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Com o envelhecimento da população brasileira, os cuidados com a
saúde ocular ganham ainda mais importância. No Dia Nacional e Internacional da
Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, a catarata chama atenção por estar
diretamente relacionada ao avanço da idade e poder comprometer progressivamente
a qualidade de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 94 milhões
de pessoas apresentam comprometimento visual ou cegueira associados à doença no
mundo.
No Brasil, dados do IBGE mostram que a proporção de pessoas com 60
anos ou mais praticamente dobrou entre 2000 e 2023, passando de 8,7% para 15,6%
da população. Acompanhar as mudanças naturais da visão ao longo dos anos é
importante para identificar alterações que podem ser tratadas.
A catarata acontece quando o cristalino, lente natural localizada
dentro do olho e responsável por ajudar na focalização das imagens, perde sua
transparência. Com isso, a visão pode ficar progressivamente embaçada, com
redução da nitidez e alterações na percepção das cores. Como a evolução costuma
ser lenta, a pessoa pode demorar para perceber que sua visão está diferente ou
atribuir a dificuldade visual apenas à idade.
“O envelhecimento provoca mudanças naturais em diversas estruturas
do organismo, e o cristalino também sofre esse processo ao longo dos anos. Ele
vai perdendo sua transparência de forma progressiva, o que caracteriza a
catarata. Por isso, a idade é um dos principais fatores associados ao
desenvolvimento da doença”, explica o Dr. Ivan Corso Teixeira, oftalmologista e
especialista em cirurgia de catarata do H.Olhos.
No início, os sinais podem ser discretos. A pessoa pode perceber
dificuldade para enxergar detalhes, maior sensibilidade à luz, visão borrada ou
dificuldade para dirigir à noite. Conforme a catarata avança, tarefas simples
podem exigir mais esforço visual e até comprometer a independência do idoso.
“É comum o paciente se adaptar gradualmente à piora da visão. Ele
passa a aumentar a iluminação para ler, aproxima mais os objetos, evita dirigir
à noite ou deixa de realizar algumas atividades sem necessariamente perceber
que existe uma causa tratável por trás dessas mudanças”, afirma o especialista.
Dificuldades para identificar obstáculos, perceber degraus ou
distinguir objetos no caminho também podem tornar determinadas atividades menos
seguras. Por isso, alterações na visão não devem ser consideradas uma consequência
inevitável do envelhecimento.
“Envelhecer não significa necessariamente enxergar mal. A catarata
é uma alteração frequente nessa fase da vida, mas a redução da visão causada
pela doença merece ser investigada. Quando o idoso percebe uma mudança, mesmo
que gradual, o ideal é passar por uma avaliação oftalmológica para entender o
que está acontecendo”, orienta o Dr. Ivan.
Quando a catarata passa a interferir na rotina e na qualidade de
vida, o tratamento é cirúrgico. O procedimento consiste na retirada do
cristalino que perdeu sua transparência e na implantação de uma lente
intraocular, que passa a exercer a função da lente natural do olho.
“A indicação da cirurgia não depende apenas do grau da alteração
visual, mas principalmente de quanto a catarata está impactando as atividades
que o paciente deseja ou precisa realizar. A avaliação individual é fundamental
para definir o momento adequado do procedimento e a estratégia mais indicada
para cada caso”, explica o oftalmologista.
Por ser uma condição de evolução geralmente lenta, consultas
oftalmológicas regulares são importantes mesmo quando não há uma queixa visual
significativa. O acompanhamento permite identificar alterações relacionadas ao
envelhecimento e discutir as possibilidades de tratamento antes que a perda
visual comprometa de maneira importante a rotina.
“Cuidar da saúde ocular também significa manter a autonomia. Ler,
caminhar, reconhecer pessoas, realizar atividades domésticas e continuar
participando da vida social são ações que dependem de uma visão adequada. Por
isso, qualquer mudança deve ser investigada, especialmente na terceira idade”,
finaliza o Dr. Ivan Corso Teixeira.

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