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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

69,9% das pessoas que têm obesidade não buscam acompanhamento, revela estudo da Starbem realizado com mais de 60 mil pessoas

Levantamento da Starbem com cerca de 62 mil pessoas indica prevalência do sobrepeso, salto nos casos de obesidade ao longo da vida adulta e gargalo entre o diagnóstico e a jornada de cuidado
 

Mais de seis em cada dez trabalhadores brasileiros (62,4%) estão acima do peso e 27,7% já atingiram a faixa de obesidade. No entanto, o desafio vai além do índice de massa corporal (IMC): entre as pessoas diagnosticadas com obesidade, 69,9% não realizaram consultas com nutricionista, nutrólogo ou endocrinologista no período de 12 meses

Os dados fazem parte de um mapeamento inédito realizado pela Starbem, plataforma de saúde e bem-estar, a partir da análise de dados de 61.845 colaboradores em 210 empresas do país. O levantamento revela que a maior faixa individual da população estudada está na categoria de sobrepeso (34,7% / 21.463 pessoas) — volume quase equivalente ao do grupo em faixa de peso adequado (35,4% / 21.893 pessoas). Além disso, a obesidade severa ou mórbida (grau III, com IMC > 40) é mais prevalente entre as mulheres (3,8%) do que entre os homens (2,9%). 

Para a nutricionista Carolina Codicasa, head de Nutrição da Starbem, o número de pessoas com obesidade sem acompanhamento especializado expõe um viés comportamental importante: a tendência de buscar ajuda profissional apenas no momento da crise ou por meio de dietas restritivas e pontuais. "Cuidar do peso não significa simplesmente fazer uma dieta. Constância e organização são fundamentais nesse processo. Quando falamos em adaptar a rotina, não estamos propondo padronizar estilos de vida, mas encontrar estratégias possíveis para cada pessoa, que possam ser incorporadas ao dia a dia e contribuir para uma melhor qualidade de vida de forma sustentável", explica a nutricionista. 

O médico cardiologista e CEO da Starbem, Leandro Rubio, destaca que a existência de um benefício ou serviço à disposição não garante a adesão ao tratamento: "O dado mais importante não é apenas a quantidade de pessoas acima do peso, mas a distância que ainda existe entre ter um recurso de saúde disponível e efetivamente entrar em uma jornada de cuidado", avalia.
 

Obesidade dispara com o avanço da idade 

O estudo mostra uma clara progressão do IMC ao longo da vida adulta, evidenciando que a prevalência da obesidade salta de 18,7% na faixa jovem para 33,6% na maturidade:

18 a 24 anos: 18,7% em obesidade (IMC mediano: 24,5)

25 a 34 anos: 27,5% em obesidade (IMC mediano: 26,5)

35 a 44 anos: 33,4% em obesidade (IMC mediano: 27,7)

45 a 54 anos: 33,6% em obesidade (IMC mediano: 27,9)

55 anos ou mais: 30,5% em obesidade (IMC mediano: 27,5) 

Esse crescimento contínuo chama atenção para o acúmulo de fatores típicos da rotina adulta — como aumento da carga de trabalho, rotinas sedentárias, alterações do sono e alimentação desorganizada —, reforçando que a prevenção deve focar na criação de hábitos sustentáveis desde a juventude.
 

Um panorama nacional e homogêneo 

A pesquisa também aponta que a distribuição da obesidade é uniforme independentemente do porte da empresa onde o colaborador trabalha (variando entre 26,9% e 28,8% desde pequenas empresas a corporações com mais de 2 mil funcionários). 

No recorte regional entre os estados com maior volume de dados, São Paulo lidera a prevalência de obesidade com 28,8%, seguido pelo Rio de Janeiro (28,6%) e Rio Grande do Sul (27,6%), enquanto o Distrito Federal apresenta o menor índice do grupo, com 23,4%.
 

TABELA DE DADOS: Distribuição de IMC na População Estudada

Classificação da OMS

Faixa de IMC

% da População

N° de Colaboradores

Abaixo do peso

< 18,5

2,2%

1.379

Peso adequado

18,5 a 24,9

35,4%

21.893

Sobrepeso

25,0 a 29,9

34,7%

21.463

Obesidade Grau I

30,0 a 34,9

17,6%

10.895

Obesidade Grau II

35,0 a 39,9

6,6%

4.074

Obesidade Grau III

> 40,0

3,5%

2.141

(Fonte: Data Lake Starbem / Base com 61.845 registros válidos)
 

Sobre o Levantamento

O levantamento "Retrato do IMC" foi apurado em agosto de 2026 pela Starbem. Os dados foram extraídos do prontuário do aplicativo a partir de informações autodeclaradas de peso e altura por 61.845 colaboradores com contratos ativos em 210 empresas (representando 21% da base total de 293 mil vidas ativas). O cruzamento de acompanhamento clínico considerou consultas finalizadas nas especialidades de Nutrição, Nutrologia e Endocrinologia realizadas na plataforma entre agosto de 2025 e agosto de 2026. Os dados medem o acompanhamento dentro da plataforma da Starbem e não excluem atendimentos realizados pelos usuários via SUS ou rede privada. 

 


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