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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Popularização da Ozempic e Mounjaro muda comportamento de pacientes e preocupa especialistas; médico alerta para riscos de automedicação

Referência em medicina estética no Brasil, o Dr. Octávio Guarçoni alerta que idade, histórico clínico, uso de medicamentos, qualidade da pele e estrutura facial devem ser avaliados antes de qualquer indicação estética.  

 

Você já pesquisou algum sintoma no Gemini ou no ChatGPT? Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinho. Segundo dados do próprio Google, cerca de 7% das buscas diárias na plataforma estão relacionadas à “saúde”, o equivalente a cerca de 70 mil pesquisas por minuto. Boa parte desse interesse também envolve tratamentos e medicamentos ligados à indústria da estética.  

Embora pareça um hábito inofensivo, a busca por informações sobre beleza tem acendido o alerta entre especialistas. Isso porque um estudo publicado na National Library of Medicine (NLM), intitulado “Patterns and Predictors of Self Medication Behavior of Weight Loss Medications”, indica que 53% dos entrevistados já utilizam medicamentos para perda de peso sem consultar um profissional de saúde. 

Impulsionadas pela febre das ‘canetas emagrecedoras’, como a Ozempic, Wegovy e Mounjaro, a procura pelo corpo perfeito tem ganhado o apoio das redes sociais e da inteligência artificial. Os dados reforçam essa influência: aproximadamente 68% dos participantes afirmaram ter sido influenciados pelas redes sociais a utilizar medicamentos de emagrecimento 

De acordo com o médico Dr. Octávio Guarçoni, referência em medicina estética no Brasil, o fácil acesso a tratamentos, dicas e orientações sem o devido respaldo ou orientação especializada amplia o risco de efeitos adversos, que vão desde a perda das características individuais até a chamada “aparência artificial”.  

"A corrida pelo nariz afinado, pelos lábios volumosos, pelo contorno facial marcado ou pela lipo HD ganhou um novo aliado, além do Instagram e do TikTok, que são as ferramentas de IA generativa. O que antes era restrito aos filtros das redes sociais agora também aparece nas respostas de chatbots, que oferecem um olhar de como ‘eu seria com determinada característica’. O problema é que a medicina estética não funciona com receitas prontas. Antes de qualquer indicação, existe uma avaliação individualizada, que considera o histórico clínico, os traços individuais de cada pele e o não apagamento desse ‘traço natural’ dos pacientes", explica Guarçoni.  

À frente da Guarçoni Health Center, o médico ressalta ainda que as buscas por orientações e dicas de beleza precisam ser assertivas e baseadas em informações confiáveis, para não gerar o efeito rebote. Entre as principais recomendações, Guarçoni orienta desconfiar de conteúdos que prometam resultados imediatos, transformações padronizadas ou protocolos universais. “Principalmente no caso do emagrecimento, o erro mais comum é escolher uma caneta porque um influenciador X usou. Em muitos casos, o quadro exige do paciente reeducação alimentar, reposição hormonal ou até mesmo um outro tipo de tratamento, passando bem longe das canetas", complementa.  

Além disso, o médico aconselha que o paciente sempre verifique se as informações são produzidas por profissionais habilitados e evite utilizar medicamentos ou seguir protocolos sugeridos por trends (tendências) de redes sociais, apps ou ferramentas de inteligência artificial sem acompanhamento médico. "A tecnologia pode informar, mas a avaliação com o profissional da área é indispensável para garantir segurança e resultados naturais", afirma. 

Segundo Guarçoni, decisões tomadas por “recomendações automatizadas” podem mascarar doenças dermatológicas, agravar problemas de pele, aumentar o risco de reações adversas e levar à realização de procedimentos incompatíveis com o perfil do paciente. “Idade, histórico de doenças, uso de medicamentos, qualidade da pele, estrutura facial e expectativas individuais são fatores que precisam ser avaliados antes de qualquer indicação terapêutica ou estética. Uma inteligência artificial pode sugerir preenchimento para um rosto com aparência cansada, quando, na verdade, o problema pode ser flacidez, perda de colágeno ou até emagrecimento excessivo. Se tratar a causa errada, o resultado dificilmente será natural. A avaliação médica existe justamente para identificar a origem da queixa antes de definir a conduta", conclui. 


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