferimentos e não contribuem para interromper a crise.
 

Nem toda crise convulsiona

As crises epilépticas podem apresentar manifestações bastante diferentes e não necessariamente envolvem os movimentos intensos tradicionalmente associados às convulsões. Dependendo da região do cérebro afetada, uma crise pode provocar sintomas motores, alterações de sensibilidade ou manifestações autonômicas, como vômitos, salivação excessiva e perda de urina ou fezes.

“A gente tem vários tipos diferentes de crises. Elas podem afetar o cérebro inteiro ou somente uma parte do cérebro, e vai depender da área que foi afetada”, explica Alexandre Fernandes. Segundo o especialista, os sintomas podem ser motores, sensitivos, autonômicos ou uma combinação dessas manifestações, o que reforça a necessidade de avaliação médica diante de episódios suspeitos.
 

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da epilepsia é feito a partir da avaliação clínica e da investigação especializada, que pode incluir exames como o eletroencefalograma. O tratamento depende do tipo de epilepsia e da resposta de cada paciente às terapias disponíveis.

No Huap-UFF, o ambulatório de neurologia infantil é especializado em epilepsias de difícil controle e atende pacientes desde recém-nascidos até adolescentes, com suporte de neurofisiologia, eletroencefalografia e acompanhamento multidisciplinar.
 

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