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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Filosofia japonesa ajuda eleitor a escapar de fake news

Kaizen ensina mudanças de comportamento que podem auxiliar qualquer pessoa a combater desinformação e a ganhar maior consciência política
 

Em um cenário eleitoral marcado pela velocidade das redes sociais, uma pausa de poucos segundos antes de compartilhar uma mensagem pode fazer diferença. Essas e outras mudanças de comportamento fazem parte do Kaizen, filosofia japonesa da melhoria contínua que pode inspirar uma mudança simples no comportamento digital: transformar a checagem de informações em um hábito cotidiano. 

O Kaizen parte da ideia de que grandes transformações podem ser construídas por meio de pequenas melhorias realizadas de maneira constante, explica o mentor e palestrante Junior Campos Prado, especialista em Kaizen e Autogestão e criador do método KIAI (Gestão na vida e Negócios). 

“Aplicado ao consumo de informação, o princípio pode significar desenvolver uma rotina de perguntas antes de acreditar ou compartilhar determinado conteúdo: quem publicou? Qual é a fonte? A informação aparece em veículos ou canais oficiais? A mensagem apresenta contexto ou apenas provoca uma reação imediata?”, explica Prado. 

A preocupação ganha relevância durante o período eleitoral. Para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação e disponibiliza ferramentas como o Fato ou Boato, página que reúne checagens, informações verificadas e conteúdos educativos para auxiliar a população na identificação de conteúdos falsos ou descontextualizados. 

“O Kaizen nos ensina a olhar para pequenos hábitos que, repetidos todos os dias, produzem mudanças importantes. No ambiente digital, uma dessas mudanças pode ser criar o hábito de não compartilhar imediatamente. Parar, ler, procurar a fonte e verificar a informação é uma pequena atitude que pode melhorar a qualidade daquilo que colocamos em circulação”, afirma o especialista.
 

Medo e indignação 

A proposta não é transformar cada cidadão em especialista em checagem, mas estimular uma postura mais cuidadosa diante de conteúdos que despertam medo, indignação ou entusiasmo. A própria Justiça Eleitoral orienta o eleitorado a buscar informações confiáveis e disponibiliza canais oficiais para consulta sobre o processo eleitoral. 

Nesse sentido, o Kaizen pode ser aplicado como uma espécie de “checklist mental”. Antes de compartilhar, vale fazer uma pausa e verificar três pontos: fonte, contexto e confirmação. Se a origem não estiver clara, se a informação estiver fora de contexto ou se não houver confirmação em fontes confiáveis, o melhor próximo passo pode ser simplesmente não compartilhar. 

“A desinformação muitas vezes ganha força porque compartilhamos antes de verificar. A mudança de comportamento não precisa começar com algo complexo. Pode começar com uma pergunta: ‘Eu tenho certeza de que isso é verdade?’ Se não tenho, por que vou ajudar a informação a chegar a outras pessoas?”
 

Informação x opinião 

A lógica também ajuda a diferenciar informação, opinião e conteúdo manipulado. Uma publicação pode apresentar uma opinião legítima sem ser um fato; uma informação verdadeira pode ser utilizada fora de contexto; e conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial podem dificultar ainda mais essa distinção. Nas Eleições 2026, o TSE estabeleceu regras específicas relacionadas ao uso de conteúdos sintéticos e à identificação de materiais produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial. 

Para Prado, combater a desinformação não depende apenas de grandes campanhas ou de ferramentas tecnológicas. Existe também uma dimensão individual e cotidiana: melhorar gradualmente a maneira como cada pessoa consome e compartilha informação, e alcançar maior consciência política. 

“Kaizen é assumir que sempre existe uma pequena coisa que podemos fazer melhor. Na informação, pode ser ler além do título, consultar a fonte original ou esperar alguns minutos antes de encaminhar uma mensagem. Parece pouco, mas quando milhões de pessoas desenvolvem esse hábito, o impacto coletivo pode ser muito maior”, finaliza o especialista. 

A proposta, portanto, não é dizer ao eleitor o que pensar ou em quem votar, mas estimular uma atitude mais consciente diante das informações que chegam diariamente pelas redes sociais e aplicativos de mensagens. Afinal, em um ambiente no qual a velocidade do compartilhamento pode ser maior do que a velocidade da verificação, parar para checar também é uma forma de responsabilidade cidadã.

 

Junior Campos Prado - engenheiro civil formado pela USP, especialista em Gerenciamento de Empresas pela Escola Politécnica da USP e pós-graduado em Neurociência. Empresário, mentor, palestrante e escritor, reúne quase quatro décadas de experiência no empreendedorismo. É fundador da Construtora Campos Prado e do Instituto KIAI, voltado à Autogestão, liderança e desenvolvimento pessoal e profissional. Criador do método KIAI e referência em Kaizen e Autogestão, Junior leva para suas palestras e mentorias o conceito japonês de melhoria contínua: a ideia de que pequenas evoluções realizadas com consistência podem gerar grandes transformações. Sua metodologia trabalha temas como autoconhecimento, autoliderança, autodisciplina, responsabilidade, autoavaliação, propósito e gestão da própria vida. Junior é bicampeão mundial na categoria +59. Primeiro título em Roma, em 2025, e o segundo mundial em 2026, no Brasil. Praticante de artes marciais desde os seis anos de idade, faixa-preta em judô e karatê e 3º Dan no karatê, conquistou o topo por volta dos 60 anos.



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