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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Após dez anos, SUS atualiza protocolo para hipoparatireoidismo e reforça importância do diagnóstico e acompanhamento

 

Novo documento amplia orientações para o cuidado de pacientes, com estratégias de prevenção de complicações, tratamento não medicamentoso e acompanhamento multiprofissional; Atualização teve participação do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, por meio do Proadi-SUS

 

O Ministério da Saúde publicou a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Hipoparatireoidismo, que estabelece as recomendações nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova versão substitui o protocolo de 2016 e teve o apoio metodológico da Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde (UATS) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em sua elaboração, em parceria com o Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). 

Entre os principais avanços está o reforço das estratégias de prevenção do hipoparatireoidismo pós-cirúrgico, além da inclusão de orientações não medicamentosas, como cuidados nutricionais, educação em saúde e medidas para favorecer a adesão ao tratamento. O documento também atualiza os critérios de diagnóstico, o monitoramento dos pacientes e o cuidado das complicações associadas à doença. 

Para Rosa Luchetta, Gerente de Pesquisa e Projetos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a atualização amplia a abordagem para além do tratamento medicamentoso. “Um dos principais avanços desta atualização é reforçar que o cuidado com o hipoparatireoidismo também passa pela prevenção, especialmente no contexto das cirurgias cervicais, que estão relacionadas à maior parte dos casos da doença. O protocolo traz orientações para a preservação das paratireoides durante os procedimentos, além de reforçar o monitoramento e a identificação precoce da hipocalcemia no pós-operatório. Também são fortalecidas as recomendações para o acompanhamento contínuo e multiprofissional dos pacientes, contribuindo para um cuidado mais completo e individualizado.” 

O hipoparatireoidismo é uma doença caracterizada pela ausência ou por níveis inadequadamente baixos do hormônio da paratireoide (PTH), que participa da regulação do cálcio e do fósforo no organismo. A redução do PTH pode causar hipocalcemia e hiperfosfatemia. Entre as manifestações estão formigamentos, dores musculares e cãibras. Em casos mais graves, podem ocorrer convulsões e alterações cardíacas. 

A atualização reforça os critérios para confirmação do diagnóstico, que considera a presença de hipocalcemia associada a níveis baixos ou inadequadamente baixos de PTH. A avaliação pode incluir exames de fósforo, magnésio, creatinina, vitamina D e cálcio urinário, e o tratamento medicamentoso deve ser iniciado após a confirmação diagnóstica. 

A prevenção ganha destaque porque a forma pós-cirúrgica responde por aproximadamente 75% dos casos descritos na literatura analisada pelo PCDT. Cirurgias extensas da tireoide e outros procedimentos cervicais estão entre os principais fatores de risco. Para reduzir a ocorrência da doença, o documento recomenda a preservação das glândulas paratireoides durante os procedimentos e, em casos de remoção inadvertida ou lesão irreversível, considera a possibilidade de autotransplante. No pós-operatório, recomenda-se o monitoramento dos níveis de cálcio, especialmente nas primeiras 24 a 48 horas, além de suplementação de cálcio e vitamina D e orientação sobre os sinais de hipocalcemia. 

O tratamento convencional recomendado inclui sais de cálcio e análogo de vitamina D, com ajustes de acordo com as características clínicas de cada paciente. Entre as medidas não medicamentosas estão a orientação para uma alimentação com menor teor de fósforo e a redução do consumo de alimentos processados que utilizam aditivos à base desse mineral. O novo PCDT também não recomenda mais o uso do alfacalcidol, medicamento excluído do SUS em 2024. 

O documento reforça ainda a importância do acompanhamento contínuo, da educação em saúde e da atuação multiprofissional, incluindo orientação sobre o uso dos medicamentos e identificação de problemas relacionados à adesão e à segurança do tratamento. A Atenção Primária à Saúde tem papel importante na detecção precoce, no acompanhamento e no encaminhamento para a atenção especializada quando necessário. 

O novo PCDT tem abrangência nacional e deve orientar estados, Distrito Federal e municípios na organização da rede assistencial, definição dos serviços de referência e estabelecimento dos fluxos de atendimento às pessoas com hipoparatireoidismo no SUS. A publicação revoga a Portaria SAS/MS nº 450, de 29 de abril de 2016, que estabelecia o protocolo anterior. 

O documento completo do PCDT pode ser acessado no portal da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde): Link

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz


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