No Brasil, volume coletado no mesmo período supera 131 mil litros de leite humano
O
aleitamento materno é uma das principais estratégias de proteção da saúde na
primeira infância. Além de fornecer os nutrientes necessários para o
crescimento e desenvolvimento do bebê, o leite materno contém anticorpos e
outros componentes que protege a criança contra infecções e alergias, reduz
riscos de doenças crônicas na vida adulta, fortalece o vínculo afetivo e traz
benefícios diretos para a saúde da mãe. No Brasil, a importância dessa prática
ganha destaque durante o Agosto Dourado, mês dedicado à proteção e apoio à
amamentação.
A
recomendação do Ministério da Saúde é que o bebê seja amamentado exclusivamente
até os seis meses de vida e que a amamentação continue até os dois anos ou
mais, com a introdução de alimentos adequados a partir do sexto mês.
Entre os
benefícios mais conhecidos estão a proteção contra diarreias, infecções
respiratórias e alergias, além da redução do risco de obesidade, hipertensão,
colesterol elevado e diabetes ao longo da vida. A Organização Mundial da Saúde
(OMS) também aponta que crianças amamentadas apresentam menor risco de sobrepeso
e obesidade e de desenvolver diabetes tipo 2.
“A
amamentação não só traz benefícios para a criança como para a mãe do bebê. Para
as mulheres, a amamentação está associada à redução do risco de hemorragia no
pós-parto e de alguns tipos de câncer, como os de mama e ovário, além de outros
benefícios à saúde materna”, ressalta a pediatra e membro da Organização
Nacional de Acreditação (ONA), dra. Mariana Grigoletto.
Doação de
leite humano amplia proteção aos recém-nascidos
“Quando a
mãe não pode amamentar diretamente o filho, especialmente no caso de
recém-nascidos prematuros ou de baixo peso internados em unidades neonatais, o
leite humano doado pode fazer diferença na recuperação e no desenvolvimento
desses bebês”, destaca a pediatra.
Segundo
dados da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), coordenada pelo
Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), 131.211,90 mil litros de leite
humano foram coletados no Brasil entre janeiro e junho de 2026.
No mesmo
período, a rede registrou 99.437 doadoras e 122.930 receptores. A assistência
às mulheres também representa uma parcela importante do trabalho dos bancos de
leite: foram realizados 1.188.667 atendimentos individuais, 268.706
atendimentos em grupo e 133.430 visitas domiciliares.
Em São
Paulo, 28.004,70 litros de leite humano foram coletados entre janeiro e junho
de 2026. Durante este período, o estado registrou 21.942 doadoras e 23.542
receptores. Além de 238.428 atendimentos individuais realizados, 15.348
atendimentos em grupo e 25.961 visitas domiciliares.
O leite
doado passa por etapas de seleção, processamento, pasteurização e controle de
qualidade antes de ser distribuído aos recém-nascidos que necessitam desse
alimento. Segundo o Ministério da Saúde, um litro de leite humano doado pode
alimentar até 10 recém-nascidos por dia, dependendo das necessidades de cada
bebê.
O impacto da
doação é especialmente relevante diante da demanda neonatal. O Ministério da
Saúde estima que cerca de 330 mil crianças nascem prematuras ou com baixo peso
todos os anos no Brasil. Atualmente, apenas cerca de 45% dos bebês prematuros
ou de baixo peso recebem leite humano doado, segundo a pasta.
Segurança
começa na coleta - Para que o leite humano doado chegue com qualidade e
segurança aos recém-nascidos, existe uma cadeia de cuidados que começa na
orientação da doadora e passa pela coleta, transporte, processamento,
armazenamento, controle de qualidade e distribuição.
Por isso, a
existência de bancos de leite humano estruturados e com processos bem definidos
é fundamental. A qualidade do serviço depende não apenas da disponibilidade de
doadoras, mas também da capacidade das instituições de garantir segurança em
todas as etapas do processo.
Nesse
contexto, a acreditação em saúde pode contribuir para o fortalecimento de uma
cultura de qualidade e segurança, ao estimular a padronização de processos, o
treinamento das equipes, o monitoramento de indicadores e a melhoria contínua.
“A
acreditação representa um olhar sistemático para a qualidade e a segurança dos
processos dentro das instituições de saúde. Em uma atividade como a coleta de
leite humano, isso significa trabalhar para que cada etapa seja realizada de
forma organizada, com profissionais preparados, protocolos definidos e
acompanhamento contínuo. Esse conjunto de práticas fortalece a segurança do
processo e contribui para que as mulheres possam realizar a doação com mais
confiança, sabendo que o leite será manejado dentro de uma estrutura preparada
para esse cuidado”, explica Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da
Organização Nacional de Acreditação (ONA).
Quem pode doar leite humano? - A doação é voluntária e pode ser feita por mulheres que estejam amamentando e tenham produção de leite superior à necessidade do próprio bebê. “Para doar, basta a interessada procurar um Banco de Leite Humano ou Posto de Coleta da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. É importante que a doadora não faça uso de medicamentos contraindicados e não consuma álcool, cigarro ou drogas ilícitas. As equipes de coleta orientam de forma didática a forma correta de retirar, armazenar e transportar o leite”, finaliza doutora Mariana.


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