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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Semana Nacional da Saúde Vascular

Dor, inchaço, varizes, mudança na cor da pele e feridas que não cicatrizam podem ser alertas de doenças vasculares; lipedema também merece atenção, explica cirurgião vascular

 

Criada por lei em 2026, campanha acontece na semana de 17 de agosto e busca conscientizar sobre prevenção, fatores de risco e diagnóstico precoce. o Dr. Gabriel Novaes, cirurgião vascular e endovascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), chama atenção para a importância de observar os sinais enviados pelo corpo.

Dor nas pernas, inchaço no fim do dia, vasinhos, sensação de peso ou pés constantemente frios são sintomas que muitas pessoas acabam incorporando à rotina. O problema é que algumas dessas alterações podem ser os primeiros sinais de doenças vasculares que, quando não identificadas e tratadas, podem evoluir e comprometer a qualidade de vida — e, em determinadas situações, representar uma emergência médica.

“Muitas doenças vasculares começam de maneira silenciosa ou com sintomas que parecem banais. Inchaço recorrente, dor, alteração na temperatura ou na coloração das pernas e feridas que demoram para cicatrizar não devem ser simplesmente normalizados”, explica Novaes.

 

1. Inchaço persistente nas pernas

Pernas e tornozelos inchados, principalmente quando o problema se repete com frequência, merecem investigação. O sintoma pode estar associado à insuficiência venosa, condição na qual o retorno do sangue das pernas em direção ao coração fica prejudicado.

Quando o inchaço surge repentinamente em apenas uma perna, acompanhado de dor, aumento da temperatura ou alteração da coloração, a atenção deve ser ainda maior, porque esses sintomas podem ocorrer em casos de trombose venosa profunda (TVP).

“Um inchaço súbito e unilateral é diferente daquela sensação de pernas pesadas depois de passar muitas horas em pé. Quando existe uma mudança repentina, especialmente acompanhada de dor, é importante procurar atendimento médico”, alerta.
 

2. Dor, peso e cansaço nas pernas

A sensação de peso, queimação, cansaço e dor nas pernas pode aparecer em pessoas com varizes e insuficiência venosa crônica.

As varizes não devem ser encaradas apenas como uma questão estética. Quando existe comprometimento da circulação venosa, podem surgir inchaço, alterações na pele e, nos casos mais avançados, úlceras.

“Quando as pernas começam a limitar atividades que antes eram realizadas normalmente ou o desconforto se torna frequente, é hora de investigar”, orienta Novaes.
 

3. Dor na panturrilha ao caminhar

Um sinal bastante característico de comprometimento arterial é a dor que aparece na panturrilha, coxa ou glúteo durante uma caminhada e melhora depois de alguns minutos de repouso.

Conhecida como claudicação intermitente, essa manifestação pode estar associada à doença arterial periférica, provocada pela redução do fluxo sanguíneo para os membros.

Pessoas que fumam ou têm diabetes, hipertensão, colesterol elevado e idade mais avançada apresentam maior risco de doença arterial.
 

4. Pés frios ou mudança de coloração

Um pé persistentemente mais frio que o outro, palidez, coloração arroxeada ou outras mudanças importantes na aparência dos membros também podem indicar alterações circulatórias.

A situação merece atenção especial quando a mudança ocorre de forma súbita e vem acompanhada de dor intensa, perda de sensibilidade ou dificuldade para movimentar o membro.

“Dor intensa de início súbito associada a um membro frio ou pálido pode representar uma emergência vascular. Nesses casos, não se deve esperar para ver se melhora sozinho”, destaca o cirurgião.
 

5. Feridas que demoram para cicatrizar

Feridas nos pés, tornozelos ou pernas que permanecem abertas ou apresentam dificuldade de cicatrização podem estar relacionadas a problemas venosos ou arteriais.

No caso de pessoas com diabetes, o cuidado precisa ser ainda maior, já que alterações circulatórias e de sensibilidade podem aumentar o risco de complicações.

“Uma pequena ferida pode parecer pouco importante inicialmente, mas a dificuldade de cicatrização pode ser justamente o sinal de que o tecido não está recebendo sangue adequadamente ou de que existe uma doença venosa crônica”, explica.
 

6. Varizes acompanhadas de alterações na pele

Veias dilatadas e tortuosas são uma das manifestações vasculares mais conhecidas. Entretanto, é importante observar o que acontece ao redor delas.

Coceira, descamação, escurecimento da pele próximo aos tornozelos, endurecimento da região, inchaço frequente ou aparecimento de feridas podem indicar progressão da doença venosa.

Segundo Novaes, procurar avaliação antes do aparecimento de complicações permite definir medidas de prevenção e tratamento de acordo com cada caso.
 

7. Pernas desproporcionais, doloridas e com hematomas: pode ser lipedema

Outro problema que ganhou maior visibilidade nos últimos anos é o lipedema, condição crônica que ocorre predominantemente em mulheres e provoca acúmulo desproporcional de tecido adiposo, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços.

Um dos principais desafios é que a condição ainda pode ser confundida com obesidade ou gordura localizada.

Os sinais mais característicos incluem aumento simétrico e desproporcional das pernas, dor ou sensibilidade ao toque, sensação de peso e facilidade para desenvolver hematomas. Frequentemente, os pés são preservados.

“Uma mulher pode emagrecer e perceber redução importante do tronco, mas continuar com grande desproporção nas pernas, além de dor e hematomas. Quando esses sinais aparecem em conjunto, é importante investigar a possibilidade de lipedema”, explica Novaes.

O especialista ressalta, entretanto, que nem todo aumento do volume das pernas significa lipedema e que obesidade, doenças venosas e alterações linfáticas podem coexistir. Por isso, a avaliação individualizada é essencial.
 

Trombose: atenção aos sinais de emergência

Entre os problemas vasculares, a trombose merece atenção especial porque parte do coágulo formado em uma veia profunda pode se deslocar até os pulmões, provocando uma embolia pulmonar.

Além de inchaço e dor em uma perna, sinais como falta de ar súbita, dor no peito, aceleração dos batimentos cardíacos, tontura ou desmaio exigem atendimento médico imediato.

“Conhecer os sinais não significa que a pessoa deva tentar fazer o próprio diagnóstico. Significa entender quando uma alteração merece avaliação e, principalmente, quando não se pode esperar”, reforça o médico.
 

Como proteger a saúde vascular?

Além de observar os sinais de alerta, algumas medidas ajudam na prevenção de doenças vasculares: manter-se fisicamente ativo, evitar o tabagismo, controlar pressão arterial, colesterol e diabetes, manter o peso adequado, evitar longos períodos completamente imóvel e realizar acompanhamento médico quando houver fatores de risco.

Para o Dr. Gabriel Novaes, a Semana Nacional da Saúde Vascular reforça uma mensagem simples: as pernas podem revelar muito sobre a circulação do organismo.

“Dor, inchaço, mudança de cor, alteração de temperatura ou feridas que não cicatrizam são sinais que não devem ser banalizados. Quanto mais cedo identificamos uma doença vascular, maiores são as possibilidades de evitar sua progressão e suas complicações”, conclui. 



FONTE:

Dr. Gabriel Novaes - CRM/SP 107270 | RQE 50459 - Cirurgião Vascular e Endovascular
Membro da SBACV (Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular), graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Vitória, especialista pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde concluiu as residências médicas em Angiologia e Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular. Mestre pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Mais de 20 anos de trajetória em cirurgia vascular convencional e em procedimentos endovasculares minimamente invasivos.
Instagram: @dr_gabriel_novaes Link


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