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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Mais de 62% dos trabalhadores brasileiros estão acima do peso, aponta estudo da Starbem

Levantamento com 61 mil colaboradores mostra aumento da obesidade com a idade e revela distância entre diagnóstico e busca por acompanhamento especializado

 

Mais de seis em cada dez trabalhadores brasileiros estão acima do peso. É o que aponta um levantamento realizado pela Starbem, plataforma de saúde e bem-estar corporativo, com 61 mil colaboradores de 210 empresas. Segundo o estudo, 62,4% apresentam sobrepeso ou algum grau de obesidade, um cenário que ganha contornos ainda mais relevantes quando analisado por faixa etária: a prevalência de obesidade praticamente dobra entre os 20 e os 50 anos. 

Os dados também mostram diferenças entre homens e mulheres. O excesso de peso aparece em 66,6% dos homens e 59,8% das mulheres. Já entre os casos mais graves, a obesidade grau III atinge 3,8% das mulheres, contra 2,9% dos homens. 

Para a nutricionista Carolina Codicasa, head de Nutrição da Starbem, os números mostram que o cuidado com o peso precisa ir além da lógica de dietas pontuais ou mudanças radicais de rotina. “Cuidar do peso não significa simplesmente fazer uma dieta. Constância e organização são fundamentais nesse processo. E, quando falamos em adaptar a rotina, não estamos propondo padronizar estilos de vida, mas encontrar estratégias possíveis para cada pessoa, que possam ser incorporadas ao dia a dia e contribuir para uma melhor qualidade de vida.” 

Um dos principais alertas do levantamento aparece quando os dados são cruzados com o acompanhamento especializado. Entre os 17.110 trabalhadores identificados com obesidade, 11.953 não tiveram registro de consulta com nutricionista ou endocrinologista nos 12 meses anteriores dentro da plataforma, o equivalente a 69,9%

O dado não significa que essas pessoas não tenham acompanhamento por outras vias, como planos de saúde próprios, SUS ou rede particular. Ainda assim, segundo a Starbem, o resultado evidencia uma dificuldade importante: identificar um problema de saúde não significa necessariamente iniciar uma jornada de cuidado

“O dado mais importante não é apenas a quantidade de pessoas acima do peso, mas a distância que ainda existe entre ter um benefício de saúde disponível e efetivamente entrar em uma jornada de cuidado”, afirma Leandro Rubio, médico cardiologista e CEO da Starbem

Para Carolina, essa distância pode estar relacionada à própria forma como o emagrecimento costuma ser encarado. Em vez de um processo contínuo de cuidado, muitas pessoas ainda associam a perda de peso a períodos de restrição, metas rápidas ou mudanças difíceis de sustentar. “Cuidar do peso não significa simplesmente fazer uma dieta. Constância e organização são fundamentais nesse processo”, reforça a nutricionista.
 

Obesidade aumenta com a idade 

O recorte etário é outro ponto de atenção do estudo. Os dados mostram uma evolução importante da obesidade entre os trabalhadores ao longo da vida adulta, com a prevalência praticamente dobrando entre os 20 e os 50 anos. O resultado chama atenção para uma fase em que mudanças na rotina podem se acumular: maior carga de trabalho, menos tempo disponível para atividade física, alterações no sono, alimentação desorganizada e dificuldade de manter hábitos de saúde de forma consistente. 

A questão, portanto, não é apenas o peso registrado em determinado momento, mas a construção de uma rotina capaz de sustentar hábitos de saúde ao longo do tempo.
 

Excesso de peso exige acompanhamento 

O excesso de peso e a obesidade estão associados a maior risco de diversas condições de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e problemas articulares. Por isso, a recomendação não deve se resumir a dietas ou estratégias isoladas de emagrecimento. O acompanhamento individualizado permite avaliar o contexto de cada pessoa, seus hábitos, histórico de saúde e possíveis fatores associados ao ganho de peso. 

“Quando falamos em adaptar a rotina, não estamos propondo padronizar estilos de vida, mas encontrar estratégias possíveis para cada pessoa”, explica Carolina. Para a especialista, a mudança sustentável passa justamente por abandonar a ideia de que existe uma única fórmula para cuidar do peso e construir estratégias que possam ser incorporadas à vida real.
  

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