Levantamento da Starbem com cerca de 62 mil pessoas
indica prevalência do sobrepeso, salto nos casos de obesidade ao longo da vida
adulta e gargalo entre o diagnóstico e a jornada de cuidado
Mais de seis em
cada dez trabalhadores brasileiros (62,4%) estão acima do peso e 27,7% já
atingiram a faixa de obesidade. No entanto, o desafio vai além do índice de massa
corporal (IMC): entre as pessoas diagnosticadas com obesidade, 69,9% não
realizaram consultas com nutricionista, nutrólogo ou endocrinologista no
período de 12 meses.
Os dados fazem
parte de um mapeamento inédito realizado pela Starbem,
plataforma de saúde e bem-estar, a partir da análise de dados de 61.845
colaboradores em 210 empresas do país. O levantamento revela
que a maior faixa individual da população estudada está na categoria de sobrepeso
(34,7% / 21.463 pessoas) — volume quase equivalente ao do grupo
em faixa de peso adequado (35,4% / 21.893 pessoas). Além disso, a obesidade
severa ou mórbida (grau III, com IMC > 40) é mais prevalente entre as
mulheres (3,8%) do que entre os homens (2,9%).
Para a
nutricionista Carolina Codicasa, head de Nutrição da Starbem, o número
de pessoas com obesidade sem acompanhamento especializado expõe um viés
comportamental importante: a tendência de buscar ajuda profissional apenas no
momento da crise ou por meio de dietas restritivas e pontuais. "Cuidar
do peso não significa simplesmente fazer uma dieta. Constância e organização
são fundamentais nesse processo. Quando falamos em adaptar a rotina, não
estamos propondo padronizar estilos de vida, mas encontrar estratégias
possíveis para cada pessoa, que possam ser incorporadas ao dia a dia e
contribuir para uma melhor qualidade de vida de forma sustentável",
explica a nutricionista.
O médico
cardiologista e CEO da Starbem, Leandro Rubio, destaca que a
existência de um benefício ou serviço à disposição não garante a adesão ao
tratamento: "O dado mais importante não é apenas a quantidade de
pessoas acima do peso, mas a distância que ainda existe entre ter um recurso de
saúde disponível e efetivamente entrar em uma jornada de cuidado",
avalia.
Obesidade
dispara com o avanço da idade
O estudo mostra
uma clara progressão do IMC ao longo da vida adulta, evidenciando que a
prevalência da obesidade salta de 18,7% na faixa jovem para 33,6% na
maturidade:
18 a 24 anos: 18,7% em obesidade (IMC mediano: 24,5)
25 a 34 anos: 27,5% em obesidade (IMC mediano: 26,5)
35 a 44 anos: 33,4% em obesidade (IMC mediano: 27,7)
45 a 54 anos: 33,6% em obesidade (IMC mediano: 27,9)
55 anos ou
mais: 30,5% em obesidade (IMC
mediano: 27,5)
Esse crescimento
contínuo chama atenção para o acúmulo de fatores típicos da rotina adulta —
como aumento da carga de trabalho, rotinas sedentárias, alterações do sono e
alimentação desorganizada —, reforçando que a prevenção deve focar na criação
de hábitos sustentáveis desde a juventude.
Um panorama
nacional e homogêneo
A pesquisa também
aponta que a distribuição da obesidade é uniforme independentemente do porte da
empresa onde o colaborador trabalha (variando entre 26,9% e 28,8% desde
pequenas empresas a corporações com mais de 2 mil funcionários).
No recorte
regional entre os estados com maior volume de dados, São Paulo lidera a
prevalência de obesidade com 28,8%, seguido pelo Rio de Janeiro (28,6%) e Rio
Grande do Sul (27,6%), enquanto o Distrito Federal apresenta o menor índice do
grupo, com 23,4%.
TABELA DE
DADOS: Distribuição de IMC na População Estudada
|
(Fonte: Data Lake
Starbem / Base com 61.845 registros válidos)
Sobre o Levantamento
O levantamento "Retrato do IMC" foi apurado em agosto de 2026 pela Starbem. Os dados foram extraídos do prontuário do aplicativo a partir de informações autodeclaradas de peso e altura por 61.845 colaboradores com contratos ativos em 210 empresas (representando 21% da base total de 293 mil vidas ativas). O cruzamento de acompanhamento clínico considerou consultas finalizadas nas especialidades de Nutrição, Nutrologia e Endocrinologia realizadas na plataforma entre agosto de 2025 e agosto de 2026. Os dados medem o acompanhamento dentro da plataforma da Starbem e não excluem atendimentos realizados pelos usuários via SUS ou rede privada.
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