No Mês do Coração, Colabore com o Futuro e o Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC) alertam para disparidades nos desfechos de saúde pública e reforçam a importância de conectar a experiência dos pacientes à formulação de políticas no SUS
As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de
morte e o maior desafio de saúde pública do Brasil. Embora avanços na
prevenção, no diagnóstico e no tratamento tenham ampliado as possibilidades de
cuidado, ainda existem lacunas entre o que está previsto nas políticas de saúde
e o que chega efetivamente ao paciente. É nesse contexto que a Colabore com o
Futuro, por meio do Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC), aproveita o Mês
do Coração para colocar em discussão os desafios da jornada cardiovascular no
SUS e o papel da participação social na construção de respostas mais efetivas.
O gargalo entre a inovação, o protocolo e o acesso real
Por trás das estatísticas de mortalidade, estão histórias reais de
vidas interrompidas, sonhos adiados e famílias impactadas por infartos e
Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). As diferenças no acesso à prevenção, ao
diagnóstico precoce e ao tratamento adequado podem interferir diretamente na
jornada dessas pessoas e nos desfechos em saúde. Por isso, além de ampliar o
acesso à informação, o debate passa pela identificação das lacunas ainda
existentes na rede pública e pela construção de políticas que considerem a
realidade dos pacientes.
Embora a cardiologia brasileira seja referência internacional em
inovação e conhecimento técnico, essa excelência nem sempre se reflete no dia a
dia de quem depende da rede pública. A jornada do paciente no SUS enfrenta
gargalos estruturais históricos: mesmo com avanços como a incorporação da
Estratificação do Risco Cardiovascular, uma conquista construída a partir da
mobilização da Colabore com o Futuro com o GAC, permanecem desafios para
garantir que a identificação de pacientes em maior risco seja acompanhada de
prevenção, acompanhamento contínuo e acesso oportuno à linha de cuidado
especializada. Essa espera prolongada entre o diagnóstico inicial e a linha de
cuidado especializada custa vidas e deixa sequelas permanentes que afetam a
rotina de trabalho, a saúde emocional e a subsistência familiar, eventos graves
que poderiam ser prevenidos com acompanhamento contínuo e acesso oportuno.
Mobilização de milhões de brasileiros: da projeção no
Congresso às salas de decisão
Frente ao cenário alarmante do infarto e do AVC, a atuação de
advocacy coordenada pelo Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC), rede criada
em 2017 e coordenada pela Colabore com o Futuro, organização de impacto social
na área da saúde que atua com advocacy, mobilização social e articulação
institucional, tem provocado mudanças concretas no SUS. A articulação integra o
histórico da Colabore, cujas campanhas e ações de saúde pública já contribuíram
para decisões com potencial de impactar mais de 22 milhões de brasileiros
Diagnóstico preventivo na atenção básica: Após intensa mobilização institucional
do GAC, a Estratificação do Risco Cardiovascular foi oficialmente incorporada
ao SUS, permitindo que as unidades básicas de saúde identifiquem previamente
pacientes em alto risco e organizem o acompanhamento preventivo antes da
ocorrência de eventos graves.
Alertas nacionais no Congresso: Para tirar o debate das salas fechadas
e alertar a sociedade e os parlamentares, o movimento levou projeções visuais
de conscientização para a fachada do Congresso Nacional em Brasília e promoveu
a iluminação de monumentos públicos de vermelho durante o Mês do Coração.
Articulação por uma Política Nacional permanente: A articulação contínua no Legislativo
impulsionou a apresentação do Projeto de Lei da Política Nacional de Prevenção
e Controle das Doenças Cardiovasculares, além de motivar a criação da Câmara
Técnica Assessora em Atenção Cardiovascular pelo Ministério da Saúde.
“Garantir que uma diretriz ou tecnologia em saúde seja aprovada é
apenas metade do caminho. O grande desafio das políticas públicas no Brasil é
assegurar que o paciente encontre esse cuidado disponível na ponta, perto da
sua casa e sem atrasos desnecessários. A participação social e a escuta ativa
da experiência real das pessoas são indispensáveis para desenhar soluções que
efetivamente funcionem no SUS.” afirma Carolina Cohen, fundadora da Colabore
com o Futuro.
Campanha 'Fale de Coração 2026' engaja especialistas e
pacientes
Em setembro de 2026, a campanha Fale de Coração atinge a sua 7ª
edição consecutiva como uma das principais forças de mobilização do Mês do
Coração. Criada em 2020 pelo GAC, a iniciativa desmistifica a cardiologia
através do compartilhamento de conteúdos simples, acessíveis e focados em
prevenção, culminando no Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro.
Ao longo de sete anos de trajetória, a campanha consolidou um
histórico de forte alcance e engajamento social: promoveu testes de avaliação
de risco cardiovascular online para a população, veiculou mensagens de
conscientização em formato gigante na fachada do Congresso Nacional em Brasília,
e realizou a iluminação simbólica de monumentos públicos de vermelho no DF,
Espírito Santo e Goiás. Na edição de 2026, a mobilização ganha escala digital
com a publicação de pílulas em vídeo gravadas por médicos especialistas da
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), representantes do Ministério da
Saúde e outros, reforçando que a informação qualificada é a primeira e mais
eficaz ferramenta de prevenção.
Acompanhe a campanha nas redes: Os vídeos com dicas de cardiologistas
estão sendo publicados ao longo de todo o mês de setembro no perfil oficial do
Instagram do GAC (@gac.brasil).
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