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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Doenças cardiovasculares: onde estão as lacunas entre prevenção, diagnóstico e acesso ao tratamento?

 No Mês do Coração, Colabore com o Futuro e o Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC) alertam para disparidades nos desfechos de saúde pública e reforçam a importância de conectar a experiência dos pacientes à formulação de políticas no SUS

 

As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte e o maior desafio de saúde pública do Brasil. Embora avanços na prevenção, no diagnóstico e no tratamento tenham ampliado as possibilidades de cuidado, ainda existem lacunas entre o que está previsto nas políticas de saúde e o que chega efetivamente ao paciente. É nesse contexto que a Colabore com o Futuro, por meio do Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC), aproveita o Mês do Coração para colocar em discussão os desafios da jornada cardiovascular no SUS e o papel da participação social na construção de respostas mais efetivas.
 

O gargalo entre a inovação, o protocolo e o acesso real 

Por trás das estatísticas de mortalidade, estão histórias reais de vidas interrompidas, sonhos adiados e famílias impactadas por infartos e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). As diferenças no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado podem interferir diretamente na jornada dessas pessoas e nos desfechos em saúde. Por isso, além de ampliar o acesso à informação, o debate passa pela identificação das lacunas ainda existentes na rede pública e pela construção de políticas que considerem a realidade dos pacientes. 

Embora a cardiologia brasileira seja referência internacional em inovação e conhecimento técnico, essa excelência nem sempre se reflete no dia a dia de quem depende da rede pública. A jornada do paciente no SUS enfrenta gargalos estruturais históricos: mesmo com avanços como a incorporação da Estratificação do Risco Cardiovascular, uma conquista construída a partir da mobilização da Colabore com o Futuro com o GAC, permanecem desafios para garantir que a identificação de pacientes em maior risco seja acompanhada de prevenção, acompanhamento contínuo e acesso oportuno à linha de cuidado especializada. Essa espera prolongada entre o diagnóstico inicial e a linha de cuidado especializada custa vidas e deixa sequelas permanentes que afetam a rotina de trabalho, a saúde emocional e a subsistência familiar, eventos graves que poderiam ser prevenidos com acompanhamento contínuo e acesso oportuno.
 

Mobilização de milhões de brasileiros: da projeção no Congresso às salas de decisão 

Frente ao cenário alarmante do infarto e do AVC, a atuação de advocacy coordenada pelo Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC), rede criada em 2017 e coordenada pela Colabore com o Futuro, organização de impacto social na área da saúde que atua com advocacy, mobilização social e articulação institucional, tem provocado mudanças concretas no SUS. A articulação integra o histórico da Colabore, cujas campanhas e ações de saúde pública já contribuíram para decisões com potencial de impactar mais de 22 milhões de brasileiros
 

Diagnóstico preventivo na atenção básica: Após intensa mobilização institucional do GAC, a Estratificação do Risco Cardiovascular foi oficialmente incorporada ao SUS, permitindo que as unidades básicas de saúde identifiquem previamente pacientes em alto risco e organizem o acompanhamento preventivo antes da ocorrência de eventos graves.
 

Alertas nacionais no Congresso: Para tirar o debate das salas fechadas e alertar a sociedade e os parlamentares, o movimento levou projeções visuais de conscientização para a fachada do Congresso Nacional em Brasília e promoveu a iluminação de monumentos públicos de vermelho durante o Mês do Coração.
 

Articulação por uma Política Nacional permanente: A articulação contínua no Legislativo impulsionou a apresentação do Projeto de Lei da Política Nacional de Prevenção e Controle das Doenças Cardiovasculares, além de motivar a criação da Câmara Técnica Assessora em Atenção Cardiovascular pelo Ministério da Saúde. 

“Garantir que uma diretriz ou tecnologia em saúde seja aprovada é apenas metade do caminho. O grande desafio das políticas públicas no Brasil é assegurar que o paciente encontre esse cuidado disponível na ponta, perto da sua casa e sem atrasos desnecessários. A participação social e a escuta ativa da experiência real das pessoas são indispensáveis para desenhar soluções que efetivamente funcionem no SUS.” afirma Carolina Cohen, fundadora da Colabore com o Futuro.
 

Campanha 'Fale de Coração 2026' engaja especialistas e pacientes 

Em setembro de 2026, a campanha Fale de Coração atinge a sua 7ª edição consecutiva como uma das principais forças de mobilização do Mês do Coração. Criada em 2020 pelo GAC, a iniciativa desmistifica a cardiologia através do compartilhamento de conteúdos simples, acessíveis e focados em prevenção, culminando no Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. 

Ao longo de sete anos de trajetória, a campanha consolidou um histórico de forte alcance e engajamento social: promoveu testes de avaliação de risco cardiovascular online para a população, veiculou mensagens de conscientização em formato gigante na fachada do Congresso Nacional em Brasília, e realizou a iluminação simbólica de monumentos públicos de vermelho no DF, Espírito Santo e Goiás. Na edição de 2026, a mobilização ganha escala digital com a publicação de pílulas em vídeo gravadas por médicos especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), representantes do Ministério da Saúde e outros, reforçando que a informação qualificada é a primeira e mais eficaz ferramenta de prevenção.
 

Acompanhe a campanha nas redes: Os vídeos com dicas de cardiologistas estão sendo publicados ao longo de todo o mês de setembro no perfil oficial do Instagram do GAC (@gac.brasil).
  

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