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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Pequenas atitudes fazem a diferença para preservar a visão ao longo da vida

Especialista explica como alimentação, sono, proteção contra os raios UV, pausas durante o uso de telas e consultas preventivas ajudam a manter a saúde ocular e reduzir o risco de doenças 


A visão está presente em praticamente todas as atividades do dia a dia, mas os cuidados para preservá-la ainda costumam ser deixados em segundo plano. Enquanto o uso de telas aumenta, a rotina se torna mais corrida e hábitos inadequados se repetem sem que as pessoas percebam, cresce também a importância da prevenção para reduzir o risco de doenças oculares e preservar a saúde dos olhos ao longo da vida. Pequenas mudanças de comportamento, aliadas ao acompanhamento oftalmológico regular, podem fazer toda a diferença para manter a qualidade da visão em todas as fases da vida. 

“A saúde dos olhos depende muito mais de pequenas decisões diárias do que imaginamos. Fazer pausas durante atividades de foco prolongado, manter distância adequada das telas e realizar exames preventivos, mesmo na ausência de sintomas, são medidas fundamentais para preservar a visão”, afirma o Dr. Xisto Pedro Romão Filho, oftalmologista do H.Olhos. 

O aumento do tempo diante de computadores, celulares e tablets também exige atenção. Embora não existam evidências de que os dispositivos provoquem danos permanentes, o uso prolongado está associado à chamada síndrome visual do computador, condição que pode causar ressecamento, vermelhidão, irritação, dor de cabeça, sensibilidade à luz e dificuldade para focalizar. “As telas reduzem significativamente a frequência do piscar, favorecendo o ressecamento ocular. Ajustar o brilho dos aparelhos, posicionar o monitor um pouco abaixo da linha dos olhos e fazer pausas regulares ajudam a reduzir esse desconforto”, explica o especialista. 

Entre as orientações mais recomendadas está a regra 20-20-20, amplamente utilizada na prática clínica para aliviar a fadiga visual. O método consiste em, a cada 20 minutos de atividades de perto, direcionar o olhar para um ponto a aproximadamente seis metros de distância durante 20 segundos. “Os músculos responsáveis pelo foco permanecem contraídos por longos períodos durante a leitura ou o uso de dispositivos eletrônicos. Essas pausas funcionam como um descanso necessário, permitindo o relaxamento ocular e a recomposição do filme lacrimal”, comenta. 

A alimentação também exerce papel importante na manutenção da visão. Nutrientes antioxidantes e substâncias específicas ajudam a proteger diferentes estruturas oculares e a reduzir o risco de algumas doenças associadas ao envelhecimento. “Vitamina A, luteína, zeaxantina, ômega 3, vitaminas C e E, além do zinco, participam diretamente do funcionamento da retina e da proteção das células dos olhos. Uma dieta equilibrada, rica em vegetais, frutas, peixes e oleaginosas, contribui para manter a saúde ocular ao longo da vida”, destaca. 

Outro fator frequentemente negligenciado é a qualidade do sono. Durante o período de descanso, ocorre a regeneração da superfície ocular, o relaxamento dos músculos dos olhos e a otimização da circulação sanguínea da retina. “Olhos secos ao acordar, vermelhidão persistente, tremores nas pálpebras e visão embaçada pela manhã podem indicar que a privação de sono está afetando a saúde ocular”, alerta o médico. 

A proteção contra a radiação ultravioleta deve ser mantida em qualquer época do ano, inclusive em dias nublados. Segundo o especialista, grande parte dos raios UV atravessa as nuvens e a exposição acumulada está relacionada ao desenvolvimento de catarata e degeneração macular. “Os óculos de sol precisam ter proteção UV certificada. Lentes apenas escuras, sem filtro adequado, podem ser ainda mais prejudiciais, porque dilatam a pupila e permitem a entrada de uma quantidade maior de radiação”, orienta. 

Hábitos aparentemente inofensivos também podem trazer consequências importantes. Coçar os olhos com frequência, dormir com lentes de contato, utilizar colírios vasoconstritores sem orientação médica, compartilhar maquiagem e permanecer exposto diretamente ao ar condicionado estão entre as práticas que merecem atenção. O tabagismo e o controle inadequado de doenças como diabetes e hipertensão também aumentam o risco de alterações na retina. “Muitos danos se desenvolvem de forma silenciosa e progressiva. Por isso, a adoção de comportamentos saudáveis e o acompanhamento oftalmológico regular são indispensáveis”, ressalta. 

As consultas preventivas devem ser realizadas desde os primeiros meses de vida e mantidas ao longo de todas as fases. Crianças e adolescentes devem passar por avaliações anuais, especialmente para identificar alterações refrativas, enquanto adultos e idosos também precisam de acompanhamento periódico para rastrear doenças como glaucoma, catarata e degeneração macular relacionada à idade. 

Além dos exames de rotina, alguns sinais exigem avaliação imediata, como perda súbita da visão, dor intensa, flashes luminosos, aparecimento repentino de manchas, sensação de sombra ou cortina no campo visual e traumas oculares. “Sintomas nunca devem ser ignorados. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a visão e evitar complicações”, enfatiza. 

Para o oftalmologista, a principal mensagem é clara: prevenir continua sendo o melhor caminho. “Três compromissos simples resumem os cuidados essenciais: consultas regulares, proteção diária e atenção aos sinais do corpo. Cuidar dos olhos hoje é investir na qualidade de vida do futuro”, conclui.

 

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