Idade, histórico familiar e fatores de risco ajudam a definir quais exames fazem sentido; excesso de investigação também pode levar a resultados e procedimentos desnecessários
Fazer uma bateria de exames todos os anos pode transmitir a
sensação de que a saúde está sendo acompanhada de perto. Hemograma, colesterol,
glicemia, vitaminas, hormônios, marcadores tumorais e exames de imagem acabam
entrando em listas cada vez maiores. Mas será que um check-up realmente precisa
investigar tudo?
A resposta é não. Para uma pessoa saudável e sem sintomas, fazer
mais exames não significa necessariamente prevenir mais doenças. O que deve ser
investigado muda de acordo com a idade, o histórico familiar, os hábitos de
vida e os fatores de risco de cada pessoa.
“Existe uma ideia de que quanto maior o check-up, mais protegida a
pessoa está. Mas a prevenção não funciona dessa maneira. O mais importante é
entender quais são os riscos daquele paciente e, a partir disso, definir o que
realmente precisa ser acompanhado”, explica Carlos Aita, médico patologista clínico do Grupo DB
A idade é uma das peças dessa avaliação. Ao longo da vida, entram
no radar diferentes cuidados, como acompanhamento da pressão arterial,
colesterol e glicemia e, nas faixas etárias indicadas, rastreamentos para
alguns tipos de câncer. Mas duas pessoas de 40 anos, por exemplo, não necessariamente
precisam realizar exatamente os mesmos exames.
Uma delas pode ter casos de diabetes na família; outra, histórico
de câncer em parentes próximos; uma terceira pode fumar, ter obesidade ou
apresentar pressão alta. Essas informações ajudam a definir quais investigações
fazem sentido e com qual frequência.
O histórico familiar merece atenção especial. Casos de câncer em
familiares próximos, principalmente quando diagnosticados em idades mais
jovens, assim como doenças cardiovasculares precoces, diabetes e algumas
condições hereditárias podem modificar o acompanhamento recomendado.
“Mais importante do que chegar ao consultório perguntando quais
exames são indicados para a sua idade é conhecer a própria história de saúde e
a da família. Essas informações ajudam o médico a entender onde é necessário
olhar com mais atenção”, afirma Dr. Carlos.
Fazer exames sem indicação não é necessariamente inofensivo.
Quanto maior o número de testes realizados, maior também a possibilidade de
aparecer alguma alteração que não represente uma doença, mas que leve a novas
investigações, preocupação e até procedimentos desnecessários.
Um exemplo são os marcadores tumorais. Apesar do nome chamar
atenção, muitos deles não são indicados para procurar câncer indiscriminadamente
em pessoas saudáveis. Eles têm aplicações específicas e precisam ser
solicitados dentro do contexto adequado.
“Check-up não deveria ser uma competição por quantidade de exames.
Um bom acompanhamento é aquele que investiga o que faz sentido para aquela
pessoa e evita tanto deixar riscos importantes de lado quanto procurar doenças
sem indicação”, reforça o médico patologista.
E a prevenção vai além do laboratório. Manter a vacinação em dia,
não fumar, praticar atividade física, cuidar da alimentação e acompanhar
fatores como pressão arterial também fazem parte de uma estratégia de saúde ao
longo da vida.
Grupo DB
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