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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Infecção urinária de repetição: por que algumas mulheres vivem tratando o problema sem resolver a causa

Especialistas alertam que episódios frequentes podem estar relacionados a alterações hormonais, microbiota íntima e disfunções do assoalho pélvico, exigindo investigação além do uso recorrente de antibióticos.

 

O surgimento constante de ardência ao urinar, dor na região pélvica e a sensação contínua de bexiga cheia fazem parte da rotina de milhares de brasileiras que enfrentam a infecção urinária de repetição. Definida pela medicina pela ocorrência de dois ou mais episódios em seis meses, ou três em um ano, a condição costuma ser tratada apenas com ciclos sucessivos de antibióticos. No entanto, especialistas alertam que combater somente a bactéria pontualmente ignora os fatores estruturais que favorecem os episódios frequentes, tornando o problema uma queixa crônica nos consultórios. 

Diante desse cenário, a clínica Clarizia Saúde da Mulher passa a oferecer uma abordagem investigativa e integrada para interromper o ciclo de recidivas. A proposta é mapear os gatilhos subjacentes que fragilizam o sistema urinário e genital, permitindo que a paciente recupere a qualidade de vida sem depender exclusivamente de medicações temporárias. “Muitas mulheres chegam exaustas ao consultório porque passam o ano inteiro tomando antibióticos. O medicamento elimina o micro-organismo do momento, mas não altera o ambiente que permitiu a instalação daquela bactéria. Se não corrigirmos a base do problema, a infecção invariavelmente vai retornar”, explica a médica à frente do centro médico, pós-doutora e com atuação em ginecologia regenerativa. 

Entre os principais fatores negligenciados na investigação tradicional estão as alterações hormonais, comuns no climatério, na menopausa ou pelo uso prolongado de determinados contraceptivos, que reduzem o estrogênio local e afetam a proteção natural da mucosa. Além disso, desequilíbrios na microbiota vaginal e intestinal, hipertonia ou fraqueza nos músculos do assoalho pélvico e o residual de urina na bexiga criam o cenário ideal para a proliferação bacteriana. Quando essas disfunções são identificadas, o plano terapêutico passa a incluir estratégias que vão desde a modulação hormonal e reorganização da flora íntima até a reabilitação por fisioterapia pélvica. 

A ginecologia regenerativa surge como uma das aliadas fundamentais para restaurar a saúde dos tecidos da região vulvovaginal e uretra. Por meio de tecnologias como lasers e radiofrequência, aliadas a terapias de fortalecimento celular, é possível devolver a vascularização, o turgor e a imunidade local da mucosa, tornando-a novamente resistente às agressões externas. “A medicina regenerativa nos dá ferramentas para devolver a funcionalidade e a proteção natural aos tecidos que perderam a capacidade de defesa.Tratar a mucosa genital é, em muitos casos, a chave para reabilitar o trato urinário inferior e devolver o bem-estar diário à paciente”, destaca a especialista da clínica. 

A conscientização sobre a necessidade de investigar a fundo as causas da condição busca também evitar os perigos do uso indiscriminado de antimicrobianos, que podem gerar resistência bacteriana e prejudicar ainda mais a flora protetora do organismo. Ao integrar avaliação clínica detalhada, exames específicos de microbiota e cuidados com a musculatura pélvica, o objetivo da equipe é oferecer um caminho definitivo para que as mulheres parem de tratar apenas os sintomas e voltem a ter uma rotina sem dores ou interrupções.  



Fonte: Dra. Alessandra Clarizia - Ginecologista e pós-doutora, com atuação em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.
instagram: @clarizia.saudedamulher

 

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