Condição pode existir mesmo antes do
desenvolvimento de anemia; investigação ajuda a identificar a causa e evita
suplementação desnecessária
Cansaço que não melhora mesmo após uma noite de sono, dificuldade
para se concentrar, queda de cabelo, fraqueza e indisposição são sintomas
comuns e que muitas vezes acabam atribuídos à rotina intensa, ao estresse ou à
falta de descanso. Quando persistentes ou aparecem em conjunto, porém, podem
indicar que os estoques de ferro do organismo estão baixos e merecem
investigação.
A deficiência de ferro é considerada um importante problema de
saúde pública e atinge principalmente crianças, gestantes e mulheres em idade
fértil. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2023, 30,7%
das mulheres entre 15 e 49 anos apresentavam anemia no mundo. A deficiência de
ferro é a causa nutricional mais comum da condição, embora nem toda anemia seja
provocada pela falta do mineral.
“Os sintomas podem ser bastante inespecíficos. Uma pessoa pode
sentir cansaço, dificuldade de concentração ou perceber uma queda maior de
cabelo e não associar isso à deficiência de ferro. Por isso, quando essas
manifestações persistem, é importante investigar em vez de simplesmente
normalizá-las ou iniciar uma suplementação por conta própria”, explica Maria
Gabriela de Lucca, médica patologista do Grupo DB.
O ferro é essencial para diferentes funções do organismo, entre
elas a produção de hemoglobina, proteína presente nas células vermelhas do
sangue responsável pelo transporte de oxigênio. Quando as reservas começam a
diminuir, o organismo pode apresentar sinais antes mesmo de o quadro evoluir
para uma anemia propriamente dita.
Isso significa que um hemograma sem anemia não necessariamente
encerra a investigação quando existe suspeita clínica de deficiência de ferro.
Entre os exames utilizados está a dosagem de ferritina, proteína que funciona
como marcador dos estoques de ferro no organismo. Outros parâmetros
laboratoriais podem ser solicitados pelo médico de acordo com cada caso.
“Existe uma diferença importante entre deficiência de ferro e
anemia por deficiência de ferro. É possível ter estoques reduzidos do mineral
sem ainda apresentar anemia. A investigação laboratorial ajuda a entender em
qual situação o paciente se encontra e, principalmente, direciona a busca pela
causa”, afirma Dra. Maria Gabriela.
E descobrir por que o ferro está baixo é tão importante quanto
identificar a deficiência. Alimentação com baixa oferta do mineral é uma
possibilidade, mas perdas de sangue, menstruação intensa, gestação, alterações
gastrointestinais que comprometem a absorção e sangramentos do trato digestivo
também podem estar envolvidos.
No Brasil, uma revisão sistemática com 83 estudos estimou
prevalência de anemia por deficiência de ferro de aproximadamente 25% entre
mulheres em idade fértil, reforçando a atenção necessária especialmente nesse
grupo.
A suplementação de ferro, portanto, não deve ser iniciada apenas
com base nos sintomas. Cansaço, queda de cabelo e dificuldade de concentração
podem estar relacionados a diversas outras condições, e até mesmo alterações
nos níveis de ferritina precisam ser interpretadas considerando o estado geral
de saúde do paciente.
“O objetivo não é apenas repor ferro, mas entender por que existe
uma deficiência. Quando tratamos sem investigar a origem, podemos deixar passar
uma condição que precisa de atenção. O diagnóstico correto permite definir tanto
a necessidade de reposição quanto a abordagem da causa”, completa a
especialista.
Grupo DB
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