Pesquisar no Blog

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Brasil envelhece rápido: estamos preparados para viver mais e melhor?

No mês dedicado à pessoa idosa, entidade destaca a importância de uma rede de cuidados preparada para as demandas da longevidade
 

A população brasileira com 60 anos ou mais passou de 15,2 milhões em 2000 para 33 milhões em 2023 e deve chegar a 75,3 milhões em 2070, segundo dados do IBGE. Diante desse crescimento, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) chama atenção, em 1º de outubro, Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, para a necessidade de preparar os serviços de saúde e as redes de cuidado para atender às necessidades das pessoas idosas e promover autonomia, independência e qualidade de vida. 

“O envelhecimento populacional no Brasil aconteceu muito mais rapidamente do que em diversos países europeus. Tivemos avanços importantes, mas eles não acompanharam a velocidade dessa transformação”, afirma Leonardo Oliva, geriatra e presidente da SBGG. 

A fragmentação dos serviços e a falta de uma rede contínua de cuidados estão entre os principais desafios. “Nosso sistema de saúde continua muito centrado na doença aguda. A pessoa idosa precisa de acompanhamento contínuo, prevenção e integração entre os serviços”, destaca Leonardo.
 

Envelhecer com saúde vai além dos diagnósticos 

Envelhecer com qualidade de vida não significa, necessariamente, viver sem doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e artrose. Mais do que a quantidade de diagnósticos, é importante considerar como essas condições afetam a autonomia e a rotina da pessoa idosa. 

“Duas pessoas podem ter exatamente os mesmos diagnósticos e apresentar níveis completamente diferentes de saúde. Enquanto uma continua independente, ativa e socialmente participativa, a outra pode apresentar limitações importantes. Isso acontece porque a saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no cotidiano”, explica Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG. 

Preservar a capacidade funcional exige mais do que consultas e tratamentos. A prática de atividade física, alimentação equilibrada, prevenção de quedas, revisão periódica de medicamentos, os cuidados com a saúde mental e a manutenção dos vínculos sociais também contribuem para a independência e a qualidade de vida.
 

O cuidado também é um desafio para as famílias 

O envelhecimento populacional amplia a demanda por cuidados contínuos, uma responsabilidade que, no Brasil, ainda recai principalmente sobre familiares, especialmente mulheres. A falta de preparo, apoio psicológico e suporte institucional adequado reforça a necessidade de políticas e serviços que também ofereçam suporte a quem cuida. 

Para a SBGG, enfrentar os desafios do envelhecimento exige mudanças na organização da assistência, com investimentos em prevenção, formação de profissionais, suporte às famílias e estratégias que favoreçam a manutenção da funcionalidade ao longo da vida. 

“O Brasil precisa parar de pensar no envelhecimento apenas quando a dependência já está instalada. O cuidado precisa começar antes, com prevenção, acompanhamento e promoção de autonomia”, reforça Leonardo.

Mais do que ampliar a expectativa de vida, o desafio é garantir condições para que as pessoas mantenham suas escolhas, relações e atividades cotidianas. “Envelhecer com saúde não é envelhecer sem doenças. É preservar a capacidade de fazer escolhas, manter vínculos e continuar realizando aquilo que dá sentido à própria vida”, conclui Isabela.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados