No mês dedicado à pessoa idosa, entidade destaca a
importância de uma rede de cuidados preparada para as demandas da longevidade
A
população brasileira com 60 anos ou mais passou de 15,2 milhões em 2000 para 33
milhões em 2023 e deve chegar a 75,3 milhões em 2070, segundo dados do IBGE.
Diante desse crescimento, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
(SBGG) chama atenção, em 1º de outubro, Dia Nacional e Internacional da Pessoa
Idosa, para a necessidade de preparar os serviços de saúde e as redes de
cuidado para atender às necessidades das pessoas idosas e promover autonomia,
independência e qualidade de vida.
“O
envelhecimento populacional no Brasil aconteceu muito mais rapidamente do que
em diversos países europeus. Tivemos avanços importantes, mas eles não
acompanharam a velocidade dessa transformação”, afirma Leonardo Oliva, geriatra
e presidente da SBGG.
A
fragmentação dos serviços e a falta de uma rede contínua de cuidados estão
entre os principais desafios. “Nosso sistema de saúde continua muito centrado
na doença aguda. A pessoa idosa precisa de acompanhamento contínuo, prevenção e
integração entre os serviços”, destaca Leonardo.
Envelhecer com saúde vai além dos diagnósticos
Envelhecer
com qualidade de vida não significa, necessariamente, viver sem doenças
crônicas, como hipertensão, diabetes e artrose. Mais do que a quantidade de
diagnósticos, é importante considerar como essas condições afetam a autonomia e
a rotina da pessoa idosa.
“Duas
pessoas podem ter exatamente os mesmos diagnósticos e apresentar níveis
completamente diferentes de saúde. Enquanto uma continua independente, ativa e
socialmente participativa, a outra pode apresentar limitações importantes. Isso
acontece porque a saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua
capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no
cotidiano”, explica Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta,
especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da
SBGG.
Preservar
a capacidade funcional exige mais do que consultas e tratamentos. A prática de
atividade física, alimentação equilibrada, prevenção de quedas, revisão
periódica de medicamentos, os cuidados com a saúde mental e a manutenção dos
vínculos sociais também contribuem para a independência e a qualidade de vida.
O cuidado também é um desafio para as famílias
O
envelhecimento populacional amplia a demanda por cuidados contínuos, uma
responsabilidade que, no Brasil, ainda recai principalmente sobre familiares,
especialmente mulheres. A falta de preparo, apoio psicológico e suporte
institucional adequado reforça a necessidade de políticas e serviços que também
ofereçam suporte a quem cuida.
Para
a SBGG, enfrentar os desafios do envelhecimento exige mudanças na organização
da assistência, com investimentos em prevenção, formação de profissionais,
suporte às famílias e estratégias que favoreçam a manutenção da funcionalidade
ao longo da vida.
“O
Brasil precisa parar de pensar no envelhecimento apenas quando a dependência já
está instalada. O cuidado precisa começar antes, com prevenção, acompanhamento
e promoção de autonomia”, reforça Leonardo.
Mais
do que ampliar a expectativa de vida, o desafio é garantir condições para que
as pessoas mantenham suas escolhas, relações e atividades cotidianas. “Envelhecer
com saúde não é envelhecer sem doenças. É preservar a capacidade de fazer
escolhas, manter vínculos e continuar realizando aquilo que dá sentido à
própria vida”, conclui Isabela.
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