Pesquisar no Blog

terça-feira, 29 de setembro de 2026

IA muda jornada de compra e desafia varejo antes da Black Friday

 Buscas mais longas e contextualizadas ampliam a influência da inteligência artificial nas decisões de compra antes da data promocional, destacaram especialistas em e-commerce no 11º Latam Retail Show


A forma como o consumidor pesquisa antes de comprar está mudando com o avanço da inteligência artificial. Em vez de buscar apenas um produto, o cliente passou a apresentar à ferramenta o problema que pretende resolver, incluindo informações sobre contexto, preferências e necessidades.

A mudança de comportamento que pode determinar os passos dos lojistas até a Black Friday deste ano - e às próximas - foi discutida no painel "Black Friday no modo IA), apresentado no 11º Latam Retail Show, evento recém-realizado pela Gouvêa Ecosystem no Distrito do Anhembi.

Segundo Nathália Camargo, líder de e-commerce do Google Customer Solutions, as buscas realizadas no Modo IA são três vezes mais longas do que as pesquisas tradicionais. Isso acontece porque o consumidor passou a formular perguntas mais completas e conversacionais, descrevendo a situação que pretende resolver em vez de apenas indicar o produto que deseja. Para ela, a transformação torna a jornada de compra mais rápida, mas também mais profunda, já que a ferramenta reúne diferentes informações em uma única resposta.

Dados apresentados na palestra mostram que 77% dos usuários afirmam tomar decisões de compra mais rapidamente com recursos como o AI. 


Overview ou modo IA

No Brasil, 75% dizem tomar decisões com mais confiança com o uso dessas ferramentas. “Não importa mais o que você vende, mas sim o problema que você consegue resolver”, afirmou Nathália.

A mudança também aumenta a importância dos dados e conteúdos produzidos pelas empresas. Na LG Electronics, André Maradei, e-commerce marketing head da companhia no Brasil, explica que a empresa trabalha com integração de dados e diferentes formatos de conteúdo para acompanhar o consumidor em cada etapa da jornada.

“É um trabalho constante, multidisciplinar e que envolve não só a nossa área, mas diversas áreas”, disse.

No segmento de eletrônicos, em que a decisão de compra costuma envolver mais pesquisa, a LG utiliza vídeos com avaliações, explicações técnicas e demonstrações de produtos para atender diferentes momentos da jornada, desde o consumidor que está conhecendo uma tecnologia até aquele que já está próximo de escolher um modelo.

A empresa também testa diferentes formatos e linguagens para entender quais conteúdos funcionam melhor em cada canal. Segundo Maradei, nem sempre é necessário investir em produções de grande porte para conseguir alcançar o consumidor.

“Nem todo conteúdo precisa ser com uma produção muito grande. Às vezes, conseguindo construir de uma maneira mais simples, porém com uma linguagem adaptada ao canal, isso já é efetivo”, afirmou.


Para o executivo, outro ponto é acompanhar os sinais deixados pelo consumidor durante a pesquisa. A partir desses dados, a empresa consegue entender em que momento da jornada o cliente está e adaptar a comunicação.

Na Lojas Marisa, a estratégia considera ainda a integração entre os canais digitais e as lojas físicas. Anselmo Sousa, head de digital, e-commerce & omnichannel da companhia, afirmou que o comércio eletrônico não pode ser tratado de forma isolada dentro da operação.

“Você não pode olhar o canal isolado. Tem que enxergar a companhia como um todo”, disse. 

Nesse cenário, os dados gerados pelas pesquisas digitais podem ajudar a conectar a intenção de compra ao estoque das lojas. Um consumidor que busca, por exemplo, uma camiseta próxima de onde está, pode receber informações sobre unidades que possuem o produto disponível.

A inteligência artificial também pode acrescentar contexto à busca. Em vez de procurar apenas por uma peça, o consumidor pode informar para qual ocasião precisa dela ou onde pretende usá-la. Com essas informações, a tecnologia pode cruzar a necessidade com disponibilidade, localização e outras características da compra.

Para Anselmo, esse movimento exige uma estrutura de dados preparada para alimentar as ferramentas de inteligência artificial. A Marisa passou por um processo de organização e padronização dos dados para melhorar a qualidade das informações utilizadas nas estratégias digitais.


Preparação começa antes

A preparação para a Black Friday, segundo os executivos, começa antes da data promocional. Na LG, as campanhas são mantidas ao longo do ano para gerar dados e aprendizado sobre o comportamento do consumidor, enquanto os investimentos são ajustados conforme a sazonalidade.

“Black Friday não começa na Black Friday. O consumidor já está preparando a lista de desejos”, afirmou Maradei.

Na Marisa, as campanhas também são mantidas ao longo do ano, com ampliação da estratégia conforme a data se aproxima.

Para Nathália, esse cenário muda a disputa entre as marcas. A empresa precisa continuar construindo reconhecimento e desejo, mas também oferecer informações que permitam aos sistemas de inteligência artificial compreender seus produtos e relacioná-los às necessidades apresentadas pelos consumidores.

Com a antecipação das pesquisas e o uso crescente de ferramentas de IA, a disputa pela atenção do consumidor passa a acontecer antes da data promocional. Para as empresas, o desafio envolve manter dados, conteúdos e campanhas preparados para responder às necessidades apresentadas pelo cliente ao longo do ano.


Bruna Santos
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/ia-muda-jornada-de-compra-e-desafia-varejo-antes-da-black-friday



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados