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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Cansaço, queda de cabelo e dificuldade de concentração podem ser sinais de deficiência de ferro

Condição pode existir mesmo antes do desenvolvimento de anemia; investigação ajuda a identificar a causa e evita suplementação desnecessária 

 

Cansaço que não melhora mesmo após uma noite de sono, dificuldade para se concentrar, queda de cabelo, fraqueza e indisposição são sintomas comuns e que muitas vezes acabam atribuídos à rotina intensa, ao estresse ou à falta de descanso. Quando persistentes ou aparecem em conjunto, porém, podem indicar que os estoques de ferro do organismo estão baixos e merecem investigação. 

A deficiência de ferro é considerada um importante problema de saúde pública e atinge principalmente crianças, gestantes e mulheres em idade fértil. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2023, 30,7% das mulheres entre 15 e 49 anos apresentavam anemia no mundo. A deficiência de ferro é a causa nutricional mais comum da condição, embora nem toda anemia seja provocada pela falta do mineral. 

“Os sintomas podem ser bastante inespecíficos. Uma pessoa pode sentir cansaço, dificuldade de concentração ou perceber uma queda maior de cabelo e não associar isso à deficiência de ferro. Por isso, quando essas manifestações persistem, é importante investigar em vez de simplesmente normalizá-las ou iniciar uma suplementação por conta própria”, explica Maria Gabriela de Lucca, médica patologista do Grupo DB. 

O ferro é essencial para diferentes funções do organismo, entre elas a produção de hemoglobina, proteína presente nas células vermelhas do sangue responsável pelo transporte de oxigênio. Quando as reservas começam a diminuir, o organismo pode apresentar sinais antes mesmo de o quadro evoluir para uma anemia propriamente dita. 

Isso significa que um hemograma sem anemia não necessariamente encerra a investigação quando existe suspeita clínica de deficiência de ferro. Entre os exames utilizados está a dosagem de ferritina, proteína que funciona como marcador dos estoques de ferro no organismo. Outros parâmetros laboratoriais podem ser solicitados pelo médico de acordo com cada caso. 

“Existe uma diferença importante entre deficiência de ferro e anemia por deficiência de ferro. É possível ter estoques reduzidos do mineral sem ainda apresentar anemia. A investigação laboratorial ajuda a entender em qual situação o paciente se encontra e, principalmente, direciona a busca pela causa”, afirma Dra. Maria Gabriela. 

E descobrir por que o ferro está baixo é tão importante quanto identificar a deficiência. Alimentação com baixa oferta do mineral é uma possibilidade, mas perdas de sangue, menstruação intensa, gestação, alterações gastrointestinais que comprometem a absorção e sangramentos do trato digestivo também podem estar envolvidos. 

No Brasil, uma revisão sistemática com 83 estudos estimou prevalência de anemia por deficiência de ferro de aproximadamente 25% entre mulheres em idade fértil, reforçando a atenção necessária especialmente nesse grupo. 

A suplementação de ferro, portanto, não deve ser iniciada apenas com base nos sintomas. Cansaço, queda de cabelo e dificuldade de concentração podem estar relacionados a diversas outras condições, e até mesmo alterações nos níveis de ferritina precisam ser interpretadas considerando o estado geral de saúde do paciente. 

“O objetivo não é apenas repor ferro, mas entender por que existe uma deficiência. Quando tratamos sem investigar a origem, podemos deixar passar uma condição que precisa de atenção. O diagnóstico correto permite definir tanto a necessidade de reposição quanto a abordagem da causa”, completa a especialista.
 

Grupo DB


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