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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Agosto Dourado: amamentação nem sempre é intuitiva, e falar sobre as dificuldades pode ajudar

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Especialista do Vera Cruz Hospital orienta sobre os desafios de amamentar e a importância do suporte profissional e da rede de apoio 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Apesar dos benefícios amplamente reconhecidos, o início dessa jornada nem sempre ocorre de forma intuitiva. Em 2024, 48% dos bebês menores de seis meses foram amamentados exclusivamente no mundo, segundo a OMS. O dado ganha ainda mais relevância durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação e ao fortalecimento do apoio às mães, destacando a necessidade de discutir não apenas seus benefícios, mas também os desafios que podem surgir ao longo desse processo. 

Cada experiência de amamentação é única. Mesmo para mulheres que já tiveram outros filhos, o vínculo entre mãe e bebê se constrói de forma diferente a cada gestação e exige tempo, adaptação e acolhimento. "A amamentação é nova para o bebê e para a mãe a cada gestação. Por isso, é importante se permitir aprender junto com o bebê e contar com acompanhamento profissional e uma rede de apoio", explica Cristina Valente, médica neonatologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP). 

Além de fornecer todos os nutrientes necessários nos primeiros meses de vida, o leite materno fortalece a imunidade, protege contra infecções e está associado a benefícios para a saúde da criança ao longo da vida. Para a mulher, a amamentação também contribui para reduzir o risco de câncer de mama e de ovário, além de algumas doenças crônicas. 

Os primeiros dias costumam ser de aprendizado para mãe e bebê. Pega inadequada, sonolência do recém-nascido, dificuldade para encontrar uma posição confortável e lesões nas mamas estão entre as situações mais comuns nesse período. Por isso, o suporte ainda na maternidade é essencial para orientar a pega correta, testar posições e evitar que pequenos desconfortos evoluam para dores persistentes. 

A chamada “golden hour”, a primeira hora de vida do bebê, também desempenha um papel importante. O contato pele a pele e o estímulo à primeira mamada favorecem a adaptação do recém-nascido e ajudam a iniciar a produção de leite. "Esse primeiro contato contribui para tornar o pós-parto mais tranquilo para mãe e bebê e estimula a produção de ocitocina pela mãe, hormônio importante para a amamentação. É também nesse momento que o bebê tem contato com o colostro, o primeiro leite materno, e dá os primeiros passos na amamentação", explica a especialista. 

Outra dúvida frequente é se o bebê está mamando o suficiente. Nos primeiros dias, a produção de leite ocorre em pequenas quantidades e as mamadas tendem a ser mais frequentes. A avaliação da equipe de saúde considera indicadores como peso, hidratação, urina, fezes e sinais de saciedade para verificar se o bebê está recebendo o necessário. "A insegurança é muito comum, mas não devemos avaliar apenas pela quantidade de leite que a mãe consegue perceber. O acompanhamento do bebê mostra se ele está recebendo o que precisa", afirma Cristina. 

Embora o início da amamentação exija adaptação, a dor persistente não deve ser considerada normal. Fissuras e machucados costumam estar relacionados à pega inadequada e precisam ser avaliados para que a causa seja corrigida. "Se está doendo, temos algo a melhorar. A equipe de especialistas pode ajudar na recuperação da mama e no ajuste da pega para evitar que a dor se prolongue". 

Quando há necessidade de complementar a alimentação do bebê, a recomendação é não encarar essa decisão como um fracasso. Em algumas situações, a complementação é importante para proteger a saúde do recém-nascido e, quando bem orientada, pode ocorrer sem comprometer a continuidade da amamentação. "A complementação não significa que a mãe falhou. A amamentação é um processo, e cada gota de leite materno importa. Diante de dificuldades iniciais, pode ser necessário recorrer temporariamente à complementação. Em alguns casos, a amamentação mista, com leite materno e fórmula, também pode ser uma alternativa”, explica. 

O apoio da família também faz diferença durante esse período. Mais do que oferecer orientações, parceiros e familiares podem contribuir dividindo tarefas da casa, ajudando nos cuidados com o bebê e garantindo momentos de descanso para a mãe. "Amamentar exige muito da mulher. Ela também precisa ser cuidada para conseguir cuidar do bebê. Ter alguém por perto para dividir as tarefas reduz o estresse e traz mais segurança para esse momento", destaca Cristina. 

Embora o aleitamento materno seja indicado para a maioria dos bebês, existem situações específicas em que ele pode não ser recomendado, como alguns tratamentos e doenças infecciosas. Nesses casos, a conduta deve ser definida individualmente pela equipe de saúde. 

Mais do que cumprir uma recomendação, amamentar é construir uma relação entre mãe e filho. Informação de qualidade, acompanhamento profissional e uma rede de apoio são fundamentais para tornar essa experiência mais leve e acolhedora, sem que as dificuldades se transformem em culpa. "Precisamos falar sobre os desafios sem transformar a amamentação em uma cobrança. A mãe precisa saber que pode pedir ajuda e que existem caminhos para superar as dificuldades", conclui a especialista.


  
Vera Cruz Hospital

 

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