Procedimento
minimamente invasivo diferencia nódulos benignos de suspeitos, evitando
cirurgias e outros procedimentos desnecessários
Recebeu no consultório uma indicação para "PAAF de tireoide" e sentiu o coração acelerar? A cena se repete todos os dias em consultórios médicos pelo Brasil. O nome ‘Punção Aspirativa com Agulha Fina’ assusta antes mesmo do procedimento começar. Mas, por trás da terminologia técnica, existe um exame tranquilo e conclusivo.
Os nódulos de tireoide são muito comuns: estima-se que mais da metade da população adulta venha a ter algum, muitas vezes descoberto por acaso, em exames de rotina. A grande maioria, cerca de 95%, será benigna. Mas identificar, com segurança, os poucos casos que merecerão investigação mais aprofundada, é fundamental. E é aí que a PAAF entra em cena.
"A PAAF é, hoje, o principal exame capaz de
diferenciar nódulos benignos de suspeitos. O mais importante é que, na maioria
dos casos, o exame traz alívio, não preocupação", explica a Dra. Leynalze
Urbano Ruiz, médica radiologista, mestre em Radiologia Clínica pela
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Um procedimento simples, guiado por imagem
Realizada em consultório, a PAAF utiliza uma agulha muito fina, em geral mais fina do que a usada em coleta de sangue. Através dela, uma pequena amostra de células é coletada do nódulo, guiada por ultrassom em tempo real. Esta tecnologia permite ao médico radiologista dirigir a agulha com precisão milimétrica.
Após a coleta, o material é encaminhado a um laboratório de citologia, onde será analisado. O resultado, na maioria dos casos, fica pronto em poucos dias.
Ao contrário do que muitos imaginam, o procedimento é
rápido. Dura, em média, entre 15 e 25 minutos. "Como a agulha é muito
fina, o desconforto costuma ser mínimo, semelhante ao de uma coleta de sangue.
Muitas vezes, sequer é necessário aplicar anestesia local", detalha a
especialista.
Por que a PAAF é tão importante
O câncer de tireoide é o tipo de câncer endócrino mais frequente e, quando diagnosticado precocemente, tem altas taxas de cura. Diferenciar, sem cirurgia, um nódulo benigno de um nódulo suspeito era, até algumas décadas atrás, um desafio significativo. Muitas pessoas eram submetidas a cirurgias exploratórias que, em retrospectiva, poderiam ter sido evitadas.
A PAAF mudou esse cenário. Hoje, uma análise citológica com base em uma amostra minimamente invasiva, orienta decisões clínicas com segurança e evita procedimentos desnecessários. Ao mesmo tempo, garante diagnóstico precoce quando há indicação real de investigação adicional.
"A PAAF representa um avanço enorme para o cuidado
com a saúde da tireoide e nos traz respostas objetivas a pacientes que, muitas
vezes, estão vivendo um dos períodos mais ansiosos de suas vidas", afirma
a Dra. Leynalze.
A experiência do médico
Apesar de ser um procedimento tecnicamente simples, a qualidade da PAAF depende diretamente da experiência do médico radiologista que a executa. Uma coleta bem realizada aumenta significativamente as chances de um resultado conclusivo, evitando a necessidade de repetição do procedimento e reduzindo a ansiedade da paciente.
"Desde a escolha do melhor ponto de acesso até a
técnica de coleta, cada detalhe importa. Uma amostra insuficiente pode levar a
um resultado inconclusivo, atrasando o diagnóstico e prolongando a espera. Por
isso, o tempo dedicado ao procedimento, tanto para explicar cada passo ao
paciente, quanto para executá-lo com precisão, faz toda a diferença",
pontua a médica.
Quando a PAAF é indicada
A indicação da PAAF é feita pelo médico que acompanha o paciente, em geral um endocrinologista ou ginecologista, com base em achados do ultrassom da tireoide.
Existem classificações internacionais, como o sistema TI-RADS, que orientam a decisão sobre quando indicar a PAAF, garantindo maior padronização e segurança clínica. Alguns fatores que costumam levar à indicação são:
• Nódulos com características suspeitas identificadas ao
ultrassom, tais como contornos irregulares, microcalcificações ou padrão de
vascularização atípico
• Nódulos com crescimento significativo entre exames de
acompanhamento
• Pacientes com fatores de risco para câncer de tireoide,
como histórico familiar
• Linfonodos cervicais alterados em pacientes com nódulos
tireoidianos
• Nódulos a partir de um determinado tamanho, mesmo sem
sinais suspeitos
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