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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Alzheimer começa muito antes dos primeiros esquecimentos. Por que especialistas defendem antecipar a investigação da doença?

Avanços na medicina mostram que alterações cerebrais podem surgir até 20 anos antes dos sintomas e reforçam a importância do diagnóstico precoce

 

Esquecimentos frequentes, dificuldade para lembrar nomes ou confusão com tarefas do dia a dia costumam ser os primeiros sinais que levam muitas pessoas a investigar o Alzheimer. O que poucos sabem é que, quando esses sintomas aparecem, a doença pode estar em desenvolvimento desde duas décadas atrás. Hoje, especialistas defendem uma mudança de paradigma: em vez de esperar os primeiros esquecimentos, a investigação deve começar muito antes, especialmente em pessoas com fatores de risco ou comprometimento cognitivo leve. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 57 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no mundo, sendo o Alzheimer responsável por 60% a 70% dos casos. A estimativa é de que esse número ultrapasse 150 milhões até 2050, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população. No Brasil, aproximadamente 1,8 milhão de pessoas convivem com a doença. 

De acordo com o explica Carlos Aschoff, médico geneticista e assessor médico do DB Diagnósticos, o entendimento sobre o Alzheimer mudou significativamente nos últimos anos. Hoje, sabe-se que alterações biológicas no cérebro começam muitos anos antes dos sintomas clínicos, tornando possível identificar sinais da doença em uma fase silenciosa. 

"O Alzheimer não começa quando a pessoa passa a esquecer compromissos ou nomes. Nesse momento, o processo neurodegenerativo já está em curso há muitos anos. O que mudou foi nossa capacidade de enxergar essa fase pré-clínica por meio de biomarcadores, permitindo uma investigação muito mais precoce do que era possível até pouco tempo”, comenta o médico. 

As primeiras alterações envolvem o acúmulo gradual das proteínas beta-amiloide e tau no cérebro, consideradas características da doença. Durante muitos anos, essas mudanças só podiam ser identificadas por exames complexos, como a tomografia por emissão de pósitrons (PET cerebral) ou pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção lombar. 

Nos últimos anos, porém, a medicina passou a contar com biomarcadores plasmáticos capazes de detectar essas alterações por meio de um exame de sangue. A tecnologia representa um dos principais avanços recentes na investigação do Alzheimer, tornando o diagnóstico mais acessível e menos invasivo. 

"Os biomarcadores não substituem a avaliação clínica, mas oferecem uma ferramenta importante para complementar a investigação, principalmente em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou quando existe suspeita diagnóstica. Quanto mais cedo identificamos as alterações biológicas, maiores são as possibilidades de acompanhamento individualizado e de planejamento terapêutico”, complementa o assessor médico do DB Diagnósticos. 

Embora o Alzheimer ainda não tenha cura, especialistas afirmam que identificar a doença precocemente traz benefícios importantes para pacientes e familiares. 

Além de permitir um diagnóstico mais preciso, a investigação antecipada possibilita o controle de fatores de risco cardiovasculares, o estímulo à atividade física e cognitiva, o planejamento familiar e financeiro e o acesso mais rápido a terapias capazes de retardar a progressão da doença nos pacientes elegíveis. 

"O objetivo não é antecipar uma preocupação, mas antecipar oportunidades de cuidado. Quanto mais cedo entendemos o que está acontecendo no cérebro, mais cedo conseguimos orientar o paciente, acompanhar sua evolução e tomar decisões baseadas em evidências”, diz Carlos Aschoff. 

A evolução dos biomarcadores também começa a transformar a realidade brasileira. Exames de sangue voltados à investigação do Alzheimer, antes restritos a poucos centros e frequentemente enviados para processamento no exterior, passam a ser realizados no país, ampliando o acesso à tecnologia. 

Ao identificar alterações associadas à doença antes do surgimento dos sintomas clínicos, esses exames representam um importante avanço para a medicina diagnóstica e acompanham uma tendência internacional de tornar a investigação do Alzheimer mais precoce, acessível e menos invasiva. 

Para o especialista, a principal mensagem é que o Alzheimer deixou de ser uma doença investigada apenas quando a perda de memória já interfere na rotina. 

"Hoje sabemos que esperar os primeiros esquecimentos pode significar perder anos importantes de acompanhamento. A medicina caminha justamente na direção oposta: identificar a doença cada vez mais cedo para oferecer mais informação, mais planejamento e melhores perspectivas de cuidado ao paciente", conclui Aschoff.

 

DB Diagnósticos

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