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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Por que tantas mulheres esperam "estar prontas" para liderar?

 Apesar do aumento da participação feminina em cargos de liderança e no empreendedorismo, muitas mulheres ainda demoram mais do que os homens para assumir desafios ou se candidatar a posições maiores.

 

As mulheres conquistaram mais espaço nos ambientes de decisão, mas a igualdade ainda está distante. Dados do relatório Women in Business 2025, da Grant Thornton, mostram que elas ocupavam 36,7% das posições de liderança no Brasil ao final de 2025. Apesar do avanço, muitas profissionais qualificadas continuam esperando acumular mais experiência, cursos e resultados antes de assumir cargos maiores ou conduzir uma nova etapa do próprio negócio.

Essa espera costuma ser interpretada como falta de confiança ou ambição. No entanto, por trás dela também existe uma construção cultural que ensinou muitas mulheres a evitar erros, comprovar constantemente sua competência e assumir desafios apenas quando acreditam dominar todas as variáveis.

Para Alê Freitas, mentora em Liderança para mulheres, o problema começa quando a preparação deixa de ser um recurso de crescimento e passa a funcionar como uma forma de adiamento. “Estudar, desenvolver competências e buscar conhecimento são atitudes importantes. A armadilha aparece quando a mulher acredita que precisa eliminar toda possibilidade de erro antes de ocupar um novo lugar. Nenhuma liderança começa completamente pronta”, explica.

No empreendedorismo, esse comportamento pode aparecer quando a fundadora demora a lançar um produto, evita posicionar-se como autoridade, recusa oportunidades de expansão ou continua concentrada em atividades operacionais porque ainda não se considera preparada para liderar uma equipe maior. Enquanto espera adquirir mais segurança, o negócio também pode permanecer estagnado.

“Existe uma diferença entre reconhecer que determinada competência precisa ser desenvolvida e usar a falta de perfeição como justificativa para não avançar. Muitas mulheres já possuem experiência e capacidade, mas continuam procurando uma autorização externa para ocupar um espaço que seus próprios resultados já sustentam”, afirma Alê Freitas.

A mentora ressalta que essa insegurança não deve ser tratada apenas como uma questão individual. Ambientes que punem com mais rigor os erros cometidos por mulheres, oferecem poucas referências femininas e associam liderança a comportamentos tradicionalmente masculinos também reforçam a sensação de que elas precisam apresentar um desempenho excepcional para serem reconhecidas.

Esse cenário cria um ciclo difícil de romper. Como recebem menos oportunidades para liderar, as mulheres acumulam menos experiências formais de gestão. Sem essas experiências, podem acreditar que ainda não possuem o repertório necessário, mesmo quando já exercem liderança de maneira informal dentro das equipes ou dos próprios negócios.

Para sair desse lugar, Alê Freitas orienta que a mulher substitua a pergunta “já estou pronta?” por uma análise mais objetiva: quais competências já possui, quais podem ser desenvolvidas durante o processo e que tipo de apoio será necessário para assumir o próximo desafio. Mentoria, redes de relacionamento e trocas com outras lideranças também ajudam a ampliar referências e reduzir a sensação de isolamento.

“Liderar não significa ter todas as respostas. Significa conseguir tomar decisões com as informações disponíveis, assumir responsabilidade, aprender com os resultados e desenvolver pessoas ao longo do caminho. A prontidão não chega antes da experiência; muitas vezes, ela é construída justamente enquanto a mulher ocupa o novo lugar”, destaca.

Para Alê Freitas, empresas e empreendedoras precisam compreender que esperar pela candidata ou pela líder considerada perfeita também representa perda de oportunidades. “Quando mulheres competentes continuam esperando para se sentir totalmente prontas, os negócios deixam de aproveitar visões, talentos e formas diferentes de liderar. O próximo passo não exige ausência de medo, mas clareza suficiente para avançar mesmo sem controlar tudo”, conclui.

 

Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança para mulheres | CEO da Anima Impacto Consultoria.


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