O linfoma é um tipo de câncer que tem origem no sistema linfático, parte importante do sistema imunológico responsável pela defesa do organismo. O Brasil deve registrar cerca de 16 mil novos casos por ano no triênio iniciado em 2026, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diante desse cenário, o Agosto Verde Claro chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e da informação sobre a doença.
Os linfomas são classificados em dois grandes grupos: o linfoma de Hodgkin e não Hodgkin. Segundo Felipe Furtado, hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, o de Hodgkin é menos comum e atinge principalmente adultos jovens e pessoas acima dos 55 anos. "Na maioria dos casos, os pacientes respondem muito bem ao tratamento e têm altas chances de cura quando o diagnóstico é feito precocemente", afirma.
Já o linfoma não Hodgkin reúne mais de 80 subtipos da doença e pode ocorrer em qualquer idade, embora seja mais frequente entre pessoas idosas. Existem formas de crescimento lento e outras mais agressivas, por isso o tratamento varia de acordo com o subtipo e as características de cada paciente.
Sintomas
O sinal mais característico da doença é o aumento persistente de um ou mais
gânglios (ínguas), principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha,
geralmente sem dor. Outros sinais incluem febre sem causa aparente, suor
intenso durante a noite, perda de peso sem dieta ou exercício, cansaço
persistente e coceira no corpo. “Dependendo da região afetada, também podem
surgir tosse, falta de ar, dor no peito ou sensação de barriga cheia”, explica
Felipe Furtado.
O especialista ressalta que esses sintomas não indicam necessariamente a
presença de linfoma, pois também podem estar relacionados a infecções e outras
doenças. No entanto, se forem persistentes, é importante procurar atendimento
médico para investigação.
Diagnóstico
A investigação começa com a avaliação clínica e o exame físico, que inclui a
palpação dos gânglios linfáticos e a investigação de outros sinais da doença. "Quando
há suspeita, o passo mais importante é realizar uma biópsia, retirando um
gânglio, ou parte dele, para análise em laboratório. Esse exame permite
confirmar o diagnóstico e identificar exatamente o subtipo do linfoma",
explica o hematologista.
Após a confirmação, podem ser solicitados exames de sangue, tomografia, PET-CT
(que permite verificar a localização e o tamanho do tumor) e, em alguns casos
determinados pelo médico, avaliação da medula óssea para verificar a extensão
da doença. "Descobrir precocemente permite iniciar o tratamento antes que
a doença avance. Isso aumenta as chances de controle, melhora a qualidade de
vida durante o tratamento e, em muitos casos, eleva significativamente as
chances de cura", destaca.
Na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa específica para o
surgimento do linfoma. Segundo Felipe Furtado, alguns fatores podem aumentar o
risco, como idade avançada, alterações do sistema imunológico, uso de
medicamentos que reduzem a imunidade após transplantes, infecção pelo HIV e
algumas infecções por vírus específicos. Ainda assim, ele reforça que a
presença de um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa desenvolverá
a doença.
Por fim, o hematologista afirma que não existe uma forma comprovadamente eficaz
de prevenir o linfoma. "Manter hábitos saudáveis, adotar medidas de
prevenção contra o HIV e tratar adequadamente doenças que afetam o sistema
imunológico podem contribuir para reduzir alguns fatores de risco",
conclui.
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