Especialista explica porque a corrida
não é a vilã da artrose e destaca os cuidados necessários para proteger as
articulações
"Pare de correr para não acabar com o joelho." A
recomendação ainda é comum entre praticantes de atividade física, mas a ciência
vem mostrando que essa relação não é tão simples. Embora a corrida imponha
carga às articulações, estudos recentes indicam que, quando praticada de forma
adequada, ela não aumenta o risco de artrose em pessoas saudáveis e pode,
inclusive, contribuir para a saúde das cartilagens.
Uma revisão publicada no Journal of Orthopaedic & Sports
Physical Therapy e estudos acompanhando corredores recreativos ao longo dos
anos mostram que a prática regular da corrida não está associada a uma maior
incidência de osteoartrite de joelho quando comparada à população sedentária. O
risco costuma estar relacionado a fatores como excesso de peso, lesões prévias,
alterações no alinhamento dos membros inferiores e treinamento inadequado.
Segundo o ortopedista e cirurgião do joelho Dr. Ari Zekcer,
referência nacional em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva, o
principal erro é acreditar que o movimento, por si só, desgasta a articulação.
"A cartilagem é um tecido que responde ao estímulo mecânico.
Quando a corrida é realizada de forma orientada, respeitando a capacidade
física do praticante, ela contribui para a manutenção da saúde articular. O
problema surge quando há excesso de carga, ausência de preparo físico ou lesões
que não receberam tratamento adequado", comenta.
A artrose é uma doença multifatorial e está relacionada ao
envelhecimento, predisposição genética, obesidade, histórico de traumas e
alterações biomecânicas. Embora corredores profissionais submetidos a cargas
extremas possam apresentar maior risco de determinadas lesões, a realidade é
diferente para quem pratica corrida de forma recreativa.
"O joelho foi feito para se movimentar. O sedentarismo também
tem consequências importantes para a saúde das articulações, favorecendo perda
de força muscular, ganho de peso e redução da estabilidade do joelho. Por isso,
deixar de correr por medo do desgaste nem sempre é a melhor decisão",
destaca o especialista.
Para reduzir o risco de lesões, especialistas recomendam respeitar
a progressão dos treinos, fortalecer a musculatura dos membros inferiores,
utilizar calçados adequados, manter o peso corporal dentro de uma faixa
saudável e evitar aumentos bruscos na intensidade ou no volume de corrida.
Também é importante ficar atento aos sinais do corpo. Dor
persistente, inchaço, sensação de instabilidade ou limitação dos movimentos não
devem ser considerados normais e merecem avaliação médica.
"Muitas pessoas acreditam que sentir dor faz parte da
corrida, mas isso não é verdade. A dor é um sinal de alerta de que algo precisa
ser investigado. Quanto mais cedo identificamos uma lesão, maiores são as
chances de tratá-la sem comprometer a prática esportiva", destaca Ari.
Para o especialista, a principal mensagem é que correr pode fazer
parte de um estilo de vida saudável, desde que a atividade seja adaptada às
condições de cada pessoa.
"A corrida traz benefícios para o sistema cardiovascular, ajuda no controle do peso, melhora a saúde mental e contribui para a qualidade de vida. Quando existe orientação adequada e respeito aos limites do organismo, ela deixa de ser uma ameaça ao joelho e passa a ser uma aliada da saúde”, finaliza o especialista.
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